Depressão e tristeza: saiba do que se trata e compreenda a necessidade de tratamento

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depressão

Cercada de mitos e preconceitos, a depressão é mais comum do que se imagina. Conheça as suas características e saiba como proceder para tratá-la

O que é a depressão?

Essa apatia exacerbada impacta vários funções do organismo. No cérebro, a origem da depressão está em um problema na produção ou no aproveitamento de uma substância chamada serotonina, essencial para a comunicação entre os neurônios.  

A depressão é considerada o grande mal que assola o século 21, atingindo 400 milhões de pessoas em todo o planeta, de acordo com a Organização Mundial da Saúde. Ela consiste na diminuição ou na perda de interesse pelas atividades diárias, comprometendo não só a mente, mas também o corpo. Erroneamente tratada como tabu e sem a devida atenção, depressão é doença sim e precisa de tratamento.

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Sinais da Depressão

Dentre os sintomas iniciais, estão o cansaço extremo, alterações no sono, dificuldade de concentração, irritabilidade, angústia e outros fatores que alteram muito o dia-a-dia e a saúde de quem sofre com a doença. Confira abaixo a lista completa dos sinais:

Mas engana-se quem pensa que depressão só atinge a cabeça. Ela está relacionada diretamente com sintomas físicos e males que prejudicam o corpo inteiro:

  • Ganho ou perda de peso;
  • Fome excessiva;
  • Automutilação;
  • Doenças cardíacas;
  • Câncer;
  • Diabetes;
  • Dependência química;
  • Doenças autoimunes, como lúpus e psoríase;
  • Doença de Parkinson.
  • Ansiedade;
  • Apatia;
  • Culpa;
  • Descontentamento geral;
  • Alterações de humor;
  • Agitação;
  • Irritabilidade;
  • Alterações no sono (despertar precoce, excesso de sonolência, insônia ou sono agitado)
  • Falta de concentração;
  • Pensamentos suicidas.

Depressão Endógena e Exógena

Depressão Endógena: uma das causas da depressão pode estar nas alterações biológicas e na predisposição genética do indivíduo. A esse quadro se dá o nome “depressão endógena”.

Depressão Exógena: aqui os fatores externos como estresse e traumas são um dos possíveis causadores da doença.

Depressão Tipos

Sim, a doença se manifesta de diferentes formas. Atualmente, os médicos dividem a depressão em sete grandes grupo

Depressão maior

Também chamada de “depressão unipolar” , é a mais comum de todas, com mais de 2 milhões de casos por ano no Brasil. Essa depressão profunda é caracterizada pela baixa autoestima, apatia, distúrbios de sono, entre outros. Dentre as possíveis causas da depressão maior estão as origens biológicas, psicológicas e sociais

Depressão sazonal

Típica de países mais frios, ela acomete os pacientes no outono e no inverno, onde os dias são mais curtos e escuros.

Depressão distímica

Quadro mais leve que persiste por meses a fio e provoca uma sensação constante de pessimismo.

Depressão psicótica

Marcada por uma série de distúrbios visuais e sensoriais como alucinações e delírios. Aqui, os índices de suicídio estão entre os mais altos.

Depressão atípica

Aqui a manifestação de sintomas físicos é mais proeminente. É comum o ganho de peso, aumento de apetite e cansaço extremo. Apesar do nome sugerir ser um tipo menos comum de depressão, é um dos que possui mais casos.

Depressão mista

Ocorrem picos de ansiedade e agitação. O indivíduo não consegue ficar sossegado por muito tempo.

Depressão melancólica

Os sintomas, como ideias negativas, pensamentos suicidas e prostração, são bem aparentes.

Depressão bipolar

Segundo dados da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), a depressão bipolar é o tipo que mais causa suicídios. Ela dá as caras na fase depressiva do Transtorno Bipolar, que é o distúrbio referente a alterações de humor e obsessão. 

Essa doença crônica não tem cura e se estende pela vida toda. O tratamento costuma envolver o uso de medicamentos e acompanhamento psiquiátrico. Em casos mais graves, a internação se faz necessária.

Depressão Reativa

Situações traumáticas e estressantes marcam esse tipo de depressão. Episódios como o fim de um relacionamento, o falecimento de entes queridos, uma demissão, etc, desencadeiam a depressão reativa. 

Depressão e Faixas Etárias

Infelizmente, a depressão não tem idade para aparecer. Ela pode ocorrer entre crianças, adolescentes, adultos e idosos. Só que em cada fase da vida, essa enfermidade tem algumas particularidades.

Depressão na infância

A depressão na infância, por exemplo, é algo que não recebia a devida atenção no passado, até pela dificuldade de diferenciar os sintomas da doença de outros quadros, como as ansiedades e as fobias. Entre os pequenos, ela aparece por meio de pesadelos, choro excessivo, dificuldade de aprendizagem, entre outros.

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Depressão na adolescência

Já na adolescência, os sintomas são camuflados pelas mudanças hormonais e de comportamento, típicas de quem passa pela puberdade. Essa confusão pode dificultar o diagnóstico e agravar o quadro, levando até ao suicídio. Nos últimos cinco anos, a taxa de jovens que se mataram subiu quase 40%, segundo um levantamento da Faculdade Latino-americana de Ciências Sociais, com dados do Ministério da Saúde.

Depressão na vida adulta

A vida adulta é o período em que a depressão prejudica um maior número de pessoas. Enquanto isso, quem já passou dos 60 anos e está na melhor idade muitas vezes não recebe suporte familiar, da sociedade e da saúde pública para encarar o período de aposentadoria e o surgimento das doenças crônicas, como hipertensão e diabetes. Isso gera pensamentos cada vez mais frequentes sobre o fim da vida e propicia quadros melancólicos, surgindo assim, a depressão em idosos.

A depressão em homens

Um dos maiores problemas acerca da depressão em homens é a dificuldade de diagnóstico por parte do próprio público masculino. Ainda existe o tabu de que depressão é frescura e sinal de fraqueza. Os homens encaram a doença de maneira violenta, o que resulta em altas taxas de suicídio entre eles. 

A depressão em mulheres

A tristeza profunda é duas vezes mais frequentes nas mulheres. Uma das explicações para esse fenômeno são as alterações hormonais que acontecem durante os ciclos de menstruação e após menopausa.

Depressão gestacional

A doença atinge até 20% das mulheres grávidas e precisa ser levada muito à sério, pois caso contrário, o quadro pode prejudicar o feto e desencadear a depressão pós-parto.

O uso de antidepressivos deve ser consultado com um psiquiatra, pois o uso deles sem recomendação médica pode causar malefícios durante a gestação, tanto para a mãe quanto para o bebê.

Depressão pós-parto

Também conhecida como DPP, a depressão pós-parto atinge mais de 25% das mães brasileiras. Apesar do grande número de casos, ela ainda carrega muito preconceito, o que dificulta o seu diagnóstico e tratamento. Esse tipo de depressão tem como uma de suas causas as mudanças hormonais e também de estilo de vida.

Dentre os sintomas estão o cansaço extremo, baixa auto-estima, desinteresse pelo bebê, tristeza constante, medo de ficar sozinha, e culpa, sendo esta última, o fator inibidor da procura por um profissional assim que os sinais de depressão pós-parto são identificados. É bom esclarecer que esses sentimentos são normais nos primeiros dias pós-parto. O caso se agrava quando os sintomas permanecem de 2 semanas para mais desde o término da gestação.

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O diagnóstico da depressão

Por enquanto, não existe nenhum exame de imagem ou teste de sangue capaz de detectar a depressão no indivíduo. Atualmente, médicos e psicólogos recorrem a avaliações e questionários feitos no próprio consultório. Eles foram elaborados para identificar o tipo e mensurar a gravidade de cada paciente.

Depressão como ajudar: descubra quais especialistas procurar

Para realizar o diagnóstico, é recomendado marcar uma sessão com um psiquiatra, médico especialista em transtornos mentais. O acompanhamento com o psicólogo também é essencial para um tratamento efetivo e com resultados em longo prazo.

Tratamentos da depressão

Existem dois pilares fundamentais na recuperação: como citado acima, o acompanhamento psicológico periódico e o uso de medicamentos. A terapia ajuda a modificar comportamentos e pensamentos, e permite medir os avanços na melhora do quadro. Enquanto isso, os antidepressivos reequilibram a química cerebral ao ajustar neurotransmissores como a serotonina.
Além disso, é importante  adotar um estilo de vida saudável. Uma dieta equilibrada e sem excessos e uma rotina de exercícios físicos dão suporte ao tratamento convencional.  Infelizmente, depressão não tem cura, mas, sim, controle. É preciso seguir as recomendações do profissional à risca para sair da depressão e não sofrer com as recaídas.

Há casos em que é preciso internação?

A internação se faz necessária quando os remédios e a psicoterapia não surtem efeito ou quando o quadro é tão grave que o paciente coloca em risco a si mesmo e as pessoas ao redor. Ficar em uma instituição de longa permanência depende sempre do parecer dos profissionais que acompanham o caso.

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Depressão no trabalho

De acordo com os dados do Ministério da Previdência Social,  222 mil pessoas afastadas do trabalho devido a transtornos mentais e comportamentais. Dessas, 83 mil tem depressão.  Logo após o diagnóstico, é natural que a doença tire o ânimo e a vontade de sair de casa para realizar qualquer atividade profissional ou de lazer. Porém, conforme a pessoa se sente melhor, é importante que ela retome as suas obrigações.

Depressão no Brasil

Segundo dados da OMS (Organização Mundial da Saúde), o Brasil é o país com mais casos de depressão na América Latina e, se abrangermos para todo o continente americano, nós só ficamos atrás dos EUA, que têm 5,9% de indivíduos com depressão. No Brasil, os dados da depressão estão nos 5,8%.

Uma das explicações para tal número são as altas taxas de desigualdade social, pobreza, descontentamento político e o fato de ser um país de terceiro mundo. 

Devido a estes dados podemos afirmar que a depressão é um dos males do século, onde a cada ano podemos notar seu quadro de evolução mundial, por isso o controle por meio de tratamento psicológico é tão importante para garantir a qualidade de vida de muitas pessoas.

 

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