As mulheres no mercado de trabalho: limitações ou preconceito?

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mulheres no trabalho

Limitações. Essa é a palavra-chave que surge como justificativa para certos impasses para as mulheres no mercado de trabalho. Até que ponto essa qualificação é real? Mesmo em minoria, vê-se grandes mulheres ocupando cargos de importância no cenário global e isso não se restringe a um segmento específico, são empresas e ocupações diversas.

É notório que geralmente as mulheres têm uma preocupação mais acentuada em tudo que fazem, e isso não é diferente na profissão e não é somente a desigualdade de gênero que acaba por exigir mais delas, a raça também influencia nessa questão. Segundo estudo o IBGE, as mulheres trabalham 7,5h a mais que o homens por semana – e antes de qualquer apontamento, isso é sem contar o trabalho doméstico -, será isso dedicação, amor pelo que faz ou medo de perder o emprego?

O mundo dos negócios

Segundo a ONU, no mundo o salário das mulheres são em média 24% inferiores aos dos homens que ocupam a mesma posição. Mas hora, isso é porque elas preferem ficar em casa do que no trabalho? Não é bem assim.

Um cenário muito fácil de compreender o que ocorre, é o atual momento que o país tem passado: a crise financeira. Esse problema recaiu em dobro sobre o universo feminino, porque além da falta de emprego, elas foram deixadas para a última escolha nos processos seletivos.

Apenas no Estado de MG, no primeiro trimestre de 2017 de 1,5 milhão de desempregados, 777 mil eram mulheres (fonte IBGE). Isso ocorre principalmente por causa das crenças culturais que não se modificaram no país. Ainda há o preconceito quanto a gravidez, a jornada dupla de trabalho, a ausência por se preocupar mais com a família do que com o emprego e as demais “mazelas” femininas.

O que deve ser realmente levado em consideração

O poder feminino tem se mostrado acentuado na evolução do mundo, desde os tempos da indústria as mulheres vêm ganhando espaço no mercado de trabalho. Nem todas mulheres sonham em ser mães (assim como nem todos homens sonham ser pais). Há também uma nova mentalidade feminina, a de que procura por estabilidade financeira antes de constituir uma família.

Essas mulheres que lutam na área profissional, são extremamente competentes como qualquer homem e elas estão ali não somente para alimentarem uma família, mas para buscarem independência. Pois os tempos também evoluíram, os homens não possuem o mesmo comprometimento com as esposas como em épocas passadas e esse tipo de situação fez com que essas mulheres “arregaçassem as mangas” e fossem em busca do que acreditam e sonham construir, sem ter ninguém para sustentá-las.

Uma pesquisa realizada pelo Brookings Institution, mostrou que as mulheres formadas em tecnologia são melhores que os homens no desempenho de seus papéis. Enquanto elas marcaram 48 pontos em um teste lógico para ocupar vagas no mercado de trabalho, eles fizeram 45 pontos. Mas, mais uma vez as moças ocupam menos de 30% dos cargos da área e quase nenhuma na posição de liderança de equipe.

Já passou da hora de exigir

Em contrapartida temos ainda de problema cultural a “educação” exagerada das meninas. Em uma pesquisa feita pela professora da Universidade Carnegie Mellon, nos EUA, Linda Babcock, ela constatou que as mulheres não dão a “cara a tapa”. Entre seus alunos formados, ela percebeu que os homens ganhavam 7,6% a mais que as mulheres, pelo simples fatos de que eles negociavam o seu salário antes de entrarem no emprego ou pediam aumento quando achavam justo.

Já as mulheres por terem uma forma de se portarem mais colaborativas, passam a imagem de fracas, o que abrem as portas para que as empresas as paguem menos e não as subam de cargo – pois se não há imposição, não há como liderar algo -, mas a professora sabe que a maioria delas possuem capacidade equiparada ao dos meninos ou até mesmo superior.

Portanto, o preconceito não é só do mercado e do sexo masculino, é também algo que está no mais fundo da mentalidade e do comportamento das mulheres.

O que pode ser feito pela mulher para se destacar

Em primeiro lugar seja honesta consigo mesma, você sabe o quanto vale e o quanto investiu em sua carreira. Tenha a coragem de pedir o justo, em um emprego a empresa não está te fazendo favor de nada, vocês possuem uma relação mútua, enquanto você presta um serviço de qualidade, eles te pagam pelo que você traz a eles, lembre-se disso. Além desse ponto tem os seguintes conselhos:

Elas são para se inspirar

  • Marie Curie: cientista e primeira mulher a lecionar na Universidade de Sorbonne, em Paris. Ela ganhou o prêmio Nobel de física e química;
  • Viola Davis: primeira mulher negra a ganhar um Emmy e a ser indicada a 3 Oscars;
  • Rainha Elizabeth: com 90 anos ela mostra que o preconceito que sofreu ao subir ao trono não passa de inveja. Ainda hoje, aos 90 anos ela reina e mostra que tem capacidade;
  • Shery Sandberg: COO do Facebook, ela comentou em seu perfil:

“As mulheres tornam-se mães solteiras por várias razões: morte do parceiro, fim de uma relação, escolha própria. Há pouco mais de um ano, fiquei viúva e me juntei a elas. Antes, eu não sabia como é difícil ter sucesso no trabalho quando você está sobrecarregada em casa. Todos os dias essas mães fazem sacrifícios, driblam barreiras e criam famílias lindas apesar das demandas. O mundo não facilita a vida delas. É necessário uma comunidade para criar uma criança, e muitas mães solteiras precisam e merecem mais do que estamos dando a elas.”

  • Emma Watson: atriz e Embaixadora da Boa Vontade da ONU, segue um trecho de seu discurso:

“Homens, eu gostaria de aproveitar essa oportunidade para estender seu convite formal. Igualdade de gênero é problema seu, também. Até agora tenho visto o papel do meu pai ser desvalorizado pela sociedade, apesar de eu precisar da presença dele quando criança tanto quanto da minha mãe. Eu vi homens jovens sofrendo de problemas mentais incapazes de pedir ajuda por medo que isso faça deles menos homens. Na verdade, no Reino Unido, o suicídio é a maior causa de mortes de homens entre 20 e 49 anos, superando acidentes de viação, câncer, ou doença cardíaca coronária. Eu tenho visto homens frágeis e inseguros devido a um senso distorcido do que consiste o sucesso masculino. Os homens também não possuem os benefícios da igualdade.

Nós não falamos frequentemente sobre os homens estarem aprisionados em esteriótipos de gênero, mas eu posso ver que eles estão, e quando eles estiverem livres, as coisas irão mudar para as mulheres como consequência natural. Se os homens não precisam ser agressivos a fim de serem aceitos, as mulheres não se sentem compelidas a serem submissas. Se os homens não possuem o controle, as mulheres não terão de ser controladas.”

Os limites estão muito mais na mente das pessoas do que no físico. E mulheres, sempre que tiver receio de exigir o que você vale, lembre-se de quanto tempo, dedicação e esforço foram empregados para você se tornar quem é hoje.

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