Qual a diferença entre dupla personalidade e bipolar?

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A confusão é corriqueira e pode levar muita gente à dúvida. Entenda a diferença entre dupla personalidade e bipolar!

Às vezes acordamos de mau humor e, conforme o decorrer do dia, nos sentimos melhor e mais alegres. Algumas pessoas, erroneamente, associam essa mudança de humor a bipolaridade, o que, na realidade, não tem nada a ver com o que o transtorno afetivo bipolar realmente é. E as confusões não param por aí. Há quem acredite que bipolaridade seja a mesma coisa que dupla personalidade. É pensando em todos esses equívocos que esse artigo será pautado.

O que é transtorno bipolar?

O transtorno de personalidade bipolar é uma doença crônica caracterizada pela alternância entre dois polos: o depressivo e o eufórico. Essas mudanças podem ocorrer de forma súbita e intensa.

O polo depressivo pode carregar características similares às de um quadro de depressão, como a perda de interesse e prazer nas atividades que antes o paciente realizava, pessimismo, baixa autoestima, insônia e isolamento. Esse estágio também pode ser conhecido como transtorno bipolar depressivo.

Já no polo da mania, as características de uma pessoa bipolar engloba o sentimento eufórico, alegre, autoconfiante, hiperativo e muito falante. Porém, possui alguns sintomas psicóticos como delírios de grandeza, aumento da libido e atividade sexual, falta de avaliação em situações de risco, além de se tornar bastante irritável.

Uma pessoa bipolar experimenta essas flutuações de humor cujos efeitos negativos em sua vida são enormes, já que atuam sobre as atitudes e reações, sendo essas, geralmente desproporcionais às situações.

Os distúrbios de oscilação do humor afetam cerca de 10% da população mundial. Antigamente, o transtorno recebia outra nomenclatura:  psicose maníaco-depressiva. Porém, em 1980, entendeu-se que os termos “psicose” e “mania” eram muito estigmatizados e remetiam, de cara, à loucura. Não que os termos estavam errados! Eles descreviam, sim, episódios marcantes da doença, já que durante as crises as pessoas ficam psicóticas, ou seja, sofrem alterações na pisque que produzem delírios.

A palavra “maníaca” vem de “mania”, e descreve o extremo de euforia, em que os níveis de energia estão elevados e os limites entre a prudência e o perigo são atravessados. Mas, para se livrar do estigma e trazer termos mais corretos ao que o transtorno realmente é, decidiu-se por “transtorno afetivo bipolar”.

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Existem alguns sintomas de transtorno bipolar que nos ajudam a identificar uma pessoa bipolar. Porém, somente o psiquiatra ou psicólogo podem fornecer um diagnóstico da doença, pois utilizam métodos e técnicas de como identificar uma pessoa bipolar. Raiva, ansiedade, apatia, angústia, euforia, descontentamento geral, agitação, choro excessivo, hiperatividade, impulsividade, episódios maníacos, paranoia, entre outros.

Confira aqui mais sintomas de bipolaridade!

Não se sabe ao certo as origens do transtorno de humor bipolar, mas sabe-se que alguns fatores estão envolvidos no surgimento da doença, como a hereditariedade, por exemplo. Pequisas científicas explicam a importância dos genes na predisposição de distúrbios de oscilação de humor. Em parentes de 1º grau e irmãos gêmeos, os riscos da doença ser passado para os descendentes são elevados, assim como a combinação de pai e mãe instáveis, mesmo sem sofrerem de transtorno bipolar.

Os neurotransmissores são vitais para o funcionamento do nosso corpo, pois são mensageiros químicos que transportam e regulam sinais entre neurônios e outras células. O desequilíbrio em seu funcionamento pode ser um fator causador do transtorno bipolar.

Sabe-se que o meio externo é um dos maiores causadores de doenças psicológicas, e o transtorno afetivo bipolar não ficaria de fora. Experiências traumáticas, abuso sexual ou psicológico, estresse e mudanças drásticas na vida do indivíduo corroboram para o surgimento da doença. O abuso de remédios, álcool e drogas ilícitas também fazem parte da lista de gatilhos.

O que é dupla personalidade?

Embora seu nome oficial seja transtorno dissociativo de identidade, a maioria conhece apenas como o  transtorno de dupla personalidade. “O transtorno de identidade dissociativa, anteriormente chamado transtorno de personalidades múltiplas, é um tipo de transtorno dissociativo caracterizado por cerca de 2 estados de personalidade (também chamados alter egos ou estados do eu ou identidades) que se alternam. O transtorno inclui incapacidade de recordar eventos diários, informações pessoais importantes e/ou eventos traumáticos ou estressantes, todo os quais tipicamente não seriam normalmente perdidos com o esquecimento normal”, define o Manual MSD.

Esse distúrbio não tem idade para aparecer e pode acometer tanto homens, quanto mulheres. As causas estão ligadas a traumas opressivos na infância, com  situações de abuso ou negligência emocional. O impacto do trauma sofrido faz com que a pessoa desenvolva uma outra personalidade como forma de lidar com o evento traumático.

O aspecto dissociativo funciona como um mecanismo de defesa e de sobrevivência, pois os episódios traumáticos são dolorosos demais e uma das saídas encontradas por quem sofre do transtorno é justamente desassociando-se desse trauma, dessa parte de si que sofreu.

Segundo o Manual MSD, o transtorno dissociativo de identidade tem uma forma de possessão e não possessão:

Forma de possessão: “as identidades geralmente se manifestam como se fossem um agente externo, normalmente um ser ou espírito sobrenatural (mas às vezes outra pessoa), que assumiu o controle da pessoa, fazendo com que a ela fale e aja de uma maneira muito diferente. Nesses casos, as diferentes identidades são muito evidentes (prontamente notadas pelos outros).

Em muitas culturas, estados de possessão semelhantes são parte normal da prática cultural ou espiritual e não são considerados transtorno dissociativo de identidade. A forma de possessão que ocorre no transtorno dissociativo de identidade difere pelo fato de que a identidade alternativa é indesejada e ocorre involuntariamente, causa muita aflição e deficiência e se manifesta em tempos e lugares que violam as normas culturais e/ou religiosas”.

Forma de não possessão: “tendem a ser menos evidentes. As pessoas podem sentir uma alteração súbita na forma como veem o self, talvez sentindo como se fossem observadores de sua própria fala, emoções e ações, em vez de o agente. Muitos também têm amnésia dissociativa recorrente”.

Os sintomas mais comuns de TDI estão associados à memória, pois os pacientes costumam ter amnésia dissociativa, tipicamente manifestada com lacunas na memória de eventos pessoais do passado, lapsos na memória confiável recente e descoberta da evidência das coisas que fizeram, mas de que não se lembram.

Outros sinais comuns são: “ouvir vozes, alucinações visuais, táteis, olfativas e gustativas. Pacientes com transtorno dissociativo de identidade sentem esses sintomas como se viessem de uma identidade alternativa (p. ex., como se uma outra pessoa quisesse chorar com seus próprios olhos). Depressão, ansiedade, abuso de drogas, autolesão, automutilação, crises não epilépticas e comportamento suicida são comuns, assim como disfunção sexual”, informa o MSD.

Diferenças entre bipolaridade e transtorno dissociativo de identidade

O que afeta?

  • Bipolaridade: afeta o humor
  • TDI: afeta a personalidade

Causas

  • Bipolaridade: as causas são diversas, de hereditariedade até fatores externos e situações traumáticas.
  • TDI: ainda não se sabe tudo sobre as causas do TDI, mas hoje sabemos que situações traumáticas são o gatilho para despertar a doença.

Sintomas

  • Bipolaridade: as pessoas bipolares, embora possuam a fase maníaca, não costumam ouvir vozes ou outros tipos de alucinações.
  • TDI: aqueles que sofrem com o TDI podem ouvir vozes e sofrer com alucinações.

Embora sejam bem diferentes, uma coisa é certa: nenhum desses distúrbios têm cura. Mas há tratamento e ele deve ser feito assim que o diagnóstico ser realizado. O grande problema acerca das doenças mentais é o preconceito e o tabu de que os transtornos referentes à mente são sinal de loucura ou fraqueza.

A verdade é que, assim como o corpo, a mente também sofre e é preciso se desligar dessas preconceitos para não adiar o diagnóstico e prejudicar não só os outros, mas a si mesmo.

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