Abuso no ambiente de trabalho: como a terapia pode ajudar?

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Conforme já sabemos, nosso mundo foi se estruturando de forma competitiva e capitalista. O que importa são os lucros, a produção e o consumo. Não estou questionando se isso é certo ou errado. O fato é que vivemos para produzir e consumir.

Para compreender melhor o contexto da competição estruturada, podemos voltar na história e ver como a sociedade se organizava economicamente, passando pelo escambo das idades antiga e medieval, seguida pelo mercantilismo da idade moderna, formação dos burgos (urbanização massiva), revolução industrial, tentativas de implementação do socialismo e comunismo, guerras, globalizações e mercados financeiros em geral.

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Somos produtos de todos esses contextos e desde que o mundo é mundo há um jogo de forças que tentam se sobrepor uma à outra. Sempre vemos que há sistemas hierárquicos onde os mais fortes dominam os mais fracos. Na natureza os animais mais fortes, geralmente, mandam e se alimentam dos mais fracos. Em nossa sociedade, isso não é diferente.

Vimos grandes impérios históricos surgirem e acabarem. Mesopotâmia, Egito, Grécia, Roma, cristãos, árabes, etc. Além do domínio dos povos ameríndios, por exemplo, como os maias, astecas e incas. Isso sem falar nos impérios de povos da África, do Oriente e Oceania. Depois, vieram as grandes navegações, colonialismos, o domínio dos povos desses continentes por portugueses, espanhóis, ingleses, franceses, holandeses, etc.

Abuso no ambiente de trabalho

Pois bem, esse ambiente de competição e hierarquia também existe nas empresas. É muito possível que para exercer o controle e o domínio, muitos indivíduos sem caráter e sociopatas queiram assediar moralmente seus subordinados.

Dessa forma, vemos na prática um jogo de dinâmica empresarial injusto e trapaceiro. Menosprezar, caluniar, difamar, humilhar, ridicularizar, manipular, fazer terror psicológico, ameaçar de demissão, chantagear, constranger na presença dos demais são só algumas práticas de abusos possíveis de ocorrer.

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Além disso, é importante comentar também sobre o próprio abuso sexual. Pode não parecer, mas ele também faz parte de todo esse mecanismo de competição, ganância e controle e manipulação.

O que fazer nessas situações?

O que pode ser feito nesses casos é formalizar uma denúncia para os altos níveis da empresa, recursos humanos, departamento jurídico, etc. Aliás, é importante arrumar testemunhas e provas documentais. Então, aproveite também que atualmente os celulares filmam, gravam, tiram fotos, etc.

Porém, caso essas tentativas não funcionem, busque auxílio da justiça do trabalho. Muitas pessoas não sabem, mas o abuso moral pode ser configurado como um crime. O importante aqui é buscar ajuda e não somente de um ponto de vista administrativo e legal.

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O abuso pode abalar muito a autoestima do funcionário em questão. Sendo assim, é aconselhável a pessoa passar por um processo de psicoterapia para trabalhar o trauma e a humilhação por ter sido exposto e manipulado de forma terrível. Afinal, o abuso moral pode, inclusive, gerar sequelas mentais que terão que ser tratadas por muito tempo.

Ainda, se possível, a vítima deve legalmente pressionar para receber essa assistência psicológica e ou psiquiátrica da própria empresa onde foi humilhada. Além de tudo isso, é preciso haver punições exemplares e reparações por danos morais.

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Psicólogo Pedro Sammarco - CRP 06/66066
Desde que me formei em psicologia em 2002 já iniciei meus atendimentos em consultório, onde estou até hoje. Logo em seguida fiz cursos na área clínica em gestalt-terapia e psicoterapia existencial. Dediquei-me também aos estudos de mestrado e doutorado voltados a psicologia social, sexualidade e envelhecimento. Além disso, sou plantonista voluntário do Centro de Valorização da Vida (CVV) desde 1998, prestando apoio emocional e psíquico. É importante mencionar que atuei cinco anos como psicólogo clínico no Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da USP. Quando solicitado, palestro em escolas, ONGs, dentre outros. Também atuo como psicólogo voluntário em ONG que presta amparo ao LGBT idoso.

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