Solidão e Solitude – Entenda a diferença entre ficar sozinho e ser solitário!

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ser sozinho e estar sozinho

Há quem goste de passar um tempo sozinho. Outros, sentem um enorme peso com a solidão. Saiba que solidão e solitude são bem diferentes!

“Que minha solidão me sirva de companhia

Que eu tenha a coragem de me enfrentar

Que eu saiba ficar com o nada

E mesmo assim me sentir

Como se estivesse plena de tudo”.

As obras da escritora ucraniana naturalizada brasileira, Clarice Lispector, são marcadas por uma profunda introspecção e compreensão de si. O autoconhecimento provocado pela quietude provam que ficar sozinho pode, muitas vezes, proporcionar alguns benefícios.  Um estudo realizado pela Universidade de Buffalo, nos Estados Unidos, analisou 295 voluntários e classificou como “unsociable” (insociabilidade) aqueles que procuram estar sós voluntariamente de tempos em tempos. Eles relacionaram o quesito criatividade com esses indivíduos e que, em tempos curtos, optar pela reclusão é benéfico nesse sentido.

Para algumas pessoas, ficar só ajuda na criatividade, na organização das ideias, na conexão com a própria essência e na recarga de energia. Essas pessoas, que assim como Clarice Lispector, não se sentem mal ao ficarem sozinhas, conseguem ser feliz na própria companhia. A esse momento damos o nome de “solitude”, que, diferentemente da ‘solidão”, não caracteriza algo ruim, e sim um período necessário para que o indivíduo se comunique consigo mesmo.

Solitude: significado

A Sociedade Brasileira de Inteligência Emocional explica que “é nesse momento que podemos desenvolver o autoconhecimento, de nos encontrar ao invés de tentar fugir e de nos aceitar como realmente somos independentemente da aprovação do outro. Todos os dias, procure marcar um encontro com você mesmo. Pode ser uma caminhada, um almoço, praticar meditação ou ficar no quarto em silêncio por alguns minutos”. Reservar um tempinho para si mesmo ajuda no desenvolvimento do autoconhecimento e da inteligência emocional.

A inteligência emocional é “a capacidade de um indivíduo administrar as próprias emoções e usá-las em seu favor, além de compreender as emoções das outras pessoas, construindo relações saudáveis e fazendo escolhas conscientes. Quem tem Inteligência Emocional sabe pensar, sentir e agir de forma inteligente e consciente, sem deixar que as emoções controlem sua vida e se acumulem de forma a reproduzir ou criar traumas”, define a SBie (Sociedade Brasileira de Inteligência Emocional). Indivíduos com essa capacidade conseguem guiar a própria vida com mais destreza, pois sabem identificar seus pontos positivos, fraquezas e como as emoções que sentem o fazem interagir nos relacionamentos interpessoais.

E  a solidão, faz bem?

A contrário de quem busca refúgio na própria companhia para recarregar as energias, se sentir sozinho o tempo todo não é nada benéfico. “A epidemia oculta” – é como o Reino Unido se referiu à solidão. Os números corroboram com o termo, já que mais de 9 milhões de pessoas dizem viver permanentemente ou frequentemente sozinhas, de uma população de 65,6 milhões, segundo a Cruz Vermelha Britânica. Muitas vezes o isolamento abre espaço para transtornos psicológicos graves, como a depressão e a ansiedade. Foi partindo desse fato que a Inglaterra decidiu criar um Ministério da Solidão.

O que é solidão?

A solidão é a desconexão; a ausência de pertencimento com o mundo e com os outros. Pessoas solitárias não conseguem sentir identificação com o meio e com quem está ao seu redor, causando isolamento. Tristeza e solidão não são bons aliados. A psicologia aponta que os transtornos mentais são muito comuns nas pessoas que se sentem sós e essa condição pode ser um gatilho para as crises de síndrome do pânico, ansiedade, estresse e depressão profunda. O Reino Unido percebeu as altas taxas de doenças mentais nas pessoas que vivem na solidão  e tomou a atitude de criar um ministério dedicado a erradicar esse mal silencioso.

Confira aqui os sintomas de depressão e como combatê-la.

Solitude e solidão

Ser sozinho é ter a solidão como parceira. Sentir a solitude é passar alguns momentos e não sofrer com isso, e sim, aproveitar da própria companhia. Como apontamos, essas duas situações são completamente diferentes e trazem consequências diversas. Enquanto sentir-se sozinho leva à angústia, isolamento e pode gerar uma lista grande de transtornos psicológicos, reservar um pouquinho de tempo para ficar com os próprios pensamentos pode ser uma grande aliada no desenvolvimento da inteligência emocional.

É importante apontar que cada indivíduo é diferente. Alguns, sentem-se energizados após alguns momentos sozinho, enquanto outros, não conseguem nem almoçar sem ter companhia de outras pessoas. É preciso respeitar o espaço de cada um e também entender que a própria companhia pode ser um grande presente, mas se prolongada, o feitiço vira contra o feiticeiro.

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