[{"@context":"https:\/\/schema.org\/","@type":"BlogPosting","@id":"https:\/\/www.telavita.com.br\/blog\/solidao-na-terceira-idade\/#BlogPosting","mainEntityOfPage":"https:\/\/www.telavita.com.br\/blog\/solidao-na-terceira-idade\/","headline":"Solid\u00e3o na terceira idade e os males que ela causa","name":"Solid\u00e3o na terceira idade e os males que ela causa","description":"Voc&ecirc; sabia que a solid&atilde;o na terceira idade pode ser nociva? Saiba o porqu&ecirc;. O m&uacute;sico Arnaldo Antunes, membro do &ldquo;Tribalistas&rdquo;, afirma na can&ccedil;&atilde;o &ldquo;Envelhecer&rdquo; que quer chegar na terceira idade e provar o que essa fase da vida tem a oferecer. &nbsp;&ldquo;Pois ser eternamente adolescente nada &eacute; mais demod&eacute;&rdquo;. 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Saiba o porqu&ecirc;.O m&uacute;sico Arnaldo Antunes, membro do &ldquo;Tribalistas&rdquo;, afirma na can&ccedil;&atilde;o &ldquo;Envelhecer&rdquo; que quer chegar na terceira idade e provar o que essa fase da vida tem a oferecer. &nbsp;&ldquo;Pois ser eternamente adolescente nada &eacute; mais demod&eacute;&rdquo;. A m&uacute;sica tamb&eacute;m &eacute; uma cr&iacute;tica &agrave; n&atilde;o aceita&ccedil;&atilde;o do processo de envelhecimento e do descaso que temos ao lidar com a dita &ldquo;melhor idade&rdquo;. | Com uns ralos fios de cabelo sobre a testa que n&atilde;o para de crescer | N&atilde;o sei por que essa gente vira a cara pro presente e esquece de aprender | Que felizmente ou infelizmente sempre o tempo vai correr&rdquo;.As propagandas de rem&eacute;dios e os filmes hollywoodianos estampam idosos felizes usufruindo de qualidade de vida e pintam a velhice como, de fato, a fase da vida mais alegre e bonita. Mas a realidade &eacute; mesmo assim? A terceira idade no Brasil est&aacute; em uma situa&ccedil;&atilde;o preocupante. Segundo dados publicados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estat&iacute;stica), entre 2012 e 2017, a popula&ccedil;&atilde;o de idosos no Pa&iacute;s saltou 19,5%, ao mesmo tempo que cresceu para 33% o n&uacute;mero de homens e mulheres com 60 anos ou mais nos albergues p&uacute;blicos. Podemos entender que, na fase que o amor e o amparo familiar deveriam ser ainda mais intensificados, sobra apenas o abandono e descaso.Entrevistamos Paula Mello Gomes, geront&oacute;loga do Prevent Senior, para entender mais sobre esse cen&aacute;rio preocupante.Juliana Sonsin: Como voc&ecirc; enxerga a terceira idade no Brasil?Paula Mello Gomes: No Brasil, a nossa velhice est&aacute; dividida em duas grandes dualidades: a &ldquo;terceira idade&rdquo; e a &ldquo;velhice&rdquo; ou &ldquo;os velhos&rdquo;. A terceira idade &eacute; aquela velhice vendida como melhor fase da vida, fase para se aproveitar os frutos da vida, fazer o que quiser, aproveitar o tempo e direcionar as suas vontades. Assim, um conceito muito maquiado e esperado como um modelo de sucesso. J&aacute; a velhice propriamente dita, daqueles que chamamos de &ldquo;velhos&rdquo;, &eacute; da velhice fragilizada, decadente, muito associada com doen&ccedil;as, limita&ccedil;&otilde;es e incapacidades. Se formos analisar de um modo geral, os nossos idosos s&atilde;o aqueles mantenedores familiar (com a grande informalidade do mercado, a aposentadoria pode ser a &uacute;nica fonte de renda fixa), muito acometidos por doen&ccedil;as cr&ocirc;nicas, maioria de baixa escolaridade, em estado pr&eacute;-fr&aacute;gil ou fr&aacute;gil e com baixo acesso a sa&uacute;de do idoso.Juliana Sonsin: Como voc&ecirc; acha que os jovens enxergam os idosos?Paula Mello Gomes: Muitos associam com a figura mais pr&oacute;xima que tem como refer&ecirc;ncia, no caso um av&ocirc;, av&oacute; ou tio. Entretanto, a maioria enxerga como pessoas limitadas, doentes, que tem pouco ganho social, mais isolados e sem grande serventia (cruel, mas essa &eacute; a realidade do que eles pensam). Isso &eacute; muito relacionado com a imagem que a m&iacute;dia passa e vende com muitos produtos e servi&ccedil;os para &ldquo;evitar o envelhecimento&rdquo; Assim, ser velho &eacute; algo a ser evitado. Os famosos produtos anti-anging. No entanto, acho que estamos mudando essa vis&atilde;o a partir de atividades que estimulam o conv&iacute;vio intergeracional, al&eacute;m de pelo pr&oacute;prio envelhecimento populacional promover um maior conv&iacute;vio natural com idosos. Assim, acho que tendemos a ter uma imagem mais real com essa conviv&ecirc;ncia, quando convivem mais e tem maior possibilidade de intera&ccedil;&atilde;o.Juliana Sonsin: A que se deve o descaso e abandono da terceira idade?Paula Mello Gomes: &nbsp;No sentido de sociedade, o abandono e descaso com os idosos &eacute; pela pr&oacute;pria vis&atilde;o mercadol&oacute;gica que ainda temos: idosos s&atilde;o onerosos ao sistema, ent&atilde;o por que devemos dar direitos, boas condi&ccedil;&otilde;es de vida? E, pensando na nossa realidade, o Brasil peca muito em todos os quesitos como acesso &agrave; educa&ccedil;&atilde;o, sa&uacute;de, divis&atilde;o de renda, assim, os idosos s&atilde;o mais uma parcela da popula&ccedil;&atilde;o que sofrem com a falta de um sistema acolhedor e d&ecirc; condi&ccedil;&otilde;es para um vida digna. Assim, por n&atilde;o ser muito valorizado socialmente, principalmente pelo ponto econ&ocirc;mico, eles acabam sendo muito negligenciados pela sociedade.Juliana Sonsin: E no sentido de descaso e abandono familiar?Paula Mello Gomes: Aqui, &eacute; preciso pensar no contexto todo: se esse idoso foi um bom pai de fam&iacute;lia, se teve uma boa rela&ccedil;&atilde;o com os seus filhos ou familiares. Assim, pode ser que a neglig&ecirc;ncia seja pelo que tipo de rela&ccedil;&atilde;o e suporte familiar que foram constru&iacute;dos ao longo da vida. Na nossa sociedade ainda temos a fam&iacute;lia como o principal elo de suporte e amparo ao idoso, isso por n&atilde;o termos servi&ccedil;os e preparo total para recebermos essa parcela da popula&ccedil;&atilde;o, como por exemplo: bancos com letras grandes, &ocirc;nibus com piso baixo, ruas asfaltadas e sem buracos, servi&ccedil;os preparados para o tempo maior dos idosos em realizar coisas. Com isso, compreendemos que n&atilde;o vivemos em uma sociedade para todos, deixando a fam&iacute;lia com uma carga pesada e muitos vezes pode n&atilde;o estar preparada para cuidar e lidar com as altera&ccedil;&otilde;es e adapta&ccedil;&otilde;es ocasionadas pelo processo de envelhecimento. Isso contribui para uma velhice pouco assistida e abandonada.Essa realidade que a geront&oacute;loga apresentou &eacute; um dos principais motivos de a solid&atilde;o tomar conta da terceira idade. No Reino Unido, a situa&ccedil;&atilde;o est&aacute; t&atilde;o alarmante que um &lsquo;Minist&eacute;rio da Solid&atilde;o&rdquo; foi criado. J&aacute; s&atilde;o mais de 9 milh&otilde;es de pessoas que afirmam viver permanentemente ou frequentemente sozinhas, de uma popula&ccedil;&atilde;o de 65,6 milh&otilde;es, segundo a Cruz Vermelha Brit&acirc;nica.A solid&atilde;o afeta pessoas de todas as idades e em diversas fases da vidas e a solid&atilde;o na velhice &eacute; muito comum, pois com a aposentadoria e poss&iacute;vel afastamento da fam&iacute;lia, os idosos acabam se desconectando do mundo que conheciam. Acontecimentos como a morte do parceiro ou a separa&ccedil;&atilde;o podem fazer com que esses indiv&iacute;duos escolham viver na solid&atilde;o. O problema tamb&eacute;m &eacute; associado a dem&ecirc;ncia, mortalidade prematura e press&atilde;o sangu&iacute;nea alta.A primeira-ministra brit&acirc;nica, Theresa May, descreveu a epidemia da solid&atilde;o &ldquo;a triste realidade da vida moderna&rdquo;, que afeta milh&otilde;es de pessoas. Al&eacute;m das consequ&ecirc;ncias f&iacute;sicas, a solid&atilde;o causa depress&atilde;o e ansiedade em muitos casos.Tristeza e solid&atilde;o n&atilde;o s&atilde;o bons aliados. Os transtornos mentais s&atilde;o muito comuns nas pessoas que se sentem s&oacute;s e essa condi&ccedil;&atilde;o pode ser um gatilho para as crises de s&iacute;ndrome do p&acirc;nico, ansiedade e depress&atilde;o. O Reino Unido percebeu as altas taxas de doen&ccedil;as mentais nas pessoas que vivem na solid&atilde;o &nbsp;e tomou a atitude de criar um minist&eacute;rio dedicado a erradicar esse mal silencioso.Juliana Sonsin: A solid&atilde;o pode ser listada como uma das principais causas do adoecimento nos idosos?Paula Mello Gomes: Sim, tamb&eacute;m, mas para os idosos ainda a maior carga de doen&ccedil;as e incapacidades est&aacute; relacionadas com as doen&ccedil;as cardiovasculares, altamente relacionada com os h&aacute;bitos de vida. Pensando em depress&atilde;o, sim, essa tem aumentado muito a preval&ecirc;ncia entre essa faixa et&aacute;ria. Os principais aspectos se d&atilde;o devido &agrave;s mudan&ccedil;as sociais, como aposentadoria, perda de entes e amigos e at&eacute; a pr&oacute;pria adapta&ccedil;&atilde;o &agrave;s novas condi&ccedil;&otilde;es f&iacute;sicas e muito relacionada com as perdas cognitivas (mem&oacute;ria e aten&ccedil;&atilde;o), assim, dependendo da resili&ecirc;ncia, &nbsp;se n&atilde;o conseguir uma resposta r&aacute;pida e positiva h&aacute; esse acometimento. Outro fator &eacute; a nossa organiza&ccedil;&atilde;o social, em que a intera&ccedil;&atilde;o entre as pessoas s&atilde;o menores, muito mais online que presencial, assim, essa doen&ccedil;a tem impactado muito a velhice. Quadros depressivos pouco tratados ou ignorados ao longo da vida t&ecirc;m maior preval&ecirc;ncia e impacto nesses casos &ndash; gira em torno de 50% de preval&ecirc;ncia contra 12-15% em aqueles que desenvolvem o quadro depressivo na velhice, segundo os &uacute;ltimos dados do estudo SABE de 2005. No entanto, essa n&atilde;o &eacute; a principal causa de adoecimento entre idosos, mas merece aten&ccedil;&atilde;o pela conjuntura f&iacute;sica e cognitiva do idoso e principalmente por se pensar em tratamentos mais efetivos em &eacute;pocas anteriores.Juliana Sonsin: Voc&ecirc; v&ecirc; muitos idosos abandonados ou sofrendo de solid&atilde;o na sua rotina de trabalho?Paula Mello Gomes: Atualmente n&atilde;o, &nbsp;mas isso porque eu sei que trabalho com uma parcela espec&iacute;fica da popula&ccedil;&atilde;o, de classe econ&ocirc;mica B ou A (se &eacute; que ainda podemos usar essas defini&ccedil;&otilde;es) que s&atilde;o pessoas que conseguem ter acesso a sa&uacute;de. Lembrando que aqui estamos falando em sa&uacute;de &nbsp;como um todo, no seu conceito amplo e multideterminado e n&atilde;o a simplesmente a aus&ecirc;ncia de doen&ccedil;a. Isso claro, pois na empresa disseminamos e reafirmamos esse conceito geral. Na parte de acompanhamento com psiquiatra e psic&oacute;logos temos a m&eacute;dia de 15-20% de idosos depressivos, muito relacionado a quest&otilde;es pouca trabalhadas e n&atilde;o identificadas anteriormente e muito, muito mesmo relacionado &agrave;s adapta&ccedil;&otilde;es do envelhecer, mas dificuldades, no amparo social e at&eacute; na pr&oacute;pria aceita&ccedil;&atilde;o individual.O que reafirma a influ&ecirc;ncia da m&iacute;dia e do social. Tamb&eacute;m temos poucos casos de idosos com quest&otilde;es de neglig&ecirc;ncia familiar e maus tratos, mas essa sempre &eacute; uma quest&atilde;o delicada pois n&atilde;o temos um suporte de assistente social direto, o que implica n&atilde;o ter muito para onde direcion&aacute;-lo.Juliana Sonsin: Como solucionar esse problema?Paula Mello Gomes: Pergunta dif&iacute;cil, mas vamos l&aacute;! Pensando no aspecto individual, o importante para evitar a depress&atilde;o &eacute; valorizarmos o cuidado com a nossa sa&uacute;de ao longo da vida, se preocupar com estresse, press&atilde;o e dar suporte nos casos em que a resili&ecirc;ncia n&atilde;o der conta, como acompanhamento psicol&oacute;gico, &nbsp;t&eacute;cnicas de medita&ccedil;&atilde;o e mindfulness, por exemplo. Tamb&eacute;m estimular espa&ccedil;os de conv&iacute;vio e trocas sociais como centros de conviv&ecirc;ncia, atividades regionais, para que promova a intera&ccedil;&atilde;o e estimule o suporte social. Se pensarmos na sociedade como um todo, acho que a mudan&ccedil;a vem sendo moldada ao reconhecermos os idosos como recursos econ&ocirc;micos e de conhecimento, por muitos movimentaram a economia global a partir do consumo e tamb&eacute;m como mantenedores familiares, e na parte de conhecimento, valorizarmos a sua experi&ecirc;ncia e tamb&eacute;m a sua capacidade de aprender ao longo de toda vida.Isso est&aacute; em constru&ccedil;&atilde;o ao pensarmos que a sociedade vai ter pessoas mais velhas trabalhando para se aposentarem, assim, esse conv&iacute;vio e entendimento acaba virando algo natural.Tamb&eacute;m podemos destacar o incremento de pol&iacute;ticas sociais que promovam intera&ccedil;&otilde;es intergeracionais e tamb&eacute;m a valoriza&ccedil;&atilde;o da velhice como um todo, al&eacute;m de locais que recebam, saibam identificar essas quest&otilde;es, que n&atilde;o identifiquem como quest&otilde;es naturais do envelhecimento e, sim, como uma doen&ccedil;a que precisa de acompanhamento e tratamento. Acho que um dos principais pontos acaba sendo o subdiagn&oacute;stico desses acometimentos, por associar com aspectos naturais do envelhecimento, assim, &eacute; importante reconhecer essas quest&otilde;es como doen&ccedil;a e falar sobre elas, desmistificar, trazer conhecimento para a sociedade e para as nossas equipes de sa&uacute;de."},{"@context":"https:\/\/schema.org\/","@type":"BreadcrumbList","itemListElement":[{"@type":"ListItem","position":1,"name":"Blog","item":"https:\/\/www.telavita.com.br\/blog\/#breadcrumbitem"},{"@type":"ListItem","position":2,"name":"Solid\u00e3o na terceira idade e os males que ela causa","item":"https:\/\/www.telavita.com.br\/blog\/solidao-na-terceira-idade\/#breadcrumbitem"}]}]