Autoconsciência e sua relação com a saúde emocional e psicológica

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autoconsciência e saúde mental

Autoconsciência. Essa é uma palavra que desperta certo interesse. Todos nós temos uma noção do que significa, porém, achar as palavras exatas para a sua explicação pode parecer difícil. O termo, às vezes, dá a sensação de estar longe e que a sua aplicação com é enigmática. Entretanto, devemos repensar isso.

Um estudo da Korn/Ferry International, realizado com 486 empresas de capital aberto, constatou que companhias com forte desempenho financeiro tendem a ter funcionários com níveis mais elevados de autoconsciência emocional do que empresas com desempenho insatisfatório.

Então, compreender melhor o conceito de autoconsciência e como ele está conectado conosco é mais importante do que se imagina. O cuidado em saúde mental na atualidade é desvalorizado. Nesse sentido, uma pesquisa organizada por Tasha Eurich percebeu que somente de 10% a 15% das quase 5 mil pessoas entrevistadas entraram dentro dos critérios definidos como autoconsciência.

O que é autoconsciência?

Em poucas palavras, a autoconsciência refere-se à capacidade de se tornar o objeto da própria atenção. Dessa forma, ser autoconsciente envolve estar ciente de diferentes aspectos do “eu”, incluindo traços, comportamentos e sentimentos.

Conforme explica Alain Morin, “identificamos, processamos e armazenamos ativamente informações sobre o ‘eu’. (..) É possível perceber e processar estímulos do ambiente (por exemplo, uma cor, alimento) sem saber explicitamente que alguém está fazendo isso. A pessoa se torna autoconsciente quando se reflete sobre a experiência de perceber e processar estímulos (por exemplo, eu vejo um objeto azul; estou comendo comida e o gosto é bom)”.

Os primeiros que propuseram estudos mais assertivos e aceitos sobre a autoconsciência foram Robert Wicklund e Shelley Duval, em 1972, com a Teoria da Autoconsciência Objetiva. Apesar da longevidade, os preceitos dos autores ainda são bem aceitos pelo meio acadêmico – embora, como veremos no último tópico, que existem novas evidências sobre ela.

De acordo com a teoria, ocasiões situacionais que lembram os indivíduos de si mesmos, como por exemplo, olhar para espelhos, tiram a atenção do ambiente e levam de volta para o “eu”. O resultado, então, é um estado autoconsciente em que os indivíduos comparam os seus “eus” atuais com os autopadrões ideais.

Nesse sentido, os autores propuseram que a autoconsciência gera uma reação emocional negativa, pois o “eu” analisado geralmente não atinge as exigências do autopadrão ideal. Dessa forma, o resultado leva a pessoa a atuar de duas maneiras: regular seu comportamento em relação ao padrão para tentar reduzir a discrepância; ou evitar o estado autoconsciente.

Relação com a saúde emocional e psicológica

Diferentemente do pensamento de Wicklund e Duval, novos estudos sugerem que a autoconsciência não possuem somente efeitos negativos, mas positivos também. Ser autoconsciente promove, então, uma melhora na saúde mental e psicológica, pois representa uma melhora na qualidade de vida e nas nossas relações com os outros e com os nossos “eus”.

De acordo com a pesquisa de Paul Silvia e Maureen O’Brien, “sem autoconsciência, as pessoas não poderiam entender a perspectiva dos outros, exercitar o autocontrole, produzir realizações criativas ou sentir orgulho e auto-estima”.

Ainda, o estudo sugere que as facetas positivas e negativas da autoconsciência são conciliadas quando as pessoas têm padrões de autoconhecimento razoáveis e quando estão otimistas quanto ao cumprimento de seus padrões.

Outras pesquisas também apontam para esse caminho, ou seja, quando nos vemos de forma mais clara, nos consideramos mais confiantes e criativos, além de estarmos menos propensos a mentir e roubar.

A autoconsciência possui impacto direto na vida das pessoas, pois através dela conseguimos construir relacionamentos mais forte e nos comunicar de forma mais eficaz. Isso requer uma maior atenção em saúde mental do que estamos acostumados – principalmente quando tratamos da saúde mental no Brasil.

Os efeitos no trabalho também são visíveis. Quem consegue fazer parte desses 10%-15% de pessoas autoconscientes são pessoas mais bem resolvidas com o trabalho e até que recebem mais promoções. Isso não é achismo, pesquisas apontam isso.

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