[{"@context":"https:\/\/schema.org\/","@type":"BlogPosting","@id":"https:\/\/www.telavita.com.br\/blog\/corpo-sibjetividade\/#BlogPosting","mainEntityOfPage":"https:\/\/www.telavita.com.br\/blog\/corpo-sibjetividade\/","headline":"Corpo e subjetividade","name":"Corpo e subjetividade","description":"O fato de pensar nos afirma como seres pensantes, mas n&atilde;o ainda como indiv&iacute;duos dotados de corpo. &ldquo;Penso, logo existo&rdquo;. A frase de Descartes reflete que somente o pensamento n&atilde;o pode deixar de existir. Sendo assim, tudo &eacute; colocado em d&uacute;vida, at&eacute; mesmo a exist&ecirc;ncia do corpo. 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A gente paquera e \u00e9 paquerado. Quando comentei com vendedor de loja, das mulheres que antes compravam roupas ao namorado ou marido, agora sendo vendedoras dessas lojas e, at\u00e9 se inserindo na \u00e1rea do futebol (comentando ou de bandeirinha), ele exemplificou a \u00f3tica feminina da masculina. Num restaurante, ele com a esposa, na mesa e eu vindo do buffet, ela nem imaginaria que ele estaria reparando um homem com abdomem \"destacado\", nem cogitaria ele reparando pernas peludas e bunda discreta de homem. Riu e disse que n\u00e3o era cantada, mas que a atra\u00e7\u00e3o da mulher e do homem, sobre o corpo de homem, difere, geralmente!","author":{"@type":"Person","name":"Geraldo","url":""}}],"about":["Sexologia"],"wordCount":1555,"articleBody":"O fato de pensar nos afirma como seres pensantes, mas n&atilde;o ainda como indiv&iacute;duos dotados de corpo. &ldquo;Penso, logo existo&rdquo;. A frase de Descartes reflete que somente o pensamento n&atilde;o pode deixar de existir. Sendo assim, tudo &eacute; colocado em d&uacute;vida, at&eacute; mesmo a exist&ecirc;ncia do corpo.Na plano das id&eacute;ias claras e distintas, o fil&oacute;sofo separa claramente duas subst&acirc;ncias: alma e corpo. A ess&ecirc;ncia da alma &eacute; pensar, enquanto que a do corpo &eacute; ser um objeto no espa&ccedil;o. No entanto, o pensamento (alma) est&aacute; preso a esse fragmento de extens&atilde;o (corpo).Dessa forma, &eacute; poss&iacute;vel observar que a alma age sobre o corpo e este age sobre ela. Para Descartes, o ponto de uni&atilde;o da alma ao corpo &eacute; a gl&acirc;ndula pineal, isto &eacute;, a ep&iacute;fise. Ent&atilde;o, compreender essa dualidade permite enxergar os limites de cada agente.A dualidade entre corpo e menteDe forma bem demarcada, existe uma diverg&ecirc;ncia de correntes dentro da filosofia, na qual uma privilegia o corpo e a outra foca na mente. Explicitam-se os dualismos: idealismo e materialismo; racionalismo e empirismo; subjetividade e engrenagem; pensamento e m&aacute;quina; consci&ecirc;ncia e&nbsp;f&iacute;sico; esp&iacute;rito e mat&eacute;ria; c&oacute;gito e&nbsp;objetividade; interioridade e exterioridade.Entretanto, para o fil&oacute;sofo holand&ecirc;s, Baruch Spinoza, no homem n&atilde;o h&aacute; sen&atilde;o uma entidade, vista interiormente como mente e exteriormente como mat&eacute;ria (corpo). Sendo assim, o que existe na realidade &eacute; uma mistura insepar&aacute;vel.Ent&atilde;o, a mente e o corpo n&atilde;o agem um sobre o outro, porque n&atilde;o h&aacute; outro. O processo &ldquo;mental&rdquo; e interior corresponde em cada est&aacute;gio ao processo &ldquo;material&rdquo; e externo. A ordem e conex&atilde;o das ideias &eacute; a mesma que a ordem e conex&atilde;o das coisas.LEIA MAIS: Perfil narcisista: Um mergulho na mente narcisistaO f&iacute;sico n&atilde;o pode determinar que a mente pense e nem a mente pode determinar que o corpo fique em movimento ou em repouso. A decis&atilde;o da mente e a determina&ccedil;&atilde;o do corpo s&atilde;o uma s&oacute; coisa. Isso ocorre, pois n&atilde;o existem dois processos, nem duas entidades. N&atilde;o h&aacute; sen&atilde;o um processo visto interiormente como pensamento e exteriormente como movimento.Corroborando com as ideias de Spinoza, o fil&oacute;sofo franc&ecirc;s Maurice Merleau-Ponty defendia que n&atilde;o h&aacute; separa&ccedil;&atilde;o e sim coexist&ecirc;ncia. Somos unidade &uacute;nica, duplicidade una e unidade amb&iacute;gua. O conceito de experi&ecirc;ncia ainda define que somos consci&ecirc;ncia entre aquilo que foi denominado de esp&iacute;rito e o que foi denominado de mat&eacute;ria.Para Merleau-Ponty, o corpo n&atilde;o &eacute; um objeto. Nesse sentido, para ele n&atilde;o importa se estamos tratando do nosso pr&oacute;prio corpo ou de algu&eacute;m. Na verdade, o &uacute;nico modo de conhec&ecirc;-lo &eacute; vivenciando seu pr&oacute;prio drama e aquilo que lhe atravessa confundindo-se com ele.A reflex&atilde;o sobre o corpoNo plano pr&eacute;-reflexivo, somos viv&ecirc;ncia. No plano perceptivo, somos experi&ecirc;ncia. Ora nos percebemos mais corpo, ora nos percebemos mais mente (conhecida tamb&eacute;m na filosofia como alma ou esp&iacute;rito).Nosso corpo nos situa e &eacute; uma forma de ser e estar no mundo. Percebemos a tudo e a todos. A cultura nos constitui, assim como a constitu&iacute;mos. Nosso corpo nos comp&otilde;e, assim como, subjetivamente, compomos nosso corpo. N&atilde;o temos como nos separar dele.Atrav&eacute;s do corpo alcan&ccedil;amos o mundo. Somos o nosso corpo no mundo. Nosso corpo &eacute; condi&ccedil;&atilde;o necess&aacute;ria para percebermos nosso campo de presen&ccedil;a no mundo. O corpo nos situa, limita e demarca, tornando poss&iacute;vel a rela&ccedil;&atilde;o com outros corpos. A subjetividade est&aacute; tanto no corpo, como na pr&oacute;pria mente. Ou seja, somos nosso corpo com os outros corpos no mundo.LEIA MAIS: O que s&atilde;o doen&ccedil;as psicossom&aacute;ticas e como ocorremSendo assim, percebemos nosso corpo n&atilde;o apenas como um objeto localizado no espa&ccedil;o. Ele &eacute; a condi&ccedil;&atilde;o necess&aacute;ria para perceber, sendo esse o campo de presen&ccedil;a no mundo. Ele nos situa, pois nos relaciona com o espa&ccedil;o, tempo e outros seres. Ao mesmo tempo nos limita. Tal limite demarca, tornando poss&iacute;vel a rela&ccedil;&atilde;o com o outro. Atrav&eacute;s dele desenvolvemos posturas.Para Merleau-Ponty, a hist&oacute;ria de cada um que nos constitui. S&oacute; somos quem somos, pois fomos o que fomos. O tempo &eacute; uma dimens&atilde;o do nosso ser. O tempo est&aacute; no nosso corpo. Ele nos situa em rela&ccedil;&atilde;o ao passado pela mem&oacute;ria, pelo presente por meio da viv&ecirc;ncia e pelo futuro atrav&eacute;s da imagina&ccedil;&atilde;o.Dessa forma, para o autor, o que nos limita nos faz compreender o outro. Ou seja, ser eu me possibilita compreender o n&atilde;o-eu. Al&eacute;m disso, ser finito nos faz aspirar ao eterno. Afinal, assumir que morremos nos permite viver melhor.Identidade hist&oacute;rica sobre o corpoA hist&oacute;ria da cria&ccedil;&atilde;o dos corpos e identidades sociais, conforme j&aacute; vimos, est&aacute; ligada a produ&ccedil;&atilde;o de subjetividades. Dessa forma, as rela&ccedil;&otilde;es entre corpo e subjetividade s&atilde;o maiores do que parece, pois alcan&ccedil;a formas como nos compreendemos e somos levados a ver o outro.Nesse sentido, os corpos buscam adequa&ccedil;&otilde;es aos padr&otilde;es de identidade socialmente aceitas. Tal enquadramento justificou as mais variadas formas de controle e disciplina que o corpo sofreu por mais de dois s&eacute;culos.Para tal, &eacute; interessante observar a atua&ccedil;&atilde;o da ind&uacute;stria da moda. O tamanho dos vestu&aacute;rios vem diminuindo desde o s&eacute;culo XX e, al&eacute;m disso, vemos gradativamente pe&ccedil;as menores &agrave; venda, tanto para os homens, mas, principalmente, para as mulheres.LEIA MAIS: Como a sa&uacute;de mental impacta o sistema imunol&oacute;gicoSendo assim, os corpos v&atilde;o sendo cada vez mais expostos conforme os anos desse s&eacute;culo avan&ccedil;am. A partir da d&eacute;cada de 1980, os corpos j&aacute; estavam bem amostra e a famosa &ldquo;gera&ccedil;&atilde;o sa&uacute;de&rdquo; crescia expressivamente em todas as classes sociais.Desde ent&atilde;o, o culto ao f&iacute;sico tem tido o objetivo de corporificar &ldquo;identidades&rdquo; pautadas em modelos inalcan&ccedil;&aacute;veis, em que cada um se torna individualmente respons&aacute;vel pelo corpo que tem. Ou seja, quanto mais &ldquo;apropriado&rdquo;, maior ser&aacute; a sua capacidade de autodisciplina e cuidado.A disciplina corporal cria corpos padronizados e subjetividades controladas. Na atualidade, quem n&atilde;o tem um f&iacute;sico bronzeado, malhado, magro, lipoaspirado e siliconado &eacute; visto como algu&eacute;m que fracassou, inclusive, em outras dimens&otilde;es da vida, como finan&ccedil;as, profiss&atilde;o, fam&iacute;lia, vida sentimental, amizades, dentre outras.Consequ&ecirc;ncias psicol&oacute;gicasAs ind&uacute;strias relacionadas ao emagrecimento, principalmente as que pertencem ao ramo da sa&uacute;de e moda, movimentam cifras bilion&aacute;rias no mundo inteiro em nome da &ldquo;sa&uacute;de e est&eacute;tica f&iacute;sica ideal&rdquo;.Isto talvez explique o aumento dos seguintes transtornos psiqui&aacute;tricos, al&eacute;m de outros relacionados como depress&atilde;o e ansiedade:Anorexia: perceber o corpo menos magro do que ele parece na realidade. O sujeito se torna obcecado por dietas para emagrecer, que, muitas vezes, s&atilde;o levadas ao extremo do exagero, com o objetivo de ter um modelo idealmente magro;Bulimia: ingest&atilde;o excessiva de alimento em um curto espa&ccedil;o de tempo, levando posteriormente ao v&ocirc;mito induzido;Vigorexia: perceber o corpo menos definido do que na realidade. Isso gera obsess&atilde;o e v&iacute;cio por pr&aacute;ticas de exerc&iacute;cios f&iacute;sicos, com o objetivo de ter o f&iacute;sico idealmente musculoso e definido;Ortorexia: preocupa&ccedil;&atilde;o obsessiva por ingest&atilde;o de alimentos considerados nutritivamente saud&aacute;veis, balanceados e naturais.Todos os indiv&iacute;duos s&atilde;o capturados por mais essa pol&iacute;tica do biopoder. Ela gerencia corpos e vidas em nome do bem estar e da &ldquo;qualidade de vida&rdquo;. Dessa forma, &eacute; fundamental compreender o que esse contexto significa e procurar ajuda psicol&oacute;gica quando for preciso."},{"@context":"https:\/\/schema.org\/","@type":"BreadcrumbList","itemListElement":[{"@type":"ListItem","position":1,"name":"Blog","item":"https:\/\/www.telavita.com.br\/blog\/#breadcrumbitem"},{"@type":"ListItem","position":2,"name":"Corpo e subjetividade","item":"https:\/\/www.telavita.com.br\/blog\/corpo-sibjetividade\/#breadcrumbitem"}]}]