[{"@context":"https:\/\/schema.org\/","@type":"BlogPosting","@id":"https:\/\/www.telavita.com.br\/blog\/racismo\/#BlogPosting","mainEntityOfPage":"https:\/\/www.telavita.com.br\/blog\/racismo\/","headline":"Racismo: uma constru\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica impiedosa","name":"Racismo: uma constru\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica impiedosa","description":"O racismo &eacute; entendido como uma constru&ccedil;&atilde;o ideol&oacute;gica que come&ccedil;a a se esbo&ccedil;ar a partir do s&eacute;culo XVI com a sistematiza&ccedil;&atilde;o de ideias e valores constru&iacute;dos pela civiliza&ccedil;&atilde;o europeia. 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Esse movimento ocorre quando esses entraram em contato com a diversidade humana nos diferentes continentes e se consolida com as ideias cient&iacute;ficas em torno do conceito de ra&ccedil;as no s&eacute;culo XIX.Apesar do conceito datado ainda percebemos o seu preceito na sociedade. E ele n&atilde;o ocorre de maneira leviana. S&atilde;o diversas ocasi&otilde;es em que n&atilde;o veem o aspecto humano, mas utilizam o preconceito.&ldquo;Todo ser humano tem a capacidade para gozar os direitos e as liberdades estabelecidas nesta declara&ccedil;&atilde;o, sem distin&ccedil;&atilde;o de qualquer esp&eacute;cie, seja de ra&ccedil;a, cor, sexo, religi&atilde;o, idioma, opini&atilde;o pol&iacute;tica ou de outra natureza, origem nacional ou social, riqueza, nascimento ou qualquer outra condi&ccedil;&atilde;o&rdquo;.O segundo artigo da Declara&ccedil;&atilde;o Universal dos Direitos Humanos, de 1948, j&aacute; evidenciava a necessidade da equidade. Mesmo assim, as situa&ccedil;&otilde;es vexat&oacute;rias continuam acontecendo. Portanto, iremos discutir o racismo sob uma &oacute;tica hist&oacute;rica.Racismo: significado e defini&ccedil;&otilde;esO ato de atribuir e perpetuar as desigualdades sociais, ps&iacute;quicas, culturais e pol&iacute;ticas &agrave; &ldquo;ra&ccedil;a&rdquo; significa legitimar as diferen&ccedil;as sociais. Isso ocorre a partir da ideia falaciosa de diferen&ccedil;as biol&oacute;gicas, manifestada nos fen&oacute;tipos e na apar&ecirc;ncia dos indiv&iacute;duos de diferentes grupos sociais.A discrimina&ccedil;&atilde;o social, ent&atilde;o, &eacute; baseada no conceito de que existem ra&ccedil;as humanas, al&eacute;m de que umas s&atilde;o superiores &agrave;s outras. Analisar as pessoas como base nas diferentes caracter&iacute;sticas f&iacute;sicas &eacute; uma atitude depreciativa e discriminat&oacute;ria n&atilde;o baseada em crit&eacute;rios cient&iacute;ficos.O que &eacute; racismo?O racismo pode ser entendido como qualquer fen&ocirc;meno que justifique as diferen&ccedil;as, prefer&ecirc;ncias, privil&eacute;gios, domina&ccedil;&atilde;o, hierarquias e desigualdades materiais e simb&oacute;licas entre seres humanos, baseados na ideia de ra&ccedil;a.Para Michael Foucault e Hanna Arendt, racismo &eacute; a forma de delimita&ccedil;&atilde;o de novas t&eacute;cnicas de poder, pois o racismo moderno n&atilde;o est&aacute; ligado a mentalidades, ideologias ou mentiras do poder. Dessa forma, est&aacute; ligado &agrave; tecnologia do poder, j&aacute; que &eacute; uma forma do biopoder exercido. Nesse sentido, possui conex&atilde;o com o funcionamento de um Estado que &eacute; obrigado a utilizar a ra&ccedil;a &ndash; no tocante de sua elimina&ccedil;&atilde;o e purifica&ccedil;&atilde;o &ndash; para exercer o seu poder soberano.LEIA MAIS: Causas e consequ&ecirc;ncias do preconceito racial na constru&ccedil;&atilde;o emocionalDessa forma, racismo, enquanto conceito, traz a ideia de um estudo de ra&ccedil;as como forma classificat&oacute;ria. Por outro lado, de um ponto de vista ideol&oacute;gico, ele traz a ideia de uma doutrina que induz os atos e a&ccedil;&otilde;es preconceituosas e discriminat&oacute;rias das pessoas.Dessa forma, nasce e desenvolve o racismo biol&oacute;gico-social, em que h&aacute; uma ra&ccedil;a superior (branco\/europeia) detentora de uma superioridade f&iacute;sica, moral, intelectual e est&eacute;tica, dispondo um poder traduzido em &ldquo;verdades&rdquo; e normas.Dentro desse contexto, as outras ra&ccedil;as s&atilde;o vistas como um perigo para esse patrim&ocirc;nio biol&oacute;gico. E &eacute; nesse momento que aparecem os discursos sobre a degenera&ccedil;&atilde;o da humanidade e a situa&ccedil;&atilde;o fica perigosa.A problem&aacute;tica do racismo estruturalComo vimos, o racismo &eacute; uma domina&ccedil;&atilde;o sistem&aacute;tica de um grupo &eacute;tnico por outro, acompanhada de representa&ccedil;&otilde;es e ideologias que pretendem depreciar o povo subordinado. Ou seja, serve para explicar e justificar a explora&ccedil;&atilde;o ou a exclus&atilde;o material do diferente.Entretanto, &eacute; poss&iacute;vel perceber a sua normaliza&ccedil;&atilde;o em diversos setores da sociedade. Trata-se de um fen&ocirc;meno conjuntural e patologia social chamada de racismo estrutural. Nesse sentido, funciona como uma viol&ecirc;ncia direta contra qualquer pessoa.Dessa forma, pode ser entendido como uma forma de racionalidade constitu&iacute;da de a&ccedil;&otilde;es conscientes e inconscientes, com tr&ecirc;s dimens&otilde;es: economia, pol&iacute;tica e subjetividade, em que existe o constrangimento de indiv&iacute;duos.Entretanto, o racismo n&atilde;o &eacute; apenas e simplesmente a diferen&ccedil;a f&iacute;sica ou um fen&ocirc;meno ideol&oacute;gico. O racismo se define pela rejei&ccedil;&atilde;o estigmatizada por estere&oacute;tipos, em que impera a soberania e a superioridade cultural, intelectual e moral.Constru&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica do racismoDelimitar precisamente quando o racismo come&ccedil;ou a ser praticado &eacute; uma tarefa dif&iacute;cil. Entretanto, conseguimos tra&ccedil;ar alguns momentos da hist&oacute;ria em que tal conduta chama aten&ccedil;&atilde;o.No s&eacute;culo IX, na Ar&aacute;bia, por exemplo, j&aacute; existia a diferen&ccedil;a entre o tratamento de escravos brancos e negros. Nesse sentido, mesmo com as duas ra&ccedil;as vivendo num regime de escravid&atilde;o, as regras para os brancos eram mais amenas do que para os negros.Al&eacute;m disso, os ensinamentos religiosos da &eacute;poca j&aacute; traziam a ideia de pureza no sangue, o que tamb&eacute;m pode ser considerado uma forma de racismo. Inclusive, tal pensamento deu in&iacute;cio &agrave; persegui&ccedil;&atilde;o dos judeus. Ent&atilde;o, essas atitudes escravistas e preconceituosas permeiam as sociedades com mais afinco desde a coloniza&ccedil;&atilde;o &aacute;rabe.LEIA MAIS: Negacionismo: o perigo do pensamento negacionistaEntretanto, outra percep&ccedil;&atilde;o de racismo vem das interpreta&ccedil;&otilde;es crist&atilde;s da B&iacute;blia e tamb&eacute;m remetem a quest&atilde;o da purifica&ccedil;&atilde;o. Nesse sentido, v&aacute;rios judeus se converteram ao cristianismo para uma poss&iacute;vel aceita&ccedil;&atilde;o social e, assim, se tornaram os &ldquo;novos crist&atilde;os&rdquo;.A ideia de pureza do sangue ganha for&ccedil;a na Idade M&eacute;dia e se estende at&eacute; o s&eacute;culo XIX, legitimando os discursos que defendiam os conceitos de inferioridade\/superioridade entre as ra&ccedil;as. Vale trazer, tamb&eacute;m, que no s&eacute;culo XVII, a diversidade humana foi classificada em brancos, negros e amarelos, atrav&eacute;s das classifica&ccedil;&otilde;es da biologia e da zoologia.Racismo na modernidadeO racismo no mundo moderno &eacute; visto como consequ&ecirc;ncia da expans&atilde;o europeia, a partir do fim do s&eacute;culo XV, e se estendeu para judeus, &aacute;rabes e ciganos. Vale aqui tamb&eacute;m mencionar o maior genoc&iacute;dio da Hist&oacute;ria, que foi o Holocausto, perpetrado por racistas assumidos e justificados por uma ideologia explicitamente racial.Entretanto, &eacute; importante tratar sobre o racismo n&atilde;o europeu. Nesse sentido, podemos citar como exemplo a viol&ecirc;ncia dos japoneses contra coreanos e chineses durante a Segunda Guerra Mundial, al&eacute;m de casos nos Estados Unidos.Inclusive, a tratativa americana &eacute; bem peculiar de ser analisada. Isso ocorre, pois houve a socializa&ccedil;&atilde;o com um grande senso de superioridade, para manter os brancos como classe dominante. Ent&atilde;o, negros e imigrantes eram tratados de forma diferenciada e perseguidos pelo grupo no poder.Mesmo assim, &eacute; v&aacute;lido trazer que ainda existe um problema de estigmatiza&ccedil;&atilde;o com esses grupos. A desigualdade social gerada por um arca&iacute;smo de uma sociedade atrasada ainda v&ecirc; tais indiv&iacute;duos como criminosos e vagabundos pela ordem estatal e dominante.Racismo no BrasilPor aqui tivemos uma comunidade de indiv&iacute;duos que chegaram de todas as partes do mundo, principalmente da Europa, para nos colonizar. A forma&ccedil;&atilde;o social brasileira &eacute; caracterizada por europeus, ind&iacute;genas, africanos, asi&aacute;ticos e povos &aacute;rabes, que tiveram aqui uma gama de rela&ccedil;&otilde;es e conflitos, seja no campo pol&iacute;tico, comercial, religioso ou afetivo-social.As ideias de superioridade racial ficaram mais comuns nas elites brasileiras do final do s&eacute;culo XIX at&eacute; meados do s&eacute;culo XX (por volta de 1930). Sendo assim, por influ&ecirc;ncia da Europa, ficava estabelecido que os brancos eram superiores aos negros.Dessa forma, aos brancos eram atribu&iacute;das as capacidades de construir grandes civiliza&ccedil;&otilde;es. Por outro lado, os negros eram vistos como selvagens e b&aacute;rbaros, incapazes de realiza&ccedil;&otilde;es civilizat&oacute;rias.LEIA MAIS: Narcisismo e poderInclusive, o branqueamento era o passaporte para transformar o Brasil, possibilitando a vinda de imigrantes europeus, considerados superiores e aptos para o trabalho agr&iacute;cola e desenvolvimento industrial. E, apesar do intenso fluxo de &ldquo;sangue europeu&rdquo;, a popula&ccedil;&atilde;o brasileira foi se constituindo por muitos mesti&ccedil;os.Ent&atilde;o, a partir de 1930, o mesti&ccedil;o passou a ser visto como brasileiro gra&ccedil;as ao movimento liter&aacute;rio, o culturalismo antropol&oacute;gico e as condena&ccedil;&otilde;es &agrave;s teorias racistas da Europa. Nessa fase, defender ideias racistas n&atilde;o era politicamente correto.Sendo assim, as institui&ccedil;&otilde;es sociais passaram a defender o antirracismo como um valor nacional, contr&aacute;rio ao que acontecia nos EUA e na &Aacute;frica do Sul, que mantinham leis rigorosas separando brancos de negros.S&eacute;culo XXAp&oacute;s a aboli&ccedil;&atilde;o da escravatura, o Brasil surge como uma &ldquo;democracia racial&rdquo;. Os afro-americanos come&ccedil;aram a vir para c&aacute; por essa ideia, pois n&atilde;o existia a segrega&ccedil;&atilde;o jur&iacute;dica, ou seja, os negros eram livres para participarem da vida nacional e a miscigena&ccedil;&atilde;o era ampla.No entanto, existia segrega&ccedil;&atilde;o racial, principalmente no Sul do pa&iacute;s, pela competi&ccedil;&atilde;o de empregos com os imigrantes italianos e alem&atilde;es. Em 1950, o que se percebeu foi uma discrimina&ccedil;&atilde;o racial velada. A partir de 1960, ent&atilde;o, come&ccedil;aram os movimentos negros.Nas d&eacute;cadas de 80\/90, a opress&atilde;o racial era aberta, &oacute;bvia e vis&iacute;vel no mundo, mas no Brasil ela era escondida e mascarada por um discurso nacionalista que proclamava harmonia e igualdade racial. Se dizia nos Estados Unidos que o negro tinha uma metralhadora apontada para sua cabe&ccedil;a. J&aacute; no Brasil, essa metralhadora apontava para as costas, onde n&atilde;o se pode v&ecirc;-la.Como est&atilde;o as coisas hoje?O que temos hoje, no s&eacute;culo XXI, &eacute; um racismo estrutural, que segrega negros e brancos em classes sociais diferentes, o que dificulta acesso &agrave; servi&ccedil;os b&aacute;sicos de sa&uacute;de, de educa&ccedil;&atilde;o, de seguran&ccedil;a e de emprego digno.O racismo estrutural n&atilde;o &eacute; expl&iacute;cito ou um preconceito claro, mas uma discrimina&ccedil;&atilde;o distinta. Dessa forma, o que se percebe &eacute; uma discrep&acirc;ncia de renda, de empregabilidade e de marginaliza&ccedil;&atilde;o, principalmente, da popula&ccedil;&atilde;o negra e pobre.Nesse sentido, isso significa um entrave para que se forme uma sociedade brasileira justa, baseada em pilares democr&aacute;ticos e republicanos de igualdade e de liberdade. Muitas coisas ainda precisam mudar."},{"@context":"https:\/\/schema.org\/","@type":"BreadcrumbList","itemListElement":[{"@type":"ListItem","position":1,"name":"Blog","item":"https:\/\/www.telavita.com.br\/blog\/#breadcrumbitem"},{"@type":"ListItem","position":2,"name":"Racismo: uma constru\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica impiedosa","item":"https:\/\/www.telavita.com.br\/blog\/racismo\/#breadcrumbitem"}]}]