O impacto da saúde mental na ausência dos funcionários

ausência

Pensar em qualidade de vida no ambiente profissional é de extrema importância nos tempos atuais. Seja no escritório ou até mesmo no home office, a empresa precisa estar atenta à condição física e emocional dos seus colaboradores.

A qualidade de vida envolve a avaliação do nível de bem-estar dos funcionários, bem como o seu estilo de vida e o clima organizacional. E a falta desse cuidado pode comprometer o estado de saúde mental dos profissionais e gerar, inclusive, o absenteísmo.

O absenteísmo é uma palavra de origem latina e significa estar fora, afastado ou ausente. Nesse sentido, um profissional que se abstém de exercer suas funções e tarefas está praticando o absenteísmo.

Tal conduta ocorre quando o funcionário está ausente durante o período do trabalho. Geralmente, as pessoas não ficam disponíveis por algumas horas, como nos casos de atraso ou até de alguma saída adiantada do expediente. Entretanto, nas situações mais graves, o profissional não comparece na empresa e pode faltar por vários dias.

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A temática é complexa e pode envolver motivos multifatoriais. Sendo assim, num âmbito mais privado, a pessoa pode estar com problemas de saúde mental e física, questões familiares ou até passando por dificuldades financeiras.

Já em relação ao trabalho em si, a falta de experiência dos líderes, a comunicação ineficiente, a falta de estrutura, metas intangíveis, desmotivação e assédio moral podem ser os motivos da ausência.

Entretanto, além dos problemas do funcionário em questão, o absenteísmo também gera um peso no restante da empresa. A ausência dificulta o fluxo de trabalho e gera sobrecarga no resto da equipe com horas extras, causando estresse e, eventualmente, até algum problema de saúde.

A influência da saúde mental no absenteísmo

A vida pessoal e o ambiente de trabalho influenciam diretamente no aspecto emocional. Caso algum deles esteja causando desconforto, será possível observar um deterioramento na condição psíquica do indivíduo.

A saúde mental reflete diretamente no bem-estar, nesse sentido, um estado psicológico debilitado está mais propenso a doenças. Dessa forma, uma pessoa nessa condição fica mais suscetível a falhar com suas funções e tarefas.

E os dados corroboram com essa narrativa. Inclusive, o estudo “Mental health and productivity at work: Does what you do matter?” descobriu que as taxas de ausência são aproximadamente 5% maiores entre os trabalhadores que relatam ter problemas de saúde mental.

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Além disso, os transtornos psicológicos já são a terceira causa de afastamento de trabalhadores no Brasil, de acordo com a Secretária da Previdência. Porém, o aumento da incidência das doenças psíquicas nos últimos anos, indica que a situação somente deve se agravar.

Aliás, essa tendência não está presente somente aqui. Dados de diferentes países ao redor do mundo demonstram que os problemas de saúde mental são a principal causa do abandono do trabalho por parte de funcionários.

Na Holanda, por exemplo, cerca de 58% das doenças incapacitantes do trabalho estão relacionadas à saúde emocional. Já no Reino Unido, estima-se que de 30 a 40% das faltas são atribuíveis a alguma forma de doença mental.

O impacto do absenteísmo nas empresas

O absenteísmo causa grandes prejuízos às empresas. A ausência gera aumento de custos, perda de eficiência e falta de colaboração entre equipes, sobrecarregando alguns profissionais em detrimento de outros.

Os riscos para a saúde e o bem-estar emocional podem provir de uma série de fontes e incluem fatores associados ao local de trabalho. Nesse sentido, o estresse é apontado como um dos principais motivos que levam a ausência dos funcionários. O ritmo incessante do ofício e um ambiente fatigante geram o adoecimento.

De acordo com uma pesquisa com 800 mil trabalhadores em mais de 300 empresas, o número de funcionários doentes por causa do estresse triplicou entre 1996 e 2000. Atualmente, o The American Institute of Stress estima que 1 milhão de pessoas faltam ao trabalho todos os dias devido ao problema.

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Nesse contexto, a Agência Europeia para a Segurança e Saúde no Trabalho aponta que o estresse é responsável por mais da metade dos dias de trabalho perdidos nos Estados Unidos por absenteísmo.

Além disso, 20% dos não comparecimentos de última hora no trabalho estão relacionados ao estresse. Entretanto, tais ausências podem causar um efeito dominó dentro das instituições caso isso ocorra com funcionários-chave da operação.

O custo do absenteísmo imprevisto é estimado em 602 dólares por trabalhador no ano para as companhias americanas, no entanto, o preço acumulado para grandes empregadores pode chegar a 3,5 milhões de dólares anuais.

Como solucionar o problema?

O absenteísmo é um problema de saúde pública, pois os riscos psicossociais mais comuns no trabalho são quando as empresas colocam os trabalhadores em zonas de perigo.

A ausência de fronteiras entre o trabalho e o lazer é temerária, já que a dificuldade em equilibrar a vida familiar, pessoal e profissional pode causar vários danos ao funcionário.

Infelizmente, muitos lugares ainda não estão preparados para lidar com profissionais que enfrentam questões de saúde mental. Desse modo, não possuem ferramentas e conhecimentos para abordar problemas relacionados com ela e podem até agravar a situação.

A preocupação com o bem estar físico e emocional dos colaboradores é hoje um dos principais desafios para as organizações modernas. Além do aspecto humano, o prejuízo financeiro é enorme. De acordo com a apuração da London School of Economics and Political Science, o absenteísmo custa cerca de 78 bilhões de reais ao Brasil.

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Aliás, os trabalhadores daqui perdem em média 30,1 dias de trabalho por ano por conta de algum transtorno mental, segundo o trabalho acadêmico “Absenteísmo e presenteísmo por doença em trabalhadores da população geral da grande São Paulo”.

Desse modo, a criação de programas nas empresas que visam a promoção da saúde, bem-estar social e qualidade de vida é fundamental. Tais ações devem estar alinhadas com as políticas da organização, visando proporcionar aos funcionários benefícios para sua vida profissional e pessoal.

Nesse sentido, intervenções educativas são capazes de instruir o público interno aos cuidados necessários com a saúde mental. Além disso, conseguem estabelecer condições de trabalho que eliminem ou minimizem os fatores de risco no ambiente.

Com programas de medicina preventiva voltadas para o indivíduo, é possível organizar e planejar ações de promoção da saúde do trabalhador. Sendo assim, os funcionários poderão apresentar melhoria na motivação, na criatividade e na produtividade.

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