A Síndrome de Estocolmo

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Estocolmo síndrome

Uma das séries de maior sucesso nos últimos anos foi La Casa De Papel, produção da Netflix que virou febre no Brasil. A história dos ladrões que partiram numa missão quase impossível de roubar a Casa da Moeda da Espanha, despertou os mais variados sentimentos, inclusive o de simpatia pelos criminosos. O público até torceu para que, no final, o grupo liderado pelo Professor obtivesse sucesso no crime.

A relação mais inesperada da obra foi, com certeza, entre as personagens Denver, um dos ladrões, e Monica, funcionária do banco e sua refém. Ela, grávida, vulnerável e em choque pelo trauma sofrido pelo sequestro, encontrou nos cuidados e preocupação do jovem Denver, a calma que precisava para enfrentar todo o caos da situação. Entretanto, a relação desenvolveu de amizade para romance, e o casal foi então formado.

Mas o que fez com que sentimentos de afeição e paixão surgissem por parte de Monica? E o que fez com que Denver quebrasse todas as regras do grupo para ficar com a refém? É aí que entra a psicologia da Síndrome de Estocolmo. Mas o que La Casa de Papel tem com a tal síndrome de Estocolmo?

Confira também, a relação da Síndrome de Estocolmo com a Ficção!

O que é Síndrome de Estocolmo?

A Síndrome de Estocolmo é caracterizada por um estado psicológico de intimidação, violência ou abuso em que a vítima é submetida por seu agressor, porém, ao invés de repulsa, ela cria simpatia ou até mesmo um laço emocional forte de amizade ou amor por ele.

O que acontece é que as vítimas criam um tipo de identificação com os agressores, de modo que entendem a situação em que estão e partilham de seus sentimentos. O que favorece esse cenário são as possíveis atitudes simpáticas e gestos gentis que o raptor pode ter com a vítima, e, essa, sob o estresse da situação iminente de perigo, passa a se sentir ligada a ele. A relação de Denver e Monica nasceu justamente dessas gentilezas que o sequestrador nutria pela moça grávida.

“A síndrome de Estocolmo foi descrita por Nils Bejerot, em 1973, como um estado psicológico particular, no qual a vítima demonstra indícios de lealdade e sentimento de gratidão para com seu sequestrador, de início, como mecanismo de defesa por medo de retaliação. Essa estratégia de sobrevivência pode levar o indivíduo a uma dependência do seu ‘protetor’ não se dando conta da submissão na qual se encontra (Montero, 1999)”, publicou a Revista de Psicologia Organizacional do Trabalho.

A história da Síndrome de Estocolmo

Mas, afinal, por que Síndrome de Estocolmo? O nome dado a síndrome teve origem num caso real de assalto a um banco que ocorreu em Estocolmo em 23 de agosto de 1973. O assaltante Jan-Erik “Janne” Olsson, munido de explosivos e uma metralhadora, entrou na filial do Kreditbanken, na praça de Norrmalmstorg, centro da capital sueca.

“Para o chão, agora começa a festa”, disse em inglês antes de disparar para o teto, fazer três funcionários reféns e estabelecer condições para a polícia: três milhões de coroas suecas, um carro e caminho livre para sair do país. Olsson exigiu que Clark Olofsson, um dos criminosos mais famosos do país e que tinha conhecido na prisão fosse levado para o banco. As autoridades aceitaram parte das exigências e o levaram à agência. Outro funcionário estava escondido e, depois de descoberto se juntou aos reféns”, divulgou a Revista Exame.

O grupo formado pelo assaltante, presidiário e os quatro funcionários do banco que se tornaram reféns foi formado, e, dali, uma relação pra lá de inusitada teve início. O sequestro durou seis dias e, nesse meio tempo, criaram laços afetivos e “se distraíam com jogos de baralho para aliviar a tensão da situação. Assim, o grupo passou a se conhecer melhor e a compartilhar sentimentos.

No último dia do sequestro, após a polícia ter soltado gás lacrimogêneo na abóbada do banco, Olsson e Olofsson se renderam. Nenhum refém foi ferido durante o sequestro e, ao contrário do comportamento esperado, eles se recusaram a sair do banco antes de seus captores, devido ao medo de que eles fossem castigados. A despedida entre sequestrador e reféns se deu com abraços.

“Sei que pode soar um pouco estranho, mas não queríamos que a polícia os machucasse, já que tudo tinha acabado”, contou um dos reféns.

A Revista Exame também divulgou o pós-sequestro e a relação do sequestrador com os reféns: “Me dei bem com todos. Na prisão fui visitado por dois reféns, e quando me casei na prisão, os policiais foram testemunhas”, contou em entrevista recente à agência sueca “TT” o ex-sequestrador, hoje com 72 anos e que trabalha em uma concessionária de carros.

O criminologista Nils Berejot colaborou com a polícia durante o sequestro e, como sabemos, foi ele quem cunhou o termo “Síndrome de Estocolmo”. Esse é um dos casos mais famosos de síndrome de Estocolmo, afinal, foi o que inspirou a síndrome. Mas mesmo antes disso, outras situações parecidas aconteceram, seja da síndrome de Estocolmo e casos reais, até os contos de ficção e fantasia, como A Bela e A Fera.

Síndrome de Estocolmo: Sintomas

A síndrome de Estocolmo não é clinicamente listada no Manual oficial de doenças MSD, portanto, não possui sintomas amplamente estudados ou comprovados. Elizabeth L Sampson, pesquisadora do Departamento de Psiquiatria e Comportamento, da University College Medical School, em Londres, reuniu o perfil de cinco casos em que, os cinco, apresentavam os mesmos sintomas:

  • Traumas de abuso físico e/ou psicológico;
  • Ameaças;
  • Episódios de isolamento e confinamento em que tiveram oportunidades de escapar, mas não o fizeram;
  • Simpatia, compressão e laços emocionais criados pelos captores.

Síndrome de Estocolmo: Tratamento

Por não ser uma condição comprovada e diagnosticada, o uso de medicamentos não é indicado. Portanto, a psicoterapia é uma grande aliada nesses casos, já que o psicólogo consegue identificar as origens do comportamento e utilizar técnicas para fazer com que o paciente compreenda melhor suas motivações e transforme esse comportamento. Esse é o tipo de terapia chamada “cognitivo-comportamental”.

Nas análises de Sampson foi comprovado que o impacto que a situação de cativo causa nas vítimas é bastante profundo e dura quase toda a vida, se não for acompanhado. A personalidade é bastante influenciada e pode sofrer muitas influências negativas das experiências traumáticas e de confusão que a relação captor-refém possui.

Nenhum comportamento que ofereça qualquer tipo de situação abusiva deve ser alimentado, por mais que o instinto de sobrevivência que a síndrome de Estocolmo pode inferir. Procurar ajuda psicológica é fundamental para curar qualquer tipo de ferida que eventos traumáticos causaram.

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