Última atualização em 28 de junho de 2024

Liz não estava feliz com o rumo que a sua vida estava tomando: o casamento claramente falido e os obstáculos emocionais estavam ganhando espaços cada vez maiores. A personagem do livro “Comer, Rezar e Amar”, de Elizabeth Gilbert, vivida por Julia Roberts nos cinemas, sabia o que era preciso fazer: “A única coisa mais inconcebível do que ir embora, era ficar”. Ela, então, reuniu toda a sua coragem, pediu o divórcio e se aventurou mundo afora com suas viagens, e mundo adentro com as questões emocionais e psicológicas que uma grande mudança de vida traz.

Tomar a decisão de mudar, como Liz fez, não é fácil. O medo do novo toma conta e nos sentimos tentados a permanecer onde é mais seguro e conhecido. A chamada “zona de conforto” é a principal inimiga das mudanças, pois é nela que o indivíduo realiza hábitos e comportamentos que está acostumado a fazer, e isso faz com que nunca confronte novas emoções e pensamentos, deixando-o preso às raízes da mesmice. Trancar as portas da zona de conforto é não se aventurar e estar longe de qualquer possibilidade de novos desafios.

Mas por que temos medo?

No início da vida humana na Terra, o homem era mais cauteloso quando lidava com animais que poderiam oferecer maior risco à vida. Esse comportamento prevalece até hoje e é fundamental para a sobrevivência da espécie pois o medo de morrer é que nos mantém vivos.

O medo é uma emoção desagradável, porém necessária. Ele nos alerta para a presença de perigo. A definição de medo tem origem no latim “metus” e significa inquietação e receio, sendo eles respostas bioquímicas ou emocionais perante a algo.

A resposta bioquímica do nosso corpo frente ao perigo envolve sudorese, aumento da frequência cardíaca e níveis elevados de adrenalina. É um sinal que o organismo dá para que consigamos fugir ou lutar contra esse perigo. A resposta emocional ao medo depende de indivíduo para indivíduo. Alguns, se sentem bem com a adrenalina produzida diante de situações perigosas. Outros, entretanto, evitam esses episódios a qualquer custo.

Saiba tudo sobre a diferença entre medo e fobia aqui!

Portanto, o medo do desconhecido é perfeitamente normal, o que não é normal é desenvolver um medo tão forte que paralisa. Esse medo paralisante, ou também conhecido como fobia, pode aparecer sob muitas facetas, desde agorafobia até a sociofobia.

O que é sociofobia? Entenda esse tipo de medo paralisante!

O medo de falhar

Um dos motivos de ser resistente às mudanças é o medo do fracasso. As mudanças assustam, pois dentro da zona de conforto sabemos o que dá certo e o que não dá. Por isso, o medo das coisas não saírem conforme o planejado segue como o segundo maior vilão na hora de mudar de vida. Quando pensamos em “cometer erros” ou “falhar”, consideramos apenas a consequência final, mas nunca pensamos em aprender com essas experiências, afinal, toda a experiência é válida e importante na construção dos nossos valores e personalidade.

É só depois de tentar que o conhecemos verdadeiramente qual o melhor caminho para nós. Afinal, a experiência do outro diz respeito apenas a ele. O que teria sido de Thomas Edison — e da humanidade — se o famoso inventor tivesse desistido na primeira tentativa de criar a lâmpada? Talvez o mundo permanecesse na escuridão por muito mais tempo ou outra pessoa teria tido a brilhante ideia, mas foi Edison quem deu o primeiro passo, mesmo após fracassados experimentos.

“Quero mudar de vida”

A psicóloga Dr. Ann Latham, em seu artigo para a conceituada Revista Forbes, listou alguns benefícios e conselhos para sair da zona de conforto.

1. Não será tão ruim quanto imagina;

2. O ego pode ser curado;

3. Ninguém está prestando tanta atenção em você;

4. Os outros também estão com medo;

5. Pessoas com tanto talento e medo quanto você e tanto estão realizando, com sucesso, o que vocês tem evitado;

6. Não há melhor maneira para crescer;

7. Você pode descobrir algo que ama;

8. Novos desafios e experiências recompensam o seu cérebro e o torna mais adaptável, forte e saudável;

9. Você vai recarregar os níveis da sua autoconfiança;

10. Você vai sentir orgulho de que tentou;

11. Cada objetivo atingido torna mais fácil estabelecer e realizar os próximos;

12. Você será mais apto para promoções e poderá ganhar mais dinheiro;

13. Você aprenderá que falhar é raro pois os resultados mais

14. Ao passo que a sua zona de conforto expande, novas oportunidades, antes escondidas pelas barreiras que você mesmo criou, aparecerão;

15. Você vai se tornar mais resiliente e preparado para qualquer coisa que aparecer no seu caminho;

16. Abrir portas que você nem ao menos sabia que estavam lá pode mudar a sua vida.

A personagem Liz ousou sair de sua zona de conforto. Em sua viagem para a Itália, Índia e Indonésia, ela não só teve novas experiências, como redescobriu a si mesma e expandiu os seus horizontes. A Dr. Latham afirma: “Novas experiências podem mudar tudo o que você um dia acreditou, o que você gosta de fazer, como se comporta e como vive. As possibilidades são infinitas”.

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