Os benefícios psicológicos de cultivar a amizade

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A amizade pode trazer muito mais do que boas risadas. Ela é um grande alicerce da saúde!

A música tema da clássica amizade entre os dois brinquedos Woody e Buzz Lightyear, de Toy Story, celebra o lado bom de se ter amigos: “Amigo estou aqui | Amigo estou aqui | Se a fase é ruim | E são tantos problemas que não tem fim | Não se esqueça do que ouviu de mim |Amigo estou aqui”. 

Quem nunca precisou de um ombro amigo, desabafar sobre as angústias da vida ou comemorar as conquistas ao lado daquela pessoal querida? A verdade é que é da natureza do ser humano viver em sociedade e ser integrado a um grupo. Isso remonta desde os primeiros passos que o homem deu na Terra: aqueles que viviam em grupo, tinham mais chances de obter caça, se esquentar nos períodos de inverno e reproduzir.

A revista “Perspectives on Psychological Science publicou um estudo que levanta a hipótese da solidão ter tido um valor adaptativo para seres humanos e animais e que, assim como a fome, sede e dor, ela também pode ter a característica de alerta de reconexão com outros indivíduos a fim de aumentar nossas chances de sobrevivência e reprodução.

O que é amizade?

A origem da palavra “amizade” possui algumas divergências: há alguns etimologistas que acreditam que ela venha do latim amicitia, que significa “amizade”, e outros que acham que o termo latino amicitia teria se desenvolvido a partir do verbo latino amare, que expressa  o sentido de “amor” ou “amar”.

Seja qual for a sua origem, o significado de amizade no Dicionário Aurélio é “afeição recíproca entre dois entes”, “boas relações”. E, para o termo “amigo”, é “ligar(-se) por laços de amizade”

Quando se fala em relacionamentos, a primeira coisa que vem à mente é a união das pessoas como um casal, só que muitos esquecem que a amizade também é um relacionamento. Brigar com os amigos ou chegar ao fim de uma amizade de infância pode ter os mesmos impactos que o término de um relacionamento amoroso. Afinal, não abordamos anteriormente que o significado de amizade  é ‘ligar-se‘? 

Fazer amizades e mantê-las pode ter grande impacto no modo como desenvolvemos nossa percepção da vida, emoções e até empatia. Por isso, cultivar bons amigos é uma das bases sociais mais fortes que existem. 

A amizade e o ciúme

Quando uma amizade antiga do seu círculo começa novas amizades, você se sente rejeitado ou com ciúmes? Pois se a resposta foi “sim”, saiba que é normal. Qualquer relacionamento humano é capaz de desenvolver o ciúme. Para os psicólogos Ayala Pines e Elliot Aronsonciúme é “a reação complexa a uma ameaça perceptível a uma relação valiosa ou à sua qualidade.” Ou seja, sentir ciúme de amiga ou amigo é compreensível, como em qualquer relação, pois envolve o medo da perda.

O problema é quando o ciúme torna a relação em uma amizade possessiva. De acordo com a SBIE (Sociedade Brasileira de Inteligência emocional)  “pessoas possessivas carregam a crença de que podem ser abandonadas ou rejeitadas a qualquer momento. Indivíduos assim geralmente sofreram com a rejeição durante a infância ou interpretaram errado algumas situações vividas quando crianças”.

Um grupo de psicólogos da Universidade da Pensilvânia estudou os rankings de amizade oferecidos pela rede social MySpace e chegou à conclusão de que valorizamos mais os amigos que nos valorizam mais. “Somos seres ciumentos. A avaliação que nossos amigos fazem de nós e de nossa relação afeta diretamente a amizade em si”, explica Peter DeScioli, co-diretor do estudo. Ele acredita na premissa de que a amizade é criada como uma proteção e vantagem em caso de conflitos.

Ter amigos faz bem à saúde

Em uma pesquisa de 1937, a Universidade Harvard liderou um dos maiores estudos sobre a saúde humana cuja conclusão se encontra em um fator surpreendente: o elemento que mais influencia o nível de saúde das pessoas não tem relação com a genética, adquirir bens materiais e nem a alimentação. Acredite ou não, são os amigos.

Além dos valores adaptativos publicados pela revista  “Perspectives on Psychological Science” , ter amigos faz bem à alma e também à saúde. A ciência já comprova que manter uma ampla rede de amizades proporciona a redução da tensão e do estresse, aumenta as defesas do corpo e prolonga a vida. Além disso, a amizade verdadeira pode proporcionar hábitos melhores, afugenta a depressão, ajuda a superar doenças e produz prazer e felicidade.

Afasta – ou atrai – a depressão

Cuidado com as amizades tóxicas! Os sociólogos Nicholas Christakis e James Fowler notaram que muitos dos principais comportamentos humanos se espalham feito vírus, e os amigos atuam como transmissores. Os amigos trazem felicidade e aumentam a nossa vitalidade quando nos fazem sorrir ou nos ajudam com alguma problema. Porém o oposto também ocorre, já que também podem aumentar suas chances de entrar em depressão.

Pessoas pessimistas e reclamonas podem deixar você 7% mais para baixo.  E, no caminho inverso, ter um amigo feliz aumenta a sua chance de ficar feliz também em 15,3%.

Prolonga a vida

Em um estudo sobre a amizade e longevidade, a professora de psicologia Julianne Holt-Lunstad, da Universidade Brigham Young,  nos EUA, comenta o fato: “Não dispor de uma rede social de apoio é um fator de mortalidade mais potente que a obesidade ou uma vida sedentária e sem exercício físico. Os estudos demonstram um aumento de 50% na probabilidade de viver mais quando se possui uma rede sólida de relações sociais.”

Indivíduos com mais de 70 anos têm 22% mais chance de chegar aos 80 se mantiverem laços de amizade fortes. De acordo com  pesquisadores da Universidade Dukeexiste  uma quantidade mínima de amigos para que tornar alguém menos vulnerável a doenças.

Aumenta a empatia

desenvolvimento emocional pode ser impactado pelas amizades que fazemos. Um grupo da Universidade da Virginia, nos Estados Unidos, realizou uma pesquisa na qual analisou tomografias de 22 pessoas ameaçadas de receber pequenas descargas elétricas ou informadas de que um amigo ou um desconhecido as tinha recebido.

O resultado foi surpreendente! A atividade cerebral de um indivíduo que está em perigo é quase idêntica à que ela demonstra quando é seu amigo quem corre perigo. “Nosso senso do ‘eu’ inclui as pessoas próximas”, afirma o psicólogo James Coan, diretor do estudo. “As pessoas que são chegadas se convertem em parte de nós, não no sentido poético ou metafórico, mas no sentido real. Literalmente, nos sentimos ameaçados quando nossos amigos estão ameaçados.”

Estimula a manter bons hábitos

Uma pesquisa realizada pela Universidade Harvard coloca a amizade na balança! A relação da obesidade e a amizade se provou real quando os resultados da pesquisa mostraram que, se o seu amigo é obeso, você tem cerca de 45% de chances de desenvolver obesidade também. A mesma coisa se aplica ao tabagismo: se um amigo seu começa a fumar, o seu risco de se tornar fumante aumenta 61%. 

O mesmo ocorre no caminho inverso: se os seus amigos nutrem hábitos saudáveis, a chance de você reproduzir o comportamento é grande. Ou seja: aposte em amizades que surtam efeitos positivos na sua vida e faça o mesmo com os seus amigos!

A série americana que estourou nos anos 90, Friends, prova que as pessoas com as quais criamos laços trazem muito mais que amizade: trazem apoio, motivação, risadas e, quem sabe, até um possível relacionamento amoroso! A música tema da sitcom condecora os valores da amizade no trecho “Eu estarei lá por você |Quando a chuva começar a cair | Eu estarei lá por você | Como já estive antes |Eu estarei lá por você |Porque você também está lá pra mim”.

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