Os desafios do psicólogo no mundo empresarial – Pela psicóloga Anne Griza

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Conhecer profundamente as necessidades dos trabalhadores e da empresa, e encontrar uma forma de atender ambos, sem que nenhum tenha prejuízo. Esse é o assunto que a psicóloga Anne Griza, profissional com mais de 11 anos de experiência em Recursos Humanos, explorou em seu texto que você pode conferir logo abaixo.

Desafios do psicólogo no mundo empresarial

A Psicologia Organizacional estuda os fenômenos psicológicos presentes nas organizações. Seu papel fundamental é lidar com os problemas organizacionais referentes à gestão dos recursos humanos. O psicólogo organizacional, portanto, atua como facilitador das relações entre os indivíduos e a organização e contribui para o desenvolvimento de ambos. Este profissional preocupa-se com os processos de trabalho, com a cultura organizacional, com os processos de comunicação organizacional, com a saúde e a doença do trabalhador, entre outras questões pertinentes à organização.

 A história da Psicologia Organizacional desenvolve-se de um modelo de gestão de recursos humanos, no qual o principal papel do psicólogo era moldar e adaptar o trabalhador à empresa, para um modelo de gestão de pessoas, no qual existe a preocupação do psicólogo com a saúde do trabalhador. Este modelo não exclui a preocupação com os lucros da empresa, pois ele vai além da visão do psicólogo como promotor de ajustamentos dos indivíduos em busca da eficiência máxima, como ele era visto anteriormente. O que o psicólogo organizacional busca agora é priorizar o desenvolvimento do indivíduo inserido na organização, através de mudanças planejadas e participativas e que cada um possa adquirir controle sobre o ambiente em que se encontra.

A Psicologia Organizacional identifica-se com as tarefas de recrutamento e seleção, treinamento, desenvolvimento, capacitação, avaliação de desempenho, análise de cargos, salários e tarefas, diagnóstico socioambiental, diagnóstico da saúde mental no trabalho, diagnóstico e proposições sobre problemas organizacionais ligados aos recursos humanos, orientação profissional, cultura e clima organizacionais, políticas de saúde ocupacional, integração do trabalhador, movimentação interna de pessoal, entre outras. Este viés do trabalho do psicólogo inclui diversas práticas e conceitos que têm como objetivo auxiliar os líderes das empresas a compreender e a lidar com o fator humano. Para isso, estuda processos de tomada de decisão, motivação, clima organizacional, qualidade de vida no trabalho, processos e tipos de liderança, comunicação interpessoal e organizacional, desenvolvimento de recursos humanos, entre outros.

A partir disso, pode-se perceber que as tarefas do psicólogo organizacional são bastante técnicas, ao mesmo tempo, não se pode esquecer que o objetivo do psicólogo nas empresas é com os indivíduos. Sua tarefa será sempre focada no ser humano e em sua capacidade de descobrir-se, crescer e libertar seu potencial. Sua tarefa é, portanto, a saúde mental do trabalhador.

O que acontece em contrapartida a isso é que, conforme diz Dejours, não existe trabalho sem sofrimento, dado o fato de que mesmo o trabalho realizado com motivação e que gratifica, exigirá esforço, concentração, raciocínio, desgastará física e/ou emocionalmente o indivíduo, poderá levar à frustração, à irritabilidade e até à agressividade. Desta forma, pode-se afirmar que o trabalho é estruturante e determinante na forma de ser e de se comportar de cada um.

O que muitos autores, entre eles Dejours, afirmam, é que as exigências do mundo corporativo atual estão gerando cada vez mais sofrimento nos trabalhadores. As altas cobranças, as metas a serem alcançadas, o trabalho precário, as condições de trabalho, os assédios, entre outros, podem provocar sintomas físicos e psicológicos, que causam sofrimento ao funcionário e podem prejudicar sua produtividade no trabalho.

Trabalhar em si não gera sofrimento, nem as doenças relacionadas ao trabalho. São as relações que os indivíduos estabelecem com o seu exercício laboral que gerarão tristeza e descontentamento, pois cada um, com sua personalidade, seu modo de pensar e de agir é que vai lidar com o ambiente organizacional, com os conflitos e com as dificuldades.

Empresas em que a pessoa não é reconhecida, onde ela se preocupa com sua segurança, sua saúde e o meio ambiente, em que as relações com colegas e lideranças são precárias e onde existe muita pressão ocasionam consternação. Este por sua vez, pode gerar afastamentos, rotatividade alta, baixa produtividade, e seu conhecimento pode levar à mudança organizacional, na busca de melhorias para a saúde e bem-estar do trabalhador.

É neste cenário que se encontra o grande desafio dos psicólogos: tornar o ambiente de trabalho mais ameno aos trabalhadores, diminuir seu sofrimento, ao mesmo tempo em que mantém a produtividade em alta. Esse profissional é cada vez mais requisitado a fazer parte do planejamento estratégico das empresas, dada sua importância na prevenção e promoção da saúde do trabalhador.

Tarefa esta que enfrenta o ambiente competitivo, a busca desenfreada pelo lucro e as necessidades de cada indivíduo dentro da organização. Ainda, as dificuldades do mercado e a especificidade do trabalho podem gerar sofrimento e doenças ao trabalhador. Exemplos disso são as doenças ocupacionais em trabalhadores de frigoríficos (doenças ligadas aos pulmões, depressão, problemas físicos), trabalhadores da saúde (síndrome de Burn-out ou exaustão emocional, estresse), ataques de pânico e fobias entre gestores, etc.

Só para ter uma ideia, a depressão é responsável por retirar do mercado de trabalho 75,3 mil trabalhadores. Esta doença representa 37,8% dos casos de afastamentos por transtornos mentais e comportamentais registrados em 2016 e é a terceira maior causa de afastamentos registrada pelo INSS. Outras causas de afastamentos são o estresse, a ansiedade, transtornos bipolares, a esquizofrenia e transtornos mentais relacionados ao consumo de álcool e cocaína. Em 2016, mais de 199 mil pessoas se ausentaram do trabalho e receberam benefícios relacionados a estas enfermidades.

O psicólogo organizacional é peça chave dentro das empresas para a promoção da saúde dos trabalhadores, para a definição dos perfis mais adequados a cada cargo e para a seleção criteriosa de quem ocupará cada vaga. É dele a responsabilidade também de pensar estrategicamente cada vaga na empresa, levando em consideração o trabalho a ser realizado e os desafios a serem encarados pelo profissional escolhido para ela.

Além disso, é dele também a responsabilidade pelo planejamento estratégico de saúde do trabalhador implementado pela empresa, é dele a tarefa de pesquisar a cultura e o clima organizacional, a fim de verificar se estão gerando saúde ou doença.

E não somente levantar dados, mas é do psicólogo a tarefa de acompanhar a saúde mental do trabalhador, permitindo a ele ter um espaço em que possa falar o que sente, em que possa ser acolhido em suas angústias, como os grupos nas empresas, os acompanhamentos funcionais e os treinamentos. Mais do que recrutar e selecionar, o psicólogo é peça chave no desenvolvimento empresarial e pessoal de cada um dentro da organização.

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