[{"@context":"https:\/\/schema.org\/","@type":"BlogPosting","@id":"https:\/\/www.telavita.com.br\/blog\/transfobia\/#BlogPosting","mainEntityOfPage":"https:\/\/www.telavita.com.br\/blog\/transfobia\/","headline":"Transfobia: uma constru\u00e7\u00e3o social e hist\u00f3rica","name":"Transfobia: uma constru\u00e7\u00e3o social e hist\u00f3rica","description":"Infelizmente, ainda h&aacute; muito o que se compreender sobre sexualidade. Sabemos que isso &eacute; algo constru&iacute;do socialmente e tem o prop&oacute;sito de atender a uma certa conveni&ecirc;ncia social. Por isso, devemos tentar compreend&ecirc;-la sob uma perspectiva hist&oacute;rica. O modelo de sexualidade considerado saud&aacute;vel foi estabelecido na Idade Moderna com a estrutura&ccedil;&atilde;o da fam&iacute;lia nuclear burguesa. [&hellip;]","datePublished":"2020-09-10","dateModified":"2020-09-10","author":{"@type":"Person","@id":"https:\/\/www.telavita.com.br\/blog\/author\/pedro-sammarco\/#Person","name":"Psic\u00f3logo Pedro Sammarco - CRP 06\/66066","url":"https:\/\/www.telavita.com.br\/blog\/author\/pedro-sammarco\/","identifier":23,"image":{"@type":"ImageObject","@id":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/ca6041da8ef8610c493f19e03c9ebfa4?s=96&d=mm&r=g","url":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/ca6041da8ef8610c493f19e03c9ebfa4?s=96&d=mm&r=g","height":96,"width":96}},"publisher":{"@type":"Organization","name":"TELAVITA","logo":{"@type":"ImageObject","@id":"https:\/\/www.telavita.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/telavita.jpg","url":"https:\/\/www.telavita.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/telavita.jpg","width":200,"height":200}},"image":{"@type":"ImageObject","@id":"https:\/\/www.telavita.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/transfobia.jpg","url":"https:\/\/www.telavita.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/transfobia.jpg","height":853,"width":1280},"url":"https:\/\/www.telavita.com.br\/blog\/transfobia\/","about":["Sexologia"],"wordCount":1678,"articleBody":"Infelizmente, ainda h&aacute; muito o que se compreender sobre sexualidade. Sabemos que isso &eacute; algo constru&iacute;do socialmente e tem o prop&oacute;sito de atender a uma certa conveni&ecirc;ncia social. Por isso, devemos tentar compreend&ecirc;-la sob uma perspectiva hist&oacute;rica.O modelo de sexualidade considerado saud&aacute;vel foi estabelecido na Idade Moderna com a estrutura&ccedil;&atilde;o da fam&iacute;lia nuclear burguesa. Antes disso, as religi&otilde;es j&aacute; padronizavam o que era considerado pecado no campo sexual. Dessa forma, todo o sexo que n&atilde;o visasse a procria&ccedil;&atilde;o e forma&ccedil;&atilde;o da fam&iacute;lia heteronormativa, cisg&ecirc;nera e monog&acirc;mica era considerado pecado, crime e doen&ccedil;a.Sendo assim, os &uacute;nicos g&ecirc;neros que o sistema admite sem preconceitos &eacute; o g&ecirc;nero masculino no corpo do macho (homem) e o g&ecirc;nero feminino no corpo da f&ecirc;mea (mulher). Al&eacute;m do mais, como g&ecirc;nero &eacute; uma constru&ccedil;&atilde;o social e hist&oacute;rica, ele varia conforme a &eacute;poca e o local em quest&atilde;o.LEIA MAIS: Diferen&ccedil;a entre sexo biol&oacute;gico, orienta&ccedil;&atilde;o sexual, identidade de g&ecirc;nero e sexualidadeEnt&atilde;o, por exemplo, o que &eacute; considerado homem, macho, masculino em uma sociedade da Nova Guin&eacute;, em 1850, &eacute; diferente daquilo entendido nos EUA em pleno ano de 1950. &Eacute; evidente que existe uma press&atilde;o econ&ocirc;mica e social para que haja uma padroniza&ccedil;&atilde;o nazista &ndash; fascista &ndash; totalit&aacute;ria. Afinal, quanto maiores forem a aliena&ccedil;&atilde;o e massifica&ccedil;&atilde;o, maiores ser&atilde;o o controle e poder.Entretanto, h&aacute; pessoas que nascem e n&atilde;o se identificam com o g&ecirc;nero que a sociedade as imp&otilde;e, independentemente do &oacute;rg&atilde;o sexual que possuem. As normas de g&ecirc;nero violentam. Nesse sentido, elas existem para organizar o funcionamento social, que est&aacute; voltado a determinada conven&ccedil;&atilde;o e submisso a certo sistema social, religioso, financeiro e pol&iacute;tico. A transfobia aparece.Transfobia durante a jornada de vidaAquelas pessoas que n&atilde;o se adequam a tais normas de g&ecirc;nero, s&atilde;o chamadas de transexuais, travestis, transg&ecirc;neras, n&atilde;o bin&aacute;rias, g&ecirc;nero flu&iacute;do, ag&ecirc;neras, big&ecirc;neras, interg&ecirc;neras, polig&ecirc;neras, andr&oacute;ginas, etc.No entanto, esses indiv&iacute;duos, por diversas vezes, acabam sofrendo preconceito e discrimina&ccedil;&atilde;o em raz&atilde;o da sua identidade de g&ecirc;nero. Sendo assim, o termo &ldquo;transfobia&rdquo; foi cunhado para tratar dos casos de medo, desprezo, avers&atilde;o e agress&atilde;o contra essas pessoas.Dessa forma, para compreendermos melhor como o preconceito est&aacute; enraizado na sociedade e a forma como influencia a vida trans, iremos&nbsp;tra&ccedil;ar uma jornada da vida desses indiv&iacute;duos.Um come&ccedil;o complicadoPois bem, come&ccedil;amos tudo com uma crian&ccedil;a que n&atilde;o se identifica com o g&ecirc;nero imposto e conveniente com seu sexo biol&oacute;gico, por&eacute;m, logo cedo ela j&aacute; come&ccedil;a a sofrer hostiliza&ccedil;&atilde;o. A maior parte n&atilde;o vive nos grandes centros e mora no interior do nosso imenso pa&iacute;s, onde o contato com a diversidade &eacute; bem menor. Sendo assim, muitas vezes, os parentes incorrem na discrimina&ccedil;&atilde;o, principalmente, naquelas fam&iacute;lias que s&atilde;o muito religiosas e tradicionais.Na escola, essas crian&ccedil;as sofrem bullying. Dessa forma, n&atilde;o conseguem estudar e deixam de frequentar as aulas por medo de serem agredidas pelos colegas. Por&eacute;m, em diversas ocasi&otilde;es, a pr&oacute;pria equipe pedag&oacute;gica tamb&eacute;m cai em transfobia.Nesse sentido, outra quest&atilde;o de debate interno ocorre quando come&ccedil;am a crescer. Isso ocorre, pois, precisam lutar contra as caracter&iacute;sticas f&iacute;sicas sexuais que v&atilde;o surgindo por conta dos horm&ocirc;nios. Fora isso, est&atilde;o em constante batalha para n&atilde;o aceitar o g&ecirc;nero que lhes &eacute; imposto por toda sociedade.LEIA MAIS: Homofobia internalizada: o preconceito do homossexual contra si mesmoA essa altura, a briga dentro da fam&iacute;lia, muitas vezes, j&aacute; est&aacute; instaurada. H&aacute; diversas hist&oacute;rias de viol&ecirc;ncias familiares contra pessoas trans e n&atilde;o bin&aacute;rias. Na adolesc&ecirc;ncia, alguns s&atilde;o expulsos de casa ou simplesmente saem, pois n&atilde;o aguentam a press&atilde;o e a viol&ecirc;ncia.Al&eacute;m disso, h&aacute; tamb&eacute;m vasto hist&oacute;rico de abuso infantil dos pr&oacute;prios familiares. Isso precisa ser dito, pois a sociedade acredita que o g&ecirc;nero e a orienta&ccedil;&atilde;o afetivo sexual s&atilde;o necessariamente &ldquo;alterados&rdquo; por causa de abuso sexual sofrido na inf&acirc;ncia. Puro mito. Tal assunto &eacute; muito complexo para ser explicado de forma t&atilde;o simplista e reducionista.A luta pela sobreviv&ecirc;nciaSem estudo e qualifica&ccedil;&atilde;o, grande parte das pessoas trans migram para cidades maiores e buscam se &ldquo;hormonizar&rdquo; de forma clandestina. Entretanto, n&atilde;o encontram equipamentos de sa&uacute;de devidamente qualificados e em quantidade suficiente para que possam oferecer tal servi&ccedil;o de forma segura e digna. A transfobia impera inclusive nos poucos locais que existem.Sendo assim, como as pessoas trans n&atilde;o possuem qualifica&ccedil;&atilde;o nenhuma para o mercado formal de trabalho, a prostitui&ccedil;&atilde;o acaba sendo um caminho escolhido, por&eacute;m, ela nem ao menos &eacute; reconhecida como profiss&atilde;o &ndash; ela n&atilde;o &eacute; protegida por direitos e muito menos deveres regulamentados por leis.Logo, tal atividade laboral acaba sendo marginalizada pela sociedade. Entretanto, o problema n&atilde;o &eacute; a prostitui&ccedil;&atilde;o em si. O grande problema &eacute; ela ser discriminada e ser a &uacute;nica op&ccedil;&atilde;o dispon&iacute;vel: a pessoa &eacute; obrigada a vender o pr&oacute;prio corpo para conseguir sobreviver.Viol&ecirc;ncias e invisibilidadeAs drogas e o crime est&atilde;o presentes em muitos segmentos sociais, por&eacute;m, no mundo da prostitui&ccedil;&atilde;o eles s&atilde;o bem frequentes. Ent&atilde;o, s&atilde;o diversos os componentes desse contexto: a vida noturna, falta de dinheiro, marginalidade, submundo, viol&ecirc;ncia, ter que recorrer ao tr&aacute;fico de drogas, furtos, outros crimes, sexo desprotegido, etc. Tudo isso acaba fazendo parte da sobreviv&ecirc;ncia de v&aacute;rias pessoas trans em nossa sociedade hostil e excludente.Em tal &ldquo;mundo discriminado&rdquo;, pessoas trans sofrem mais viol&ecirc;ncia ainda ap&oacute;s usufru&iacute;rem de seus servi&ccedil;os sexuais, afinal, muitos clientes transf&oacute;bicos as agridem. O Brasil &eacute; ao mesmo tempo o pa&iacute;s que mais consome pornografia relacionada &agrave;s pessoas trans e travestis e o pa&iacute;s que mais mata essa popula&ccedil;&atilde;o.LEIA MAIS: Bissexualidade: difus&atilde;o e preconceitosOs homens transexuais passam pelo mesmo problema. Eles s&atilde;o mais invis&iacute;veis que as mulheres trans, pois tamb&eacute;m s&atilde;o atravessados por quest&otilde;es como o machismo, misoginia e transfobia. Isso sem falar nas pessoas n&atilde;o bin&aacute;rias e de g&ecirc;nero flu&iacute;do. Essas pouco aparecem para contar suas hist&oacute;rias, tamanho o preconceito social.Para aguentar tamanha invisibilidade e viol&ecirc;ncias sociais, muitas pessoas trans e n&atilde;o bin&aacute;rias recorrem ao uso abusivo de drogas. Outros acabam desenvolvendo doen&ccedil;as psiqui&aacute;tricas s&eacute;rias que podem lev&aacute;-las a automutila&ccedil;&atilde;o e ao suic&iacute;dio. Outras tantas vivem em condi&ccedil;&otilde;es horr&iacute;veis, se &ldquo;hormonizam&rdquo; clandestinamente e s&atilde;o &ldquo;escravizadas&rdquo; por outras pessoas trans (cafetinagem) em troca de certa &ldquo;prote&ccedil;&atilde;o&rdquo; e moradia.Mudan&ccedil;as ainda n&atilde;o suficientes&Eacute; verdade que a situa&ccedil;&atilde;o das pessoas trans, travestis e n&atilde;o bin&aacute;rias vem mudando um pouquinho no nosso pa&iacute;s. O nome social j&aacute; pode ser usado em v&aacute;rios locais sociais, por exemplo. Mas isso ainda &eacute; s&oacute; o come&ccedil;o. A transfobia ainda &eacute; recorrente.&Eacute; preciso investir em educa&ccedil;&atilde;o dessa popula&ccedil;&atilde;o e da sociedade em geral. Algumas leis j&aacute; protegem a popula&ccedil;&atilde;o LGBTQIA+ em determinados aspectos. Entretanto, de maneira ampla, ainda n&atilde;o h&aacute; qualifica&ccedil;&atilde;o educacional e profissional descente em rela&ccedil;&atilde;o popula&ccedil;&atilde;o trans, muito menos acesso ao mercado formal de trabalho, assist&ecirc;ncia digna de sa&uacute;de, respeito em &oacute;rg&atilde;os p&uacute;blicos e outros segmentos da sociedade.&Eacute; preciso fazer urgentemente um trabalho gigantesco de educa&ccedil;&atilde;o de base nesse pa&iacute;s que envolve: psicologia, sociologia, hist&oacute;ria, filosofia, sexualidade, intelig&ecirc;ncia emocional e respeito aos direitos humanos.A prostitui&ccedil;&atilde;o precisa ser regulamentada como profiss&atilde;o. Ela precisa ser uma op&ccedil;&atilde;o e n&atilde;o a &uacute;nica alternativa de trabalho para esse segmento social. Deve ter direitos e deveres assegurados, garantia de aposentadoria e preparo digno para a velhice. Infelizmente no Brasil, a expectativa de vida de uma pessoa trans &eacute; de apenas trinta e poucos anos.LEIA MAIS: Travestis envelhecem?"},{"@context":"https:\/\/schema.org\/","@type":"BreadcrumbList","itemListElement":[{"@type":"ListItem","position":1,"name":"Blog","item":"https:\/\/www.telavita.com.br\/blog\/#breadcrumbitem"},{"@type":"ListItem","position":2,"name":"Transfobia: uma constru\u00e7\u00e3o social e hist\u00f3rica","item":"https:\/\/www.telavita.com.br\/blog\/transfobia\/#breadcrumbitem"}]}]