Como os distúrbios mentais impactam a economia

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distúrbios mentais impactam a economia

Descaso no tratamento dos transtornos mentais pode causar crise econômica mundial de até 16 trilhões de dólares entre 2010 e 2030

O tema de saúde mental nunca esteve tanto em alta, mas infelizmente ele está cercado de prospecções negativas para o futuro. O número de pessoas com transtornos mentais cresce de maneira alarmante e, tanto os tratamentos quanto os cuidados com quem sofre deles, não possuem o mesmo ritmo.

Em relação a dados sobre saúde mental no Brasil,  Associação Brasileira de Psiquiatria divulgou que, no país, 23 milhões de pessoas necessitam de atendimento referente à doenças mentais, o que representa 12% da população. 

Num aspecto global, chega-se ao total de 400 milhões de indivíduos que são afetados por distúrbios psicológicos. Por conta disso, é necessário compreender a importância de se discutir doenças mentais na contemporaneidade.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), os problemas mentais ocupam a quinta posição entre as dez principais causas de incapacidade do homem. A saúde mental no Brasil recebeu incentivo com a aplicação em política de saúde mental de R$1,4 bilhão no último ano.

O que são transtornos mentais?

A OMS caracteriza transtornos mentais como comportamentos e condições que possuem alterações doentias e podem se expressar tanto no pensamento, como no comportamento e também no humor.

É importante ressaltar que um curto período de anormalidades, ou um único comportamento que seja considerado anormal, não significa que o indivíduo tenha realmente um transtorno. Para ser denominada e diagnosticada a doença mental, é preciso que esses comportamentos tenham persistência.

A Associação Brasileira de Psiquiatria considera um tempo de, geralmente, 6 meses ou mais, para caracterizar a presença de transtornos mentais. Sendo assim, existe uma grande diferença do indivíduo ser depressivo ou se encontrar em um estado deprimido, entre outros possíveis distúrbios.

Como os distúrbios mentais impactam a economia?

As estatísticas de transtornos mentais no Brasil apontam que 11,5 milhões de pessoas sofrem com depressão. No mundo, a OMS estima que cerca de 300 milhões de indivíduos no mundo sofram com a condição. Trata-se do distúrbio mental mais comum do planeta e que não para de crescer.

O aumento de transtornos mentais ao redor do globo é preocupante não só nos indicadores de saúde, mas também no âmbito econômico. Os distúrbios mentais podem custar cerca de 16 trilhões de dólares entre 2010 e 2030 se medidas para tratar e reduzir os casos não sejam tomadas, de acordo com um estudo do Lancet Commission.

A pesquisa reuniu 28 especialistas vindos de diferentes partes do mundo e que se dedicam às áreas de psiquiatria, saúde pública e neurociência. Além disso, o estudo também ouviu pacientes que sofrem de distúrbios mentais e também grupos de interesse, para alertar sobre a crise da saúde mental e seus impactos na sociedade

O documento publicado pelo Lancet relatou que em muitos países, pessoas com transtornos mentais, como depressão, ansiedade e esquizofrenia, sofrem, diariamente, violações nos direitos humanos, como tortura e emprisionamento. 

Um dos psiquiatras e pesquisadores, o indiano Vikram Patel, afirmou que as consequências dos distúrbios mentais cresceram drasticamente no últimos 25 anos. Segundo ele, isso ocorre por conta do crescente envelhecimento da sociedade e da redução da mortalidade infantil.

O problema, no entanto, é que os governos não acompanharam tal mudança e continuam a não investir o bastante nesse setor da saúde pública, seja em medicamentos, terapias ou pesquisas. “Nenhuma condição de saúde na humanidade foi tão negligenciada como a saúde mental”, declarou Patel. 

A importância da saúde psicológica

A importância da saúde mental vai além do bem-estar. Ela promove a saúde física e emocional, melhorias nos relacionamentos, produtividade no trabalho e, consequentemente, uma sociedade com qualidade de vida e economicamente mais estável.

Psicologia Online

Seja por vergonha ou falta de tempo, muitas pessoas deixam de procurar ajuda psicológica. Com a psicologia online, esses obstáculos podem ser vencidos de uma só vez, e ainda ser uma ferramenta essencial para auxiliar a redução – e uma possível extinção – da crise da saúde mental pesquisada pelo Lancet Comission.

As orientações online já eram permitidas desde 2012 pelo Conselho Federal de Psicologia (CFP), mas tinham muitas limitações quanto ao número de sessões e tipos. Com a nova resolução do CFP que entrará em vigor em novembro de 2018, a terapia online será completamente liberada, nos mesmos critérios de um atendimento presencial.

LEIA MAIS: Confira aqui 7 motivos para fazer terapia online!

Na lista de recomendações do Lancet Comission estão a valorização e da prática dos direitos humanos. Sendo assim, é empregada no sentido de fornecer acesso a emprego, educação e outras experiências vitais para a vida.

Tendo em vista os dados sobre doenças mentais apresentados, a pesquisa também chamou atenção para o fornecimento de condições apropriadas de tratamento, medicamentos e profissionais qualificados. Então, o estudo ressalta a necessidade de existir toda uma comunidade preparada para receber e cuidar dos pacientes que sofrem de transtornos mentais. 

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