Assexualidade: o que é ser uma pessoa assexual?

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O termo “assexual” é usado para descrever uma orientação sexual na qual uma pessoa não sente atração sexual por outras pessoas. No entanto, esta “orientação do desejo afetivo sexual” pode ser definida como a direção pela qual o desejo sexual é orientado fisicamente e/ou afetivamente.

É importante destacar que a assexualidade não está relacionada à identidade de gênero, orientação romântica ou preferências emocionais. Contudo, para entender mais acerca do tema, vamos começar explicando o que é o desejo sexual.

O que é o desejo sexual?

O desejo sexual desempenha um importante papel na formação da orientação sexual. Ele é um impulso subjetivo e comportamental em relação ao objeto de desejo. 

Contudo, este impulso visa obter como resposta uma grande sensação de prazer e satisfação sexual. Logo, é um fenômeno de grande complexidade, cuja manifestação ocorre pela interação simultânea de estímulos biológicos, psicológicos e sociais. 

Segundo as ciências biomédicas, a atividade sexual pode ser dividida em três fases: desejo, excitação e orgasmo. Entretanto, muito ao contrário do que pensam alguns, o desejo sexual do ser humano adulto e consciente não se compara à simples pulsões fisiológicas, como é o caso da fome ou da sede. 

A orientação sexual

O termo “orientação do desejo afetivo sexual” ou simplesmente “orientação sexual” surgiu na década de 1980, nas ciências biomédicas, como forma de demonstrar a natureza profundamente enraizada e biológica do desejo afetivo sexual.

Até sua criação, as orientações do desejo afetivo sexual eram chamadas de “preferência” ou “opção sexual”. Tais termos não expressam a realidade do que acontece, pois implicam uma escolha consciente.

Quando se pensa que alguém escolhe sua orientação sexual, a escolha pode ser refeita de tempos em tempos. Porém, quando se percebe que a orientação sexual acontece de forma complexa, não é simplesmente uma escolha, pois é composta por aspectos biológicos, psicológicos e sociais.

A assexualidade como orientação sexual

Não há como simplesmente escolher determinada orientação do desejo afetivo sexual de tempos em tempos. Diante disso, a assexualidade é uma orientação sexual.

Desse modo, as pessoas assexuais podem ter uma variedade de experiências e preferências em relação ao sexo e ao romance, mas elas não experimentam atração sexual direcionada a outras pessoas. 

A assexualidade é uma identidade válida e legítima, assim como outras orientações sexuais, e cada pessoa assexual pode vivenciar sua sexualidade de maneira única.

Mitos sobre ser assexual

Existem alguns mitos e equívocos comuns sobre ser assexual. Desse modo, é importante desmistificar essas ideias errôneas e compreender a realidade das pessoas assexuais. Confira os principais mitos da assexualidade:

1. Ser assexual é uma escolha causada por desequilíbrio emocional

Diferente do celibato, que é uma escolha, e do desejo sexual hipoativo, que é uma patologia, a assexualidade pode ser considerada orientação sexual. No entanto, o Distúrbio de Aversão Sexual ou o Distúrbio de Desejo Sexual Hipoativo, não são espectros da assexualidade.

Esses dois distúrbios são condições mentais associadas à ansiedade em relação ao contato sexual. Um assexual pode sentir-se ansioso devido a pressões e reações da sociedade, mas não devido à ideia de contato sexual. Em suma, simplesmente não está interessado. A assexualidade não é causada por desequilíbrio químico ou hormonal.

2. Assexuais possuem medo de relações sexuais

Ainda que algumas pessoas pensem isso, assexuais não têm medo da intimidade. Muitos desejam estar e estão em relacionamentos. Não apenas com outros assexuais, mas também com pessoas sexuais, que possuem desejo sexual. 

Segundo estudo feito na University Of South Dakota, nos Estados Unidos, o espectro assexual tem duas orientações: orientação sexual e orientação romântica. Várias identidades se enquadram nessas categorias.

Dessa forma, as pessoas assexuais possuem as mesmas necessidades emocionais que todos os outros. Eles podem se sentir romanticamente atraídos por outras pessoas, que podem ser do mesmo sexo ou não. 

Como é ser uma pessoa assexual?

Ser uma pessoa assexual pode variar de indivíduo para indivíduo, pois cada pessoa tem suas próprias experiências e sentimentos. Alguns assexuais se sentem atraídos por outras pessoas que não conhecem, outros assexuais preferem amizades íntimas ao invés de relacionamentos íntimos. 

No entanto, alguns podem experimentar a excitação e outros se masturbam sem ter interesse em fazer sexo com outra pessoa, por exemplo. Nesse sentido, algumas pessoas assexuais não querem ter contato sexual, enquanto outras podem se sentir “neutras em relação ao sexo”. 

Como a terapia pode auxiliar a pessoa assexual?

Da mesma forma que pessoas de outras orientações sexuais fazem acompanhamento com psicólogos na terapia, assexuais também podem se beneficiar desse método.

O psicólogo é capaz de auxiliar, guiar e sanar dúvidas pessoais que a assexualidade pode causar em pessoas que ainda possuem questionamentos e perguntas acerca desse espectro. 

Sendo assim, se você acha que pode fazer parte deste grupo ou conhece alguém que pode estar precisando de terapia para viver de maneira mais tranquila e feliz, não deixe de procurar um terapeuta.

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Desde que me formei em Psicologia em 2002, já iniciei meus atendimentos em consultório, onde estou até hoje. Logo em seguida fiz cursos na área clínica em Gestalt-Terapia e Psicoterapia Existencial. Dediquei-me também aos estudos de mestrado e doutorado voltados a Psicologia Social, Sexualidade e Envelhecimento. Além disso, sou plantonista voluntário do Centro de Valorização da Vida (CVV) desde 1998, prestando apoio emocional, psíquico e prevenção do suicídio. É importante mencionar que atuei cinco anos como Psicólogo Clínico no Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da USP. Quando solicitado, palestro em escolas, ONGs, etc. Em 2013 lancei o livro "Travestis Envelhecem?" e em 2017 o meu segundo, intitulado "Homofobia Internalizada: o preconceito do homossexual contra si mesmo" ambos pela editora Annablume. Atuo como Psicólogo voluntário em uma ONG que presta amparo ao LGBTQIAP + idoso dentre outras. Também leciono no Centro Universitário São Roque. Atendimento a partir dos 18 anos de idade.

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