Álcool e demência: O abuso de álcool aumenta as chances de demência

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relação do álcool com demência

A demência é uma síndrome geralmente associada a pessoas mais velhas. Isso é tão evidente que perguntas como “Quais são os sinais de demência em idosos?” e “Como lidar com idosos com demência?” são recorrentes em pesquisas no Google. Entretanto, ela pode afetar qualquer pessoa.

A condição já afeta cerca de 50 milhões de pessoas no mundo, mas esse não é o dado mais preocupante. A expectativa da Organização Mundial da Saúde (OMS) é da síndrome estar presente na vida de 152 milhões de pessoas até 2050.

E demência senil tem cura? Não, existem somente tratamentos para retardar os efeitos dela. Por isso, é fundamental aprender mais sobre a situação e os sinais de demência senil. Somente assim será possível combatê-la adotando posturas e hábitos corretos.

Demência: significado e causas

Então,  o que significa a palavra ‘demência’?  A OMS classifica ela como “uma síndrome em que há deterioração da memória, do pensamento, do comportamento e da capacidade de realizar atividades cotidianas”. A demência, então, ocorre pelos danos às células cerebrais, o que implica num prejuízo de comunicação entre elas.

Apesar de entenderem o que acontece, os cientistas ainda não descobriram exatamente como elas ocorrem. Sabe-se, no entanto, o papel de duas proteínas no processo, conforme aponta o Relatório Mundial de Alzheimer de 2018.

A primeira, a beta-amilóide, acaba atingindo níveis desproporcionais no cérebro da pessoa que possui Alzheimer. Com isto, formam-se placas que se acumulam entre os neurônios e interrompem a função das células.

A outra proteína, chamada de tau, é responsável pela estabilização dos microtúbulos. Assim como a anterior, ela também atinge níveis anormais na demência. Na sua disfunção, criam-se emaranhamos neurofibrilares dentro dos neurônios que bloqueiam o sistema de transporte dos neurônios.

O que os pesquisadores ainda não sabem é exatamente como essas proteínas se relacionam umas com as outras. Até o momento, não há conhecimento científico que explique o desenvolvimento desses níveis tão elevados e prejudiciais à saúde.

Relação entre consumo abusivo de álcool e demência

E existe demência alcoólica? Bem, estamos tratando de uma demência não especificada, mas não há como negar o fato de que o consumo de álcool atua de forma direta no desenvolvimento da síndrome.

Nesse sentido, vale citar uma revisão publicada na “Alzheimer’s Research & Therapy” em 2019. Após a análise de 28 estudos sobre o assunto publicados entre 2000 e 2017, os pesquisadores chegaram a conclusão de que “o uso pesado de álcool foi associado a alterações nas estruturas cerebrais, prejuízos cognitivos e aumento do risco de todos os tipos de demência”.

Entretanto, é um estudo de 2018 que trabalhou a extensão dessa questão. Publicada no “The Lancet Public Health”, a pesquisa realizada na França analisou todos os pacientes adultos (maiores de 20 anos), que foram admitidos em hospitais na região metropolitana entre 2008 e 2013.

Ao todo foram observadas mais de 31 milhões de pessoas, no qual mais de 1 milhão foram diagnosticados com demência. Os resultados apontaram que o consumo em excesso de bebidas alcoólicas aumentaram em três vezes a incidência da demência.

E o que acontece no corpo? Bem, quando decomposto no organismo, o álcool produz acetaldeído, que é tóxico para as células cerebrais. Então, ele é capaz de causar danos permanentes no tecido do cérebro. Além disso, o consumo excessivo pode levar à deficiência de tiamina, que afeta a atividade cerebral e pode incorrer na síndrome de Wernicke-Korsakoff.

A pesquisa também destacou a associação dos transtornos por uso de álcool a outros fatores de risco para o início da demência. Ou seja, o consumo excessivo geralmente é acompanhado de outras situações agravantes da síndrome, como o tabagismo e a depressão.

Vale ressaltar que o estudo considerou os padrões da OMS para determinar o que seria o consumo abusivo. Para os homens, a ingestão é de 60 gramas de álcool por dia – cerca de seis drinques. Já no caso das mulheres, é o consumo de mais de 40 gramas de álcool por dia – cerca de quatro drinques.

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