Você sabe a diferença entre insônia e hipersonia?

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insônia x hipersonia

Há quem pense que somente a falta de sono se enquadra num distúrbio do sono, mas saiba que dormir em excesso também é! Insônia e Hipersonia são transtornos do sono bem diferentes.

O sono é essencial para o funcionamento do organismo. Sem a sua função restauradora, seríamos verdadeiros zumbis nos rastejando por aí. Além disso, ele age na sensação de bem-estar durante o dia, pois durante o ciclo do sono, o corpo remove do cérebro proteínas tóxicas, as beta-amiloides, e se não forem removidas, interferem com o funcionamento dele.

Leia também em nosso blog sobre os sinais de insônia.

Muitos pesquisadores batem na tecla de que a quantidade de sono que os indivíduos precisam gira em torno das oito horas, mas o que eles esquecem é que isso pode variar de organismo para organismo. 

Preocupado com o panorama mundial do sono, o neurocientista britânico Matthew Walker é responsável por um laboratório de sono na Universidade da Califórnia, Berkeley, nos Estados Unidos, e procura combater o estigma “preguiçoso” de quem faz as oitos ou mais horas de sono. Ele argumenta que a preocupação mora no inverso, pois a falta de sono “é responsável por doenças, acidentes, problemas mentais e fadiga que afetam todos nós”, contou à BBC.

Mas o perigo mora justamente no excesso, seja em dormir muito ou dormir pouco. Ambos os casos são considerados distúrbios do sono.
Os distúrbios do sono consistem em alterações nos padrões ou nos hábitos de dormir. Essas dificuldades relacionadas ao sono incluem a insônia, ronco e apneia do sono, sonambulismo, hipersonia, bruxismo, síndrome das pernas inquietas e narcolepsia, segundo o Instituto do Sono.

Saiba tudo sobre distúrbios do sono aqui em nosso blog.

O que é insônia?

Quase todo mundo já sofreu com a perda de sono durante a noite pelo menos uma vez e sabe dos efeitos devastadores que não dormir pode causar no dia seguinte. Imagine, agora, quem enfrenta a privação do sono numa rotina incessante.  

A insônia é um pesadelo para mais de 40% dos brasileiros, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde). Esse distúrbio se caracteriza por “dificuldade em iniciar o sono, ou por acordar durante a noite com dificuldade para voltar a dormir com consequências no dia seguinte. Segundo o Manual MSD, “cerca de 10% dos adultos sofre de insônia de longa duração (crônica) e 30 a 50% sofrem de insônia em algum momento”.

O que causa a insônia?

Esse transtorno do sono pode ter causas psiquiátricas, como ansiedade, depressão, uso de medicamentos em longo prazo e bebida alcoólica. Mas os fatores biológicos também podem causar esse distúrbio.

O Manual MSD listou as seguintes causas para o problema:

  • Maus hábitos de sono, como consumir bebida com cafeína à tarde ou à noite, fazer exercícios tarde da noite, ou ter um horário irregular de sono-acordado;
  • Problemas de saúde mental, particularmente de humor, ansiedade e transtornos de abuso de substâncias;
  • Outros problemas, como problemas cardíacos e pulmonares, doenças que afetam os músculos ou os ossos, ou dor crônica;
  • Estresse, como aquele devido à hospitalização ou perda de um trabalho (chamado insônia de ajuste);
  • Excesso de preocupação com a falta de sono e outro dia de fadiga (chamado de insônia psicofisiológica);

Sintomas da insônia

  • Dificuldade para dormir durante a noite;
  • Perder o sono durante a noite;
  • Acordar muito cedo;
  • Não se sentir descansado após uma noite de sono;
  • Cansaço ou sonolência diurna;
  • Irritabilidade;
  • Depressão ou ansiedade;
  • Dificuldade de concentração;
  • Dificuldade em reter informações;
  • Dores de cabeça;
  • Problemas gastrointestinais;
  • Preocupações contínuas com o sono;
  • Entre outros.

Tratamento da insônia

Existem alguns tipos de tratamentos indicados para a insônia e eles dependem do quadro de cada paciente. A mudança de hábitos é o primeiro caminho.  O neurocientista Matthew Walker dá cinco dicas para
dicas para dormir bem, dentre elas, dormir no escuro e manter horários regulares de sono.

Medicamentos prescritos por médicos especialistas também podem auxiliar no tratamento, principalmente nos casos de insônia crônica. Além disso, a psicoterapia é altamente indicada, principalmente para os casos atrelados à depressão, estresse, ansiedade e outras causas de origem psiquiátrica.

Veja também 5 dicas para combater a insônia.

Hipersonia

Se a insônia é caracterizada pela falta de sono, a hipersonia vai no caminho contrário. Aqui, o quadro é marcado pela sonolência excessiva e muito cansaço. As pessoas com esse distúrbio geralmente dormem muito, mesmo que tenham passado o dia dormindo. Ao acordarem, elas se sentem cansadas pois o sono não foi reparador, e lutam contra a exaustão em meio a bocejos constantes.

“Na maioria dos casos, elas não têm dificuldade alguma para dormir. Mas o fato de dormirem não é algo que acaba com o cansaço. Elas têm problemas para se levantar e se sentem confusas e irritadas”, afirmaram os pesquisadores da Associação Espanhola de Narcolepsia e Hipersonia (AEN), em entrevista à BBC.

O excesso de sono pode afetar não só a saúde física das pessoas que lidam com esse transtorno, mas também a mental, pois podem desenvolver doenças psicológicas e prejudica a vida social, rotina de trabalho e autoestima delas. 

Segundo a AEN, todos esses fatores podem acabar influenciando a autoestima, a vida social e a rotina de trabalho de quem sofre desse transtorno.

Qual a diferença entre narcolepsia e hipersonia?

Embora tenham semelhanças com outro distúrbio do sono, a narcolepsia, a hipersonia se distingue no sentido de que as pessoas com o problema conseguem dormir facilmente, enquanto os que possuem narcolepsia, não.

Segundo a Associação Americana de Sono (ASA, na sigla em inglês), a hipersonia se assemelha à narcolepsia (condição neurológica de sono incontrolável) pelos sintomas, mas, enquanto muitos narcolépsicos têm problemas para dormir, quem sofre de hipersonia consegue dormir tranquilamente e até melhor do que a maioria das pessoas.

Causas e tratamento

A ASA explica que a hipersonia pode ser causada por outros transtornos de sono, fatores genéticos ou pelo uso de alguns medicamentos ou drogas. 
Pessoas que possuem fibromialgia (síndrome que provoca dores em todo o corpo) ou em pessoas que sofreram danos cerebrais.

Embora seja  uma doença relativamente rara –  afeta 1% da população – aparece com mais frequência em mulheres do que em homens.

O tratamento inclui uma higiene do sono, como a citada anteriormente referente à insônia, a psicoterapia e também  o uso de estimulantes e anfetaminas prescritos por médicos especialistas.

Seja o sono excessivo ou a falta dele, é importante tratar qualquer problema referente ao sono, pois dormir bem está ligado ao funcionamento do corpo e mente!

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