Como sair de um relacionamento abusivo

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Atualmente, ouvimos falar bastante sobre o relacionamento abusivo, porém, muitas pessoas ainda não sabem exatamente o que isso realmente significa ou como identificar essas características dentro das suas relações.

Vamos deixar claro: uma relação abusiva é aquela que predomina o poder excessivo de um sobre o outro, a partir de ações, atitudes e ordens verbais que humilham, constrangem e limitam. De maneira geral, uma relação pode ser considerada abusiva quando uma das partes apresenta poder e controle sobre o outro, impossibilitando suas ações, opiniões ou comportamentos.

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É importante ressaltar esse conceito, pois muitos vivem num relacionamento abusivo e não sabem, já que pensam que a relação só é abusiva quando existe violência física ou verbal. No entanto, qualquer relacionamento em que haja intimidação, abuso de poder, manipulação, perda de liberdade, punição, violência psicológica ou humilhação pode ser considerado como abusivo.

Além disso, as relações abusivas muitas vezes podem vir disfarçadas de cuidado, passando despercebido enquanto a vítima se sente cada vez mais em dívida e culpa perante o outro. As atitudes abusivas podem acontecer com qualquer pessoa, independente de gênero, idade e relação.

Quais seriam os sinais de uma relação abusiva?

Detectar um relacionamento abusivo pode não ser uma tarefa tão fácil, principalmente, porque inclui perceber sinais problemáticos numa relação afetiva. Dessa forma, descrevo abaixo algumas formas de abuso para prestar atenção.

  • Abuso físico: inclui beliscões, tapas, socos, empurrões, chutes e qualquer tipo de ataque físico. Não existe justificativa para ele, mesmo que ocorra somente uma vez;
  • Abuso emocional: inclui humilhações, menosprezo, comportamento controlador, ameaças, intimidação e desonra. Se o seu parceiro o faz sentir constantemente inútil ou desprezível, você está em uma situação de abuso;
  • Abuso financeiro: acontece quando o agressor tem total controle sobre a vítima através das finanças, privando-a da liberdade pessoal. Isso acontece de muitas maneiras, como impedir que o parceiro trabalhe, tomar dinheiro que o parceiro ganhou ou negar seu acesso à conta bancária;
  • Abuso sexual: trata-se de uma prática muito comum da violência doméstica. O fato de ter tido relações consensuais com o agressor no passado não implica na obrigação de ter relações sempre que ele quiser. Outros aspectos que compõem o abuso sexual é engravidar a mulher sem o consentimento dela ou forçá-la a abortar contra vontade.

Além disso, vale ressaltar que nem todos os aspectos ocorrem simultaneamente, às vezes pode ser apenas um ou outro.

Como sair de um relacionamento abusivo

Agora que entendemos o que configura um relacionamento abusivo, devemos partir para o ponto principal: como sair deste relacionamento.

Sair de um relacionamento abusivo é muito mais difícil do que parece. Na maioria dos casos, a pessoa passa por situações em que normalmente sua autoestima é praticamente extinta, além de configurar uma profunda dependência emocional.

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Então, deixei algumas dicas para sair deste relacionamento de uma forma segura e saudável.

Faça uma autoanálise da sua relação

O primeiro ponto é fazer uma autoanálise do seu relacionamento, levando em consideração tudo o que de fato acontece. Então, observe se você se sente triste ou controlado a todo momento. Entenda se você é livre, se sua opinião importa ou se consegue realmente o que quer.

Em muitos dos casos, o abusado não consegue se imaginar com outra pessoa e acaba permanecendo preso por conta dessa ilusão. Aliás, ciúmes em excesso também é outro fator característico de uma relação em que há abuso emocional.

Inicie seu processo de tomada de decisão

Ao identificar os sinais que demonstram um relacionamento abusivo, é necessário, logo em seguida, começar o seu processo de tomada de decisão. Como já deve ser do seu conhecimento, essa etapa não é fácil.

O medo de ficar sozinho ou de até mesmo ser infeliz é enorme. Dessa forma, às vezes falta até a coragem de cogitar ou iniciar uma conversa sobre o término do relacionamento. Então, a busca por apoio nessa etapa é muito importante.

Sendo assim, faça uma autoanálise criteriosa e junte a coragem necessária para finalmente tomar a decisão de comunicar o seu parceiro sobre o término da relação. Uma dica: evite qualquer tipo de discussão e deixe bem claro que essa é uma medida que já foi pensada e que não tem volta, pois não existem debates e nem argumentos que te farão mudar de ideia.

Tome a decisão com segurança e assertividade

Ao identificar comportamentos agressivos no companheiro, procure comunicar a decisão de acabar o relacionamento em locais públicos, por telefone ou até mesmo próximo de alguém que você conhece.

Crie um ambiente seguro e procure ter a autoestima para tomar essa decisão sem voltar atrás. O ideal é ter completa segurança e convicção.

Busque ajuda

A primeira coisa que a pessoa abusiva fará é dizer que está tudo bem com vocês e que amanhã ela será uma pessoa melhor. O abusador também dirá que não precisam da ajuda de outros e que o amor pode superar a violência.

O amor supera tristezas, dificuldades e diferenças, entretanto, o amor tem como base o respeito. Sendo assim, atos de brutalidade vão contra tudo o que o verdadeiro amor representa.

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O amor é nutrido pela bondade e gentileza. Porém, se houver violência e abuso, não importa qual seja o tamanho desse amor, ele irá se desintegrar e morrer. Portanto, busque ajuda para sua vida. Há profissionais, familiares e amigos sempre prontos para lhe ajudar a sair desse sofrimento.

Faça terapia

Procure um psicólogo para ajudar nesse processo de autoconhecimento. O atendimento psicológico será capaz de fazer você compreender o porquê isso aconteceu, além de entender realmente o lado emocional, a dependência e também melhorar a autoestima.

Seja paciente

Às vezes, o sofrimento foi tão grande que você só deseja se ver longe desta pessoa, mas é preciso paciência e cuidado, pois pessoas abusivas também são manipuladoras.

Para que o seu parceiro entenda que a relação acabou, fale da forma mais clara e cautelosa possível. Além disso, nunca fique sozinho com ele, já que não sabemos do que o outro é capaz quando receber o não.

Cuide de si mesmo

O relacionamento abusivo tende a danificar e destruir o melhor da pessoa que sofre o abuso. Dessa forma, uma das melhores coisas que você pode fazer é começar a cuidar de si mesmo.

Levante a cabeça, cuide de sua aparência, se reencontre ou se reinvente. Porém, jamais desista de si, nem por nada e nem por ninguém.

Seja firme na sua decisão

Geralmente, a pessoa abusiva tende a ser perversa, egoísta e tóxica. Então, por mais que o outro prometa mudanças em sua maneira de ser, ele não será confiável, pois repetirá o mesmo comportamento.

Infelizmente, o abusador tende a destruir tudo que a cerca, principalmente, a pessoa amada, afinal, se esta não se submeter aos caprichos e vontades egoístas do outro, ela sofrerá violência verbal, psicológica e até física.

Às vezes, é preciso dizer “adeus” por mais difícil que seja. Permaneça firme na sua decisão. Você deve e merece ser feliz, pois só se deve lutar pelo que realmente vale a pena.

Relacionamento abusivo não é saudável

Na maioria das vezes, a pessoa abusada tem dificuldade de se reconhecer como tal, o que dificulta a ruptura dessa relação desigual de poder. Entretanto, quando a pessoa chega no limite nesse tipo de relação, ela costuma apresentar sinais, principalmente, de saúde.

Dessa forma, é comum observar na vítima dores de cabeça e no corpo, ansiedade, insônia, depressão, crise de pânico, formigamento, dificuldade em respirar, pressão emocional, compulsão alimentar, falta de autoestima e até pensamentos suicidas.

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Ou seja, quando a sua relação interfere não só no seu bem-estar emocional, mas também nas suas atividades diárias, é mais do que um sinal para você começar a cuidar de si e perceber que algo não está correto.

Busque ajuda de um profissional para trabalhar a sua autoestima. Não se acostume com a infelicidade. Você merece ser amado(a) de uma forma sadia. Uma relação saudável te faz crescer como pessoa. Ela te aceita, respeita e valoriza exatamente como você é.

Nunca se esqueça que o amor não controla, humilha, constrange, manipula, debocha, chantageia, ameaça, agride, prende, menospreza, diminui, engana ou maltrata.

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