PCD no mercado de trabalho: A inclusão de profissionais com deficiência

profissionais com deficiência

Você sabe o que é PCD? Se não sabe, é hora de se inteirar nas siglas, já que elas são importantes para conhecer os mais variados universos. Essa que trataremos nesse artigo se refere à “Pessoas com deficiência”. Conhecer siglas e termos ajuda na inclusão, e esta acontece desde pequenos gestos no cotidiano, até políticas públicas implementadas pelo governo.

A inclusão de PCD’s no mercado de trabalho é um tema que tem gerado bastante debate. Não se trata apenas de dar emprego para deficientes. É imprescindível respeito. Isso inclui acessibilidade, condutas adequadas no ambiente de trabalho, cargos adequados e salários compatíveis.

Falar de trabalhadores com necessidades especiais não precisa ser tabu. De acordo com Adriana Lotti, coordenadora do Setor de Inserção no Mercado de Trabalho da Apae-DF, é preciso tratá-los com respeito e como um funcionário como outro qualquer.

“Eles não são coitadinhos, são pessoas como nós que precisam de uma chance para mostrar que são excelentes profissionais, que são produtivos”, complementa. O trabalho para deficiente, então, não deve ser subestimado.

Ainda, Lotti diz ser necessário respeitar uma eventual lentidão em alguma atividade. Para ela, isso não significa que o trabalho não será feito, somente que demorará um pouco mais. A empatia com deficientes no trabalho deve permanecer.

PCD no mercado de trabalho

Primeiramente, é preciso compreender a dimensão de pessoas que estamos lidando. De acordo com o censo de 2010 do IBGE, 6,7% da população brasileira possui alguma deficiência. Os números apontam para um universo de 12,7 milhões de pessoas.

Vale ressaltar que essas informações são provenientes de uma nova metodologia utilizada pelo instituto. Anteriormente, foi noticiado que existiam 45,6 milhões de deficientes brasileiros, uma diferença brutal comparada com a forma realizada agora.

A inclusão de PCD no mercado de trabalho ainda continua pequena. O trabalho para pessoas deficientes corresponde a somente 3,45% dessa população. O levantamento do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) de 2018 apontou 442.007 empregos para pessoas deficientes – o que explica a baixa porcentagem.

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E isso ocorre mesmo com a legislação favorável ao trabalhador PCD. A “Lei de Cotas” (8.213/91) foi fundamental para a inserção desses profissionais no mercado de trabalho, pois antes não eram vistos como pessoas capazes de realizar tarefas. Dessa forma, ficou estabelecido via legal que é preciso separar certa porcentagem dos cargos nas empresas voltadas ao emprego para deficiente.

Outra marco importante para o mercado de trabalho para PCD é o Estatuo da Pessoa com Deficiência (13.146/05), que garantiu a igualdade de direitos. Nesse sentido, os deficientes poderiam competir por uma vaga de emprego em equivalência com os profissionais sem deficiência.

Abalo psicológico no trabalhador deficiente

Cerca de 66% dos trabalhadores com deficiência já reportaram falta de oportunidade. Os dados da pesquisa da Vagas.com e da Talento Incluir demonstram a nítida dificuldade da adaptação do mercado às necessidades para PCD. Baixos salários (40%), ausência de plano de carreira (38%) e falta de acessibilidade (16%) foram outras reclamações apuradas.

Apesar do marco importante da Lei de Cotas, a insatisfação continua evidente. De acordo com a psicóloga e intérprete de Libras (Língua Brasileira de Sinais), Amanda Ribeiro, a inserção no mercado de trabalho por parte dos deficientes ocorre principalmente – e quase que exclusivamente – por conta da Lei de Cotas.

“O que eu acompanho, principalmente como intérprete de Libras, é uma grande insatisfação por parte dos surdos inseridos no mercado de trabalho. A queixa principal é a falta de oportunidade de crescimento e desenvolvimento”, afirma Ribeiro.

Ainda, a psicóloga destaca um problema estrutural, que vai além do ambiente de trabalho. Segundo ela, o abalo psicológico dessa realidade não chega a ser discrepante dos outros impactos que eles vivenciam em sua vida cotidiana.

“Eles não são ouvidos dentro de suas próprias casas. Isso impacta de diversas formas na formação subjetiva deles. Ao chegarem no mercado de trabalho é mais um lugar em que eles ‘não terão existência’. Serão um número. E obedecerão as regras, seguirão procedimentos, como fizeram durante toda a vida”, complementa Ribeiro.

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