Síndrome do Impostor: o transtorno de quem se acha uma fraude!

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se sentir inferior

A síndrome do impostor acomete 70% das mulheres e é um grande empecilho psicológico na hora de comemorar as conquistas.

Você já se pegou pensando que não é bom o bastante para desempenhar alguma função? Ou que outras pessoas mais inteligentes e capazes talvez merecessem mais aquela vaga de emprego com ótimo salário e benefícios do que você? Se você já experimentou alguns desses sentimentos, saiba que há grandes chances de você ter a Síndrome do Impostor.

Michelle Obama, a ex-primeira dama dos Estados Unidos, é advogada, escritora e uma das mulheres mais influentes atualmente. Mesmo tendo conquistado tanto e com muito esforço, Michelle admite que já sentiu como se não pertencesse àquela imagem de sucesso que fazem dela, principalmente quando entrou em Harvard, uma das melhores universidades do mundo.  “Entrar em uma faculdade de elite, quando o seu orientador vocacional no colégio disse que você não era boa o suficiente, quando a sociedade vê crianças negras ou de comunidades rurais como ‘não pertencentes”, contou a ex-primeira-dama dos Estados Unidos em visita recente ao Reino Unido.

Michelle reconhece que, hoje em dia, esse sentimento tem nome e é chamado de Síndrome de Impostor. ” Eu tive de trabalhar duro para superar aquela pergunta que (ainda) faço a mim mesma: ‘eu sou boa o suficiente?’. É uma pergunta que me persegue por grande parte da minha vida. Estou à altura disso tudo? Estou à altura de ser a primeira-dama dos Estados Unidos?”, afirma. 

O que é Síndrome do Impostor?

 Em 1978, as psicólogas Pauline Rose Clance e Suzanne Imes descreveram uma condição em que pessoas sofrem uma distorção psicológica sobre suas capacidades e competências e entendem que não são merecedoras dos objetivos que conquistaram. Segundo definição das psicólogas, o significado de síndrome do impostor é a de que os pacientes “mantém uma forte consciência de que não são inteligentes e de que estão enganando todo mundo”. Para eles, em algum momento a farsa será descoberta e todos saberão de que não são bons o bastante.

As pessoas que sofrem dessa síndrome podem desenvolvê-la em qualquer ambiente, situação e faixa etária. Seja no trabalho, na família ou na escola, ter uma visão inferior de si mesmo e de que todos os méritos de suas conquistas não são realmente seus é extremamente depreciador e causa grandes impactos psicológicos, seja ao afetar a autoestima ou até prejudicar os laços sociais.

O que desperta a Síndrome do Impostor?

Não há uma só resposta para essa pergunta, já que muitas podem ser as causas da síndrome do impostor. Ela pode ser desenvolvida:

  • Pela classe social da pessoa: alguém que nasceu sob baixas condições financeiras e que, por mérito próprio, conseguiu mudar de vida;
  • Pela maneira como foi criada: pais que cobraram boas notas dos filhos a todo o momento e que sempre colocaram expectativas altas em seus futuros podem colaborar para que a pressão de sempre atingir um padrão o faça questionar se conseguiu atingi-lo ou não sempre que conseguir algo;
  • Pela situação atual da pessoa;
  • Por traumas;
  • Pela própria personalidade da pessoa;
  • Entre outras.

A psicóloga Americana Valerie Young aponta que o fenômeno do impostor geralmente dá as caras em fases da vida em que algum desafio confronta o indivíduo, ou quando ele está passando por momentos de transição, que são acompanhados por “uma carga tremenda de ansiedade e insegurança”, na maioria dos casos.  

Quem são as vítimas?

A atriz britânica Emma Watson, a eterna Hermione Granger da saga Harry Potter, é uma das mulheres mais engajadas em questões sociais e de gênero. Além disso, a britânica é Embaixadora da Boa Vontade da Onu, formada em Literatura Inglesa pela Brown University, em Rhode Island, nos Estados Unidos, além de inúmeros feitos que ajudam e inspiram pessoas do mundo todo. Incrível, não? Assim como a sua personagem em Harry Potter, a atriz é uma das mulheres mais brilhantes de sua geração. Mas, ainda assim, Watson não acredita ser merecedora dessas conquistas. Em entrevista à revista Rookie, Emma declarou: “Parece que quanto melhor eu me saio, maior é o meu sentimento de inadequação, porque penso que em algum momento, alguém vai descobrir que eu sou uma fraude e que eu não mereço nada do que conquistei”. 

Em geral, as vítimas da síndrome do impostor costumam ser pessoas bem-sucedidas, inteligentes e genuinamente brilhantes, mas que creditam o seu sucesso ao acaso, sorte, terceiros, menos para suas competências, inteligência ou habilidades. “Não importa o que tenha realizado ou o que as pessoas pensam, no fundo, você está convencido de que é um impostor, uma farsa, uma fraude”, explica Young.

De acordo com uma pesquisa realizada pela psicóloga Gail Matthews, da Universidade Dominicana da Califórnia, nos Estados Unidos, a síndrome acomete cerca de 70% dos profissionais bem-sucedidos, principalmente mulheres. Mas por que as mulheres são as mais afetadas? Desde que nascem, elas precisam sempre provar o seu valor, pois em meio à sociedade machista em que ainda estamos inseridos, as mulheres não são valorizadas academicamente, profissionalmente e socialmente como os homens. A autoestima e sensação de inferioridade crescem junto delas e é preciso uma boa transformação interna para que esses sentimentos a abandonem. Quando elas conseguem realizar seus objetivos, as frases machistas que ouviram a vida inteira de que não são capazes, ou que um homem faria o trabalho melhor do que ela ou que era melhor ela ficar em casa com os filhos voltam à tona.

Sinais da síndrome do impostor

A Huffpost Brasil publicou alguns sinais da síndrome do impostor, segundo as pesquisadoras que formularam a síndrome. Vamos a eles: 

  • Trabalhar muito e de forma obsessiva;
  • Ser discreto;
  • Ser carismático para ser aprovado por um grupo;
  • Ter dificuldade em terminar projetos;
  • Procrastinar demais;
  • Se autossabotar o tempo todo.

Tratamento da Síndrome do Impostor

Viver acreditando que é uma fraude não faz nada bem para a saúde mental. O problema pode ser a porta de entrada para transtornos mais graves, como a depressão, caso a pessoa já tenha um histórico ou predisposição genética. O grande empecilho em tratar a síndrome do impostor é que o paciente tem grande dificuldade em reconhecer que tem um problema e que se sentir uma fraude não é normal. 

O acompanhamento psicológico é a melhor opção em casos como esse, já que o papel do psicólogo é identificar as possíveis causas para que o transtorno tenha despertado e auxiliar com técnicas para que ele passe a enxergar suas conquistas com maior apreço.

O autoconhecimento e a conquista da autoestima são dois pontos importantes a serem trabalhados na terapia para tratar a síndrome do impostor. Caso você tenha se identificado com as informações desse artigo, saiba que você não está sozinho. A Telavita possui profissionais qualificados para te ajudar no caminho para a saúde mental e bem-estar. Conte conosco!

Uma pessoa que sofre com esta síndrome precisa de ajuda tanto psicológica quanto afetiva, para poder ter a chance de reestruturar suas emoções e ideias de forma que se possa reconhecer como capaz e suficiente para si mesma. Mas também, por vezes, precisa de ajuda direta e breve em atividades e atitudes concretas que mostrem claramente seus resultados e conquistas como merecedoras de reconhecimentos de seu desempenho através da avaliação e entendimento que vem de fora, como referência para poder revisar seus entendimentos sobre si mesmo.

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