{"id":7036,"date":"2020-12-18T09:00:55","date_gmt":"2020-12-18T11:00:55","guid":{"rendered":"https:\/\/www.telavita.com.br\/blog\/?p=7036"},"modified":"2020-12-18T16:16:14","modified_gmt":"2020-12-18T18:16:14","slug":"lgbtqiap-empresas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.telavita.com.br\/blog\/lgbtqiap-empresas\/","title":{"rendered":"Assumir-se LGBTQIAP+ nas empresas"},"content":{"rendered":"<p>Assumir uma orienta\u00e7\u00e3o afetiva-sexual que n\u00e3o esteja dentro do padr\u00e3o vigente na sociedade ainda pode ser uma quest\u00e3o bem delicada, principalmente, quando falamos sobre ela no ambiente de trabalho.<\/p>\n<p>Sendo assim, devemos considerar que existem muitos ramos de atividades laborais e cada uma delas ir\u00e1 lidar com a situa\u00e7\u00e3o de uma forma diferente. Mesmo assim, tornar essa informa\u00e7\u00e3o p\u00fablica n\u00e3o \u00e9 uma tarefa f\u00e1cil.<\/p>\n<p>Vivemos numa sociedade religiosa, voltada para o dom\u00ednio racional sobre as paix\u00f5es e a constitui\u00e7\u00e3o de fam\u00edlias \u00e9 baseada nos dogmas crist\u00e3os, monog\u00e2micos, cisg\u00eaneros e heteronormativas.<\/p>\n<p>As quest\u00f5es LGBTQIAP+ (l\u00e9sbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais, queers, intersexuais, assexuais, pansexuais) ainda sofrem muita hostilidade, pois s\u00e3o consideradas como algo fora da norma social estabelecida.<\/p>\n<h2>Contexto hist\u00f3rico<\/h2>\n<p>Desse modo, \u00e9 fundamental entendermos como chegamos aonde estamos. Nesse sentido, podemos remeter o embri\u00e3o dessa situa\u00e7\u00e3o para a Gr\u00e9cia antiga. Por volta do s\u00e9culo III antes de Cristo, a corrente filos\u00f3fica denominada de Estoicismo j\u00e1 pregava o dom\u00ednio da raz\u00e3o sobre as paix\u00f5es do corpo.<\/p>\n<p>Um s\u00e9culo antes, o Epicurismo j\u00e1 trazia que o prazer era prescrito para ser vivido de forma equilibrada por meio da temperan\u00e7a, ou seja, qualquer forma de excesso ou falta era vista como dor. A busca pelo equil\u00edbrio entre dor e prazer resultava naquilo que era considerado como sendo a felicidade. Dessa forma, era necess\u00e1rio o autoconhecimento para que cada um pudesse ter mais dom\u00ednio sobre si mesmo.<\/p>\n<p><strong>LEIA MAIS: <a href=\"https:\/\/www.telavita.com.br\/blog\/homofobia-internalizada\/\">Homofobia internalizada: o preconceito do homossexual contra si mesmo<\/a><\/strong><\/p>\n<p>Com a instala\u00e7\u00e3o do cristianismo, muito da filosofia grega e romana foram sendo incorporadas. Juntamente com os conceitos religiosos, a raz\u00e3o foi a grande aliada no dom\u00ednio dos desejos do corpo. O sexo foi associado exclusivamente \u00e0 procria\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o, caso n\u00e3o fosse poss\u00edvel uma vida casta e totalmente dedicada a Deus, era prefer\u00edvel que houvesse o casamento.<\/p>\n<p>Nesse sentido, Santo Agostinho, que viveu por volta do s\u00e9culo III, incentivava o casamento voltado a forma\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia aben\u00e7oada pela igreja. Al\u00e9m disso tudo, a sociedade j\u00e1 era bem patriarcal, machista e competitiva.<\/p>\n<p>Durante esse per\u00edodo, caracter\u00edsticas consideradas masculinas foram sendo constru\u00eddas e associadas \u00e0 for\u00e7a, luta, domina\u00e7\u00e3o e poder. J\u00e1 as caracter\u00edsticas consideradas femininas t\u00eam sido formadas e associadas \u00e0 fraqueza, submiss\u00e3o e debilidade.<\/p>\n<h2>Estigmatiza\u00e7\u00e3o da atra\u00e7\u00e3o afetiva-sexual<\/h2>\n<p>Ao longo de s\u00e9culos as mulheres e seus corpos foram sendo desqualificados e completamente usados \u00e0 servi\u00e7o da domina\u00e7\u00e3o masculina. Com base exclusiva na vis\u00e3o religiosa do sexo voltado somente \u00e0 procria\u00e7\u00e3o, os modelos de g\u00eanero estabeleceram que elementos tidos como femininos se atraem por elementos masculinos e vice-versa.<\/p>\n<p>Portanto, se um homem sentir atra\u00e7\u00e3o afetiva-sexual por outro corpo de homem, por exemplo, logo se presume que um deles tenha elementos femininos (desqualifica\u00e7\u00e3o, fraqueza e submiss\u00e3o). Por outro lado, se uma mulher sentir atra\u00e7\u00e3o por outra mulher, sup\u00f5e-se que uma delas tem elementos masculinos (valoriza\u00e7\u00e3o, for\u00e7a, competitividade, domina\u00e7\u00e3o, etc).<\/p>\n<p>Nosso mundo est\u00e1 cada vez mais competitivo e globalizado. Nas empresas e organiza\u00e7\u00f5es, al\u00e9m de todo o preconceito hist\u00f3rico e social, homens gays podem ser vistos como portadores de caracter\u00edsticas femininas (fraqueza).<\/p>\n<p>Por outro lado, as mulheres l\u00e9sbicas podem ser consideradas detentoras de caracter\u00edsticas masculinas (for\u00e7a). Dessa forma, l\u00e9sbicas representam amea\u00e7a aos homens cisg\u00eaneros heterossexuais. Tais quest\u00f5es s\u00e3o transpassadas por lutas feministas por igualdade de g\u00eanero e combate \u00e0s opress\u00f5es advindas da nossa sociedade patriarcal e machista.<\/p>\n<h2>Ambiente profissional para os LGBTQIAP+<\/h2>\n<p>Infelizmente, por absoluta falta de educa\u00e7\u00e3o s\u00f3cio-hist\u00f3rica e psicossexual, muitas pessoas ainda associam identidade de g\u00eanero \u00e0 orienta\u00e7\u00e3o afetiva-sexual. H\u00e1 muitos anos s\u00e3o formados estere\u00f3tipos e preconceitos de como um homem e uma mulher devem ser. Desse modo, pessoas LGBTQIAP+ s\u00e3o vistas como inadequadas.<\/p>\n<p>\u00c9 verdade que o ambiente profissional vai definir o quanto aqueles que s\u00e3o considerados LGBTQIAP+ podem ou n\u00e3o \u201csair do arm\u00e1rio\u201d. H\u00e1 ambientes mais abertos que outros, por\u00e9m, muito depende tamb\u00e9m da posi\u00e7\u00e3o e cargo que o funcion\u00e1rio ocupa.<\/p>\n<p><strong>LEIA MAIS: <a href=\"https:\/\/www.telavita.com.br\/blog\/novas-formas-relacionamento\/\">As novas formas de relacionamento<\/a><\/strong><\/p>\n<p>As associa\u00e7\u00f5es feitas entre homens gays serem iguais a femininos e mulheres l\u00e9sbicas a masculinas ainda s\u00e3o muito fortes. Dessa forma, um gal\u00e3 de novela, o CEO de uma empresa, um mec\u00e2nico, um jogador de futebol ou um pol\u00edtico, por exemplo, n\u00e3o podem assumir sua homossexualidade, pois logo sua imagem de profissional ser\u00e1 associada ao feminino &#8211; geralmente associado \u00e0 fraqueza e submiss\u00e3o. Ou seja, tais caracter\u00edsticas \u201cn\u00e3o combinam\u201d com os cargos que ocupam.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, mulheres l\u00e9sbicas tamb\u00e9m podem sofrer preconceito, pois \u00e9 esperado que tenham caracter\u00edsticas do g\u00eanero masculino (competitivas, n\u00e3o submissas, fortes, etc) pelo fato de serem homossexuais. Enfim, trata-se de uma amea\u00e7a ao modelo estabelecido h\u00e1 muito tempo em organiza\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Felizmente esse cen\u00e1rio vem mudando. J\u00e1 \u00e9 poss\u00edvel observar movimentos de empoderamento em muitas organiza\u00e7\u00f5es, al\u00e9m da ado\u00e7\u00e3o de programas que amparam as diversidades, n\u00e3o somente sexuais, mas tamb\u00e9m de etnia, n\u00edvel socioecon\u00f4mico e pluralidades culturais.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Assumir uma orienta\u00e7\u00e3o afetiva-sexual que n\u00e3o esteja dentro do padr\u00e3o vigente na sociedade ainda pode ser uma quest\u00e3o bem delicada, principalmente, quando falamos sobre ela no ambiente de trabalho. Sendo assim, devemos considerar que existem muitos ramos de atividades laborais e cada uma delas ir\u00e1 lidar com a situa\u00e7\u00e3o de uma forma diferente. 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Logo em seguida fiz cursos na \u00e1rea cl\u00ednica em Gestalt-Terapia e Psicoterapia Existencial. Dediquei-me tamb\u00e9m aos estudos de mestrado e doutorado voltados a Psicologia Social, Sexualidade e Envelhecimento. Al\u00e9m disso, sou plantonista volunt\u00e1rio do Centro de Valoriza\u00e7\u00e3o da Vida (CVV) desde 1998, prestando apoio emocional, ps\u00edquico e preven\u00e7\u00e3o do suic\u00eddio. \u00c9 importante mencionar que atuei cinco anos como Psic\u00f3logo Cl\u00ednico no Instituto de Psiquiatria do Hospital das Cl\u00ednicas da USP. Quando solicitado, palestro em escolas, ONGs, etc. Em 2013 lancei o livro \"Travestis Envelhecem?\" e em 2017 o meu segundo, intitulado \"Homofobia Internalizada: o preconceito do homossexual contra si mesmo\" ambos pela editora Annablume. Atuo como Psic\u00f3logo volunt\u00e1rio em uma ONG que presta amparo ao LGBTQIAP + idoso dentre outras. Tamb\u00e9m leciono no Centro Universit\u00e1rio S\u00e3o Roque. 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