[{"@context":"https:\/\/schema.org\/","@type":"BlogPosting","@id":"https:\/\/www.telavita.com.br\/blog\/sindrome-de-otelo\/#BlogPosting","mainEntityOfPage":"https:\/\/www.telavita.com.br\/blog\/sindrome-de-otelo\/","headline":"A S\u00edndrome de Otelo: a doen\u00e7a do ci\u00fames excessivo","name":"A S\u00edndrome de Otelo: a doen\u00e7a do ci\u00fames excessivo","description":"Ci&uacute;me &eacute; doen&ccedil;a! Mas claro, quando em excesso. Saiba mais sobre a S&iacute;ndrome de Otelo, transtorno inspirado na obra de Shakespeare. O c&eacute;lebre poeta ingl&ecirc;s William Shakespeare sempre teve uma queda por trag&eacute;dias. Em uma de suas obras mais famosas, &ldquo;Otelo, o Mouro de Veneza&rdquo;&nbsp;(1603),&nbsp;ele escreveu sobre o tri&acirc;ngulo amoroso entre ci&uacute;me, paix&atilde;o e morte. 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Mas claro, quando em excesso. Saiba mais sobre a S&iacute;ndrome de Otelo, transtorno inspirado na obra de Shakespeare.O c&eacute;lebre poeta ingl&ecirc;s William Shakespeare sempre teve uma queda por trag&eacute;dias. Em uma de suas obras mais famosas, &ldquo;Otelo, o Mouro de Veneza&rdquo;&nbsp;(1603),&nbsp;ele escreveu sobre o tri&acirc;ngulo amoroso entre ci&uacute;me, paix&atilde;o e morte. Na hist&oacute;ria, Otelo &eacute; obcecado pela ideia de que sua esposa, Desd&ecirc;mona, &eacute; infiel. O personagem sofre de um ci&uacute;me t&atilde;o intenso que, no final, ele a mata.Shakespeare, uma das grandes vozes do amor e da trag&eacute;dia, chama a aten&ccedil;&atilde;o justamente para o tema amor e ci&uacute;me. Ele evoca, atrav&eacute;s da morte, o pensamento de que o ci&uacute;me excessivo n&atilde;o &eacute; saud&aacute;vel e que, principalmente, n&atilde;o &eacute; amor.&ldquo;Meu Senhor, livrai-me do ci&uacute;me! &Eacute; um monstro de olhos verdes, que escarnece do pr&oacute;prio pasto que o alimenta. Qu&atilde;o felizardo &eacute; o enganado que, c&ocirc;nscio de o ser, n&atilde;o ama a sua infiel! Mas que torturas infernais padece o homem que, amando, duvida, e, suspeitando, adora.&rdquo;William ShakespeareO que &eacute; ci&uacute;mes?Todo mundo j&aacute; sentiu ci&uacute;mes alguma vez na vida, seja de parceiros(as), familiares ou at&eacute; mesmo de objetos. Em n&iacute;veis normais, o ci&uacute;mes n&atilde;o &eacute; prejudicial e &eacute; uma emo&ccedil;&atilde;o comum aos seres humanos. O psicanalista austr&iacute;aco, Sigmund Freud, considerado o pai da psican&aacute;lise, explicou em seu livro &ldquo;Alguns Mecanismos Neur&oacute;ticos no Ci&uacute;me, na Paran&oacute;ia e no Homossexualismo&rdquo;&nbsp;que o ci&uacute;me &eacute; &ldquo; um daqueles estados emocionais, como o luto, que podem ser descritos como normais&rdquo;.O medo da perda &eacute; a for&ccedil;a-motriz do ci&uacute;me, e ele pode gerar outros sentimentos como a raiva, irritabilidade, tristeza e obsess&atilde;o. A aus&ecirc;ncia do ci&uacute;me, assim como outras emo&ccedil;&otilde;es consideradas normais, pode ser um sinal de patologia tamb&eacute;m, assim como o seu excesso: &ldquo;Se algu&eacute;m parece n&atilde;o possu&iacute;-lo, justifica-se a infer&ecirc;ncia de que ele experimentou severa repress&atilde;o e, consequentemente, desempenha um papel ainda maior em sua vida mental inconsciente&rdquo; (FREUD &ndash; 1922).Freud classificou o ci&uacute;mes em tr&ecirc;s categorias:&nbsp;o competitivo ou normal, o projetado e o delirante, cada qual com um grau diferente de intensidade que pode gerar patologias.&nbsp;O&nbsp;ci&uacute;me patol&oacute;gicoA hist&oacute;ria shakesperiana inspirou a medicina e foi a&iacute; que a&nbsp;S&iacute;ndrome de Otelo ganhou esse nome, cunhado em 1955 pelos neuropsiquiatras&nbsp;John Todd&nbsp;e&nbsp;Kenneth Dewhurst&nbsp;. O Manual Diagn&oacute;stico e Estat&iacute;stico de Transtornos Mentais (DSM-IV-TR, 2002), classificou a s&iacute;ndrome como&nbsp;Transtorno Delirante Paranoico do&nbsp;tipo ciumento e ela&nbsp;&ldquo;caracteriza-se por del&iacute;rios n&atilde;o bizarros (cren&ccedil;as falsas) que persistem por, no m&iacute;nimo, um&nbsp;m&ecirc;s, sem outros sintomas da esquizofrenia&rdquo;.O Manual ainda distingue o transtorno delirante paranoico de esquizofrenia: &ldquo;Os del&iacute;rios tendem a ser n&atilde;o bizarros e a envolver situa&ccedil;&otilde;es que poderiam acontecer, tais como ser seguido, envenenado, infectado, amado a dist&acirc;ncia ou enganado pelo c&ocirc;njuge ou amante. Em contraste com a esquizofrenia, o transtorno delirante &eacute; relativamente incomum. O seu in&iacute;cio ocorre quase sempre na metade ou no final da vida adulta. O funcionamento psicossocial n&atilde;o &eacute; t&atilde;o prejudicado, como no caso da esquizofrenia, e os preju&iacute;zos surgem, em geral, diretamente da cren&ccedil;a delirante&rdquo;.&nbsp;O transtorno se caracteriza por um conjunto de pensamentos e emo&ccedil;&otilde;es irracionais que podem ser associados a comportamentos violentos. H&aacute; a constante preocupa&ccedil;&atilde;o com a infidelidade do parceiro ou da parceira sem ter fundamento o provas. A esposa de Otelo garante que jamais deu nenhum motivo para as suspeitas do marido.&ldquo;Mas aos cora&ccedil;&otilde;es ciumentos essa resposta n&atilde;o basta; nem sempre sentem ci&uacute;me por causa de um motivo. O ci&uacute;me &eacute; um monstro gerado por si mesmo&rdquo;. (Otelo)O ci&uacute;me possessivo e patol&oacute;gico virou not&iacute;cia no mundo todo em 2013 quando a hist&oacute;ria da brit&acirc;nica Debbi Wood se tornou p&uacute;blica: ela submetia seu marido a testes a um detector de mentiras toda vez que ele chegava em casa. Diagnosticada com S&iacute;ndrome de Otelo, ela contou que&nbsp;proibia o marido de assistir a qualquer tipo de programa contenha mulheres e sempre checava os e-mails e redes sociais diversas vezes ao dia &aacute; procura de uma poss&iacute;vel trai&ccedil;&atilde;o.Muitas vezes as pessoas envolvidas n&atilde;o sabem que precisam de uma ajuda psicol&oacute;gica, por isso sempre que estiver em um relacionamento que n&atilde;o &eacute; saud&aacute;vel, procure a ajuda de um profissional para avalia&ccedil;&atilde;o. Infelizmente determinadas atitudes n&atilde;o s&atilde;o passageiras e aliment&aacute;-las s&oacute; ir&aacute; piorar o relacionamento. Confira aqui em nosso blog o artigo sobre os ind&iacute;cios de que a rela&ccedil;&atilde;o precisa de uma Terapia de Casal.Esse&nbsp;ci&uacute;mes exagerado&nbsp;&eacute; sinal t&iacute;pico da S&iacute;ndrome de Otelo, pois as pessoas sofrem com o del&iacute;rio de que seus parceiros ou parceiras s&atilde;o infi&eacute;is. &ldquo;A pessoa fica obcecada com a ideia de trai&ccedil;&atilde;o e infidelidade e tenta fazer de tudo para buscar provas que mostrem que ela est&aacute; certa&rdquo;, explicou o psiquiatra Walter Ghedin &agrave; BBC.Do ci&uacute;mes obsessivo &agrave; morteN&atilde;o &eacute; s&oacute; na obra shakesperiana que a trag&eacute;dia pode coroar o final das hist&oacute;rias de amor. Existem casos extremos onde o transtorno pode levar a pessoa a matar o(a) parceiro(a), como no caso de Otelo: o personagem Yago ajudou a convence-lo de que Desd&ecirc;mona seria infiel.&ldquo;Quando se chega ao homic&iacute;dio &eacute; porque existe outro tipo de personalidade patol&oacute;gica, que se desenvolve a partir de uma paranoia ou em um ci&uacute;me delirante&rdquo;, diz o psiquiatra. Ele explica que h&aacute; casos em que o ci&uacute;me &eacute; refor&ccedil;ado pela influ&ecirc;ncia de terceiros. &ldquo;As pessoas ciumentas podem ser influenciadas pelas opini&otilde;es de outras pessoas &ndash; ou pelos meios de comunica&ccedil;&atilde;o&rdquo;.S&iacute;ndrome de Otelo: SintomasSentir&nbsp;ci&uacute;mes demais deixa rastros. O Manual MSD explica alguns dos sintomas mais recorrentes: &ldquo;A&nbsp;desconfian&ccedil;a disseminada e a suspeita de outras pessoas e de suas motiva&ccedil;&otilde;es come&ccedil;am no in&iacute;cio da idade adulta e se estendem por toda a vida. Os sintomas iniciais podem incluir sensa&ccedil;&atilde;o de estar sendo explorado, preocupa&ccedil;&atilde;o com a lealdade ou a fidedignidade de amigos, tend&ecirc;ncia a ler significados amea&ccedil;adores em observa&ccedil;&otilde;es ou eventos benignos, propens&atilde;o persistente a ressentimentos e facilidade de responder &agrave;s descortesias percebidas&rdquo;.Desconfian&ccedil;a;Irritabilidade;Raiva;Impulsividade;Suspeita de um terceiro no casal sem provas;Possui incapacidade de controlar o ci&uacute;mes;Justifica suas suspeitas com explica&ccedil;&otilde;es infind&aacute;veis;Interpreta as situa&ccedil;&otilde;es &agrave; seu modo;Interroga e investiga a pessoa de quem sente ci&uacute;mes constantemente;&Eacute; invasivo(a);N&atilde;o permite que o outro tenha privacidade;Checa celulares, e-mails e redes sociais com frequ&ecirc;ncia;Ignora os fatos concretos que possam inocentar o outro das suspeitas;&Eacute;ntre outros.Com frequ&ecirc;ncia, a pessoa vive em&nbsp;nega&ccedil;&atilde;o, como observamos na obra Otelo: &ldquo;Confessa francamente teu crime; pois por mais que negues cada ponto, mesmo sob juramento, jamais poder&aacute;s te afastar nem sufocar esse horr&iacute;vel pensamento que provocam em mim estes solu&ccedil;os&rdquo;. A obsessiva busca por provas que justifiquem os pensamentos e comportamentos &eacute; a marca mais expressiva da s&iacute;ndrome.&nbsp;&ldquo;Uma natureza n&atilde;o se deixaria invadir dessa forma pela sombra da paix&atilde;o (ou emo&ccedil;&atilde;o) sem um bom motivo. (&hellip;)N&atilde;o s&atilde;o meras palavras que me tanto agitam&rdquo;. Otelo &ndash; William ShakespeareO pr&oacute;prio assassinato da esposa Desd&ecirc;mona se torna uma prova para culp&aacute;-la de tudo o que ocorreu: &ldquo;Eu sofreria a dana&ccedil;&atilde;o das profundezas do inferno, se n&atilde;o tivesse chegado a esses extremos sem motivos justos&rdquo;.S&iacute;ndrome de Otelo: TratamentoMas como tratar o ci&uacute;me doentio?&nbsp; O tratamento psicol&oacute;gico para ci&uacute;mes &eacute; um dos melhores meios para identificar causas e oferecer t&eacute;cnicas para diminuir seus efeitos profundos na vida dos pacientes.&nbsp;Por&eacute;m, existem casos extremos em que a interven&ccedil;&atilde;o medicamentosa se faz necess&aacute;ria.&rdquo;Em alguns pacientes a ideia de infidelidade &eacute; t&atilde;o forte, t&atilde;o recorrente no pensamento, que altera as rela&ccedil;&otilde;es com outras pessoas. Nesses casos, uma medica&ccedil;&atilde;o pode atenuar a intensidade dessa ideia fixa&rdquo;, explica Ghedin.A psicoterapia pode ajudar o paciente a reconhecer e corrigir os pensamentos distorcidos e a identificar os comportamentos que possam ser perigosos para eles mesmos e para os outros.&nbsp;Qualquer tipo de transtorno precisa de tratamento. A vida n&atilde;o precisa imitar a fic&ccedil;&atilde;o, afinal, vamos deixar as trag&eacute;dias para o poeta Shakespeare e cuidar para que a realidade sejam mais amena."},{"@context":"https:\/\/schema.org\/","@type":"BreadcrumbList","itemListElement":[{"@type":"ListItem","position":1,"name":"Blog","item":"https:\/\/www.telavita.com.br\/blog\/#breadcrumbitem"},{"@type":"ListItem","position":2,"name":"A S\u00edndrome de Otelo: a doen\u00e7a do ci\u00fames excessivo","item":"https:\/\/www.telavita.com.br\/blog\/sindrome-de-otelo\/#breadcrumbitem"}]}]