Saúde mental importa! Precisamos falar do pré-natal psicológico

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pré-natal na psicologia

Carregar e cuidar de outra vida é transformador. Mas como conciliar tantas mudanças físicas e psicológicas em 9 meses? O pré-natal psicológico te explica!

Há quem use a frase cliché “quando nasce um bebê, nasce uma mãe junto” para acalmar as futuras mamães cheias de dúvidas, medos e inseguranças. Pode até ser a realidade de muitas mulheres, mas seja para essas ou para aquelas que não possuem o instinto materno aflorado — o que não tem nada de errado, viu? — romantizar a gravidez pode ser um grande erro. A verdade é que, mesmo sendo um período mágico e transformador, a gestação não é 100% bela e perfeita e é isso o que quase ninguém te conta.

Estar bem amparada nos cuidados com a saúde física durante a gravidez é fundamental, e é através da realização do pré-natal que as mamães e bebês se mantém informados e saudáveis durante toda a gravidez. O pré-natal consiste no acompanhamento gestacional onde uma série de exames é realizado a fim de prevenir e detectar patologias precoces, seja da mãe ou do bebê. Cuidar da saúde física é imprescindível e uma questão de sobrevivência. Atrelado a isso, é importante também manter o  aconselhamento psicológico em dia, já que esse momento tão especial muda a vida da mulher para sempre.

O que é pré-natal psicológico?

Os aspectos psicológicos da gravidez não podem ser ignorados. No Brasil, 25% das mulheres sofrem de depressão pós-parto, segundo o Ministério da Saúde, número preocupante visto que são referentes somente às mulheres diagnosticadas, mas ainda há uma grande parcela que não fala sobre o assunto ou que não sabe que tem a doença. Estresse na gravidez, ansiedade, depressão pré-parto e outros problemas psicológicos desenvolvidos durante a gravidez são mais comuns do que se pensa.

Segundo Arrais, Mourão, Fragalle em artigo publicado na Revista Saúde e Sociedade, “o pré-natal psicológico (PNP) é um novo conceito em atendimento perinatal voltado para maior humanização do processo gestacional e do parto e da parentalidade”. Esse programa idealizado em Brasília tem o objetivo de promover a divulgação de informações, conhecimento e empoderamento das mães no processo de consciência materna e preparo psicológico para todas as mudanças internas e externas que acontecem.

“Tendo em conta o cenário atual, entende-se que esse acompanhamento é imprescindível para que as gestantes e os membros da sua rede social desenvolvam estratégias destinadas ao enfrentamento dos estressores socioambientais e emocionais. Em síntese, o suporte socioemocional, informacional e instrucional fomentado pelo PNP pode contribuir para o bem-estar das usuárias, além de favorecer a avaliação de sintomas de ansiedade e de depressão”, apontam  Alessandra da Rocha Arrais e Tereza Cristina Cavalcanti Ferreira de Araujo, psicólogas e pesquisadoras de Brasília.

Qual a importância do PNP?

O acompanhamento psicológico e a disseminação de informações dão suporte às decisões das mães e também as preparam para possíveis situações que elas podem enfrentar. Afinal, muitas mulheres passam por problemas e imprevistos que quase ninguém conta, tudo porque a gestação ainda é muito romantizada.

Conscientiza

Com informação de qualidade e de profissionais capacitados, o pré-natal psicológico ampara essas mães e mostra que a vida real da gestação não tem nada a ver com o que os filmes de comédia romântica pintam. Mas não entenda mal, objetivo também não é assustar ninguém, e sim apresentar diversos pontos da gravidez que são normais, existem, e precisam ser falados.

Precisamos falar da depressão pós-parto, por exemplo. Se todas as mulheres soubessem do que se trata o transtorno e que ele é mais comum do que pensamos, teríamos mais amparo e, principalmente, conscientização, já que ao primeiro sinal de DPP, as mulheres já saíram em busca de tratamento. É que ter depressão ainda é tabu, e, quando se trata de mulheres e mães, a coisa complica mais ainda, porque as mães ainda são vistas como super-heroínas que não podem sentir dor.

Informa e empodera

Informação é poder. Hoje, com a tecnologia e os grupos de apoio, fica mais fácil se informar. Mas é preciso ter cuidado com fake news ou com o discernimento de que cada quadro, é um quadro. Quanto mais conhecimento a mulher tiver sobre as questões que envolvem a gravidez, o momento do parto, os cuidados com o bebê, mais forte se sentirá. Por exemplo, quais tipos de partos existem? Qual é o melhor para mim? Qual eu realmente quero? Com o pré-natal psicológico, as mamães podem obter essas informações com profissionais capacitados e que darão auxílio nessas e outras decisões.

Aborda os mais variados temas

A preocupação é uma parceiro incansável e sempre presente na vida das futuras mães. Será que conseguirei amamentar? Serei uma boa mãe? Temas como amamentação, dicas e cuidados com o bebê, sexualidade na gestação e a construção da maternidade e paternidade precisam ser discutidos. Segundo o plano de pré-natal psicológico apresentado pela Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal  e pela Universidade de Brasília, DF, Brasília, esses são alguns dos tópicos que devem ser abordados nos encontros:

  1. Dramatização sobre amamentação, banho do bebê, cuidados com o umbigo, troca de fraldas.
  2. Fornecer orientações ao longo da dinâmica.
  3. Aula expositiva sobre sexualidade durante a gravidez, após o parto, momento de trocas de experiências.
  4. Orientação sobre planejamento familiar e direitos reprodutivos.
  5. Entregar material ilustrativo sobre o período pós-parto.

Auxilia nas mudanças na vida das mulheres

Também precisamos falar das mudanças psicológicas que a gestação promove. Imagine, você tem uma vida toda de existência. Tem seus gostos, preferências, planos, nome, sobrenome, profissão e sonhos. De repente, tudo isso muda e você precisa assumir uma grande responsabilidade: cuidar de outra vida. Muitas mulheres sentem esse conflito e não sabem muito bem quem são, o que é normal, já que a gestação é um momento de transformação. Por isso, é preciso muito amparo para que essas mães não se sintam perdidas e longe de sua essência. Assim, a chegada do filho é sentida com alegria e com menos frustração.

As mamães de primeira viagem podem se ver frustradas em diversos momentos. Elas sentem medo do parto, mas não contam. Elas se sentem despreparadas, mas escondem. Elas sentem vontade de ficar sozinhas, mas se culpam porque, onde já se viu uma mãe desejar estar longe do próprio filho? A verdade é que tudo isso passa, sim, pela cabeça da maioria das mulheres, mas muitas sofrem caladas porque, segundo a sociedade, o natural é que ser mãe seja sublime. Mas ninguém é sublime. Mães são seres humanos, também, e elas sentem, pensam e sofrem.

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