Psicólogas famosas: As 5 mulheres mais importantes da psicologia e psiquiatria

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Psicólogas famosas: As mulheres importantes e que fizeram história na Psicologia e Psiquiatria.

Ouvimos a história do mundo através das vozes de grandes homens: suas fotografias pomposas ocupam as páginas de destaque de livros e seus feitos e descobertas jamais serão esquecidos. Mas a história do mundo é grande demais para se ter uma só perspectiva, uma só voz.

Esquecer, ocultar ou se apropriar da participação da mulher em diferentes épocas e áreas ao longo do tempo é um retrocesso à evolução de grandes ideias e feitos. Por exemplo, se te pedíssemos para dizer o nome de 3 grandes cientistas mulheres em menos de 30 segundos, você conseguiria? Muita gente empacaria logo no começo ou desistiria. Mas, se o mesmo fosse pedido com relação aos homens, nomes como Einstein, Newton ou Hawking surgiriam com mais facilidade.

Mas elas existem: as cientistas, inventoras, generais, psicólogas e psiquiatras. Embora por muito tempo elas tenham sido convenientemente deixadas de lado, hoje, nesse artigo, traremos algumas dessas grandes mulheres da psicologia e psiquiatria, mulheres importantes na história, mulheres que inspiram.

Psicologia é coisa de mulher?

Em 2013, o Conselho Federal de Medicina (CFP) divulgou uma pesquisa intitulada “Quem são as psicólogas brasileiras?” que afirma que “as mulheres constituem 89% da categoria, a partir de dados sobre a população levantados diretamente do cadastro do CFP e que orientaram o cálculo da amostra”. Seguindo essa linha, a pesquisa investigou também a base salarial da área. “Como a psicologia é uma profissão “feminina”, pelo menos em termos quantitativos, não surpreende que os salários, de uma maneira geral, não sejam elevados”.

A questão é que, ao longo da história, mesmo que a Psicologia tenha tido inúmeras profissionais que revolucionaram o ramo e seja majoritariamente composta por mulheres, os nomes dos homens foram os que ganharam destaque, a exemplo de Sigmund Freud, Carl Gustav Jung, Burrhus Frederic Skinner, Ivan Pavlov, entre outros. Como mostraremos a seguir, o “esquecimento” das mulheres psicólogas e psiquiatras não se deu por terem conquistado ou colaborado menos, e sim porque a credibilidade da mulher foi sempre colocada abaixo simplesmente pela questão de gênero.

As 5 mulheres mais importantes da psicologia

1Nise da Silveira

Brasileira, nordestina e responsável por desconstruir um importante tabu da sociedade: a loucura. Os distúrbios psiquiátricos eram tratados com métodos agressivos e violentos antes da chegada de Nise à questão. A médica psiquiatra dedicou a sua vida à erradicação do tratamento de choque, confinamento de pacientes, lobotomia e insulinoterapia. Ela também teve papel importante na divulgação das pesquisas e trabalhos de Carl Jung, renomado psiquiatra suíço e professor de Nise.

Seu trabalho na humanização do tratamento dos distúrbios psiquiátricos abriu as portas para que mais pesquisas pudessem ser feitas. Tanta dedicação lhe rendeu inúmeras, homenagens, prêmios e condecorações, como a “Ordem do Rio Branco”, no Grau Oficial pelo Ministério das Relações Exteriores, em 1987. Sem dúvidas, Nise foi, e continua sendo até hoje, uma das mulheres mais importantes do Brasil.

2Anna Freud

Quando dizemos o nome “Freud”, logo o associamos ao pai da psicanálise, Sigmund Freud. Mas o que muita gente não sabe é que sua filha, Anna Freud, foi uma grande psicanalista na área do estudo de tratamento de crianças. Pedagoga por formação, a austríaca se dedicou à análise infantil e aos mecanismos de defesa do ego, estudos que serviram de inspiração e base para pesquisadores da época e também da atualidade.

3Melanie Klein

Apesar de ter o mesmo país de origem que Anna Freud e ser sua contemporânea, Melanie Klein apresentou divergências para com sua conterrânea no campo da Psicologia. Assim como Anna Freud, Klein se dedicou à psicologia infantil, mais especificamente à teoria do jogo, técnica amplamente utilizada até hoje em que as crianças expressam os sentimentos e experiências através de brincadeiras e atividades lúdicas. Segundo Klein, o ato de brincar é uma forma de comunicação e deve ser levada para o campo da análise em prol da pesquisa e investigação de sintomas de doenças, traumas, entre outros.

4Mary Whiton CalkinsI

A American Psychological Association (APA) é a principal organização científica de Psicologia nos Estados Unidos e foi fundada em 1892. Em 1918, a filosofa e psicóloga americana Mary Whiton Calkins, se tornou a primeira mulher a assumir o cargo de presidência da APA. Esse foi um grande mérito conquistado por sua árdua luta contra o preconceito. Calkins nasceu em 1863, época em que as mulheres não podiam estudar formalmente em universidades.

Decidida a tornar-se psicóloga, o grande sonho da americana era cursar Psicologia em Harvard, mas nunca obteve admissão formal para estudar na instituição e, por isso, foi aprovada apenas para participar de palestras. Embora nunca tivesse obtido a graduação formal, a psicóloga realizou inúmeros trabalhos na área, além do desenvolvimento da técnica de associação pareada e da autopsicologia.

5Annita de Castilho e Marcondes Cabral

A Universidade de São Paulo é uma das maiores do Brasil e foi fundada, ainda como faculdade, em 1827. Como mencionamos anteriormente, a história da psicologia conhece muitos nomes de grandes homens, mas pouco é compartilhado sobre grandes mulheres da área. Annita de Castilho e Marcondes Cabral é uma das psicólogas famosas brasileiras pelo seu trabalho e pesquisa, além de ter idealizado, batalhado e fundado, em 1957, o Curso de Psicologia da USP.

“Formou-se com distinção na primeira turma da Secção de Filosofia, na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras (FFCL/USP). No ano seguinte, exerceu o cargo de Primeira Assistente das duas cadeiras de Sociologia da FFCL/USP que eram dirigidas, respectivamente, por Roger Bastide e Paul Arbousse-Bastide”, conta o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, em seu portal.


Todas essas mulheres se destacaram profissionalmente em épocas em que a mulher mal podia estudar. Os direitos, respeito e igualdade eram parcos e obtê-los era uma batalha diária. Para os homens, o trabalho de pesquisa e divulgação científica pode ser desafiador, mas para a mulher, além disso, existiam — e ainda existem — obstáculos como o preconceito, falta de respeito, descrédito, apropriação, baixo salário, assédio e outras inúmeras questões pelas quais a luta acontece todos os dias e deveria ser lembrado não só no dia 8 de Março, o Dia Internacional da Mulher, mas sim, sempre.

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