A vida é considerada um bem supremo e atentar contra ela pelo suicídio mexe com estruturas que fundamentam nossa sociedade. Talvez a mais poderosa delas seja a religião. Nas escrituras sagradas, muito se fala sobre o sofrimento para alma daqueles que atentem contra a própria vida.

Dificilmente o ato suicida acontece repentinamente. Entre o planejamento e a execução, existe um processo que vai sendo construído ao longo de anos. Na maioria das vezes, a pessoa se sente muito isolada em sua dor.

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Entretanto, algumas tentam se comunicar e dar sinais. Podem até mesmo estar em meio a multidões, porém sentem-se sozinhas. É angústia que parece não ter fim. O sentimento de isolamento e desconexão levam ao desespero. Não conseguem enxergar outra saída a não ser a morte.

Estima-se que anualmente cerca de 800 mil pessoas cometam suicídio no mundo. No Brasil são cerca de 12 mil pessoas. Infelizmente, sabemos que esses números podem estar subnotificados, pois há grande tabu envolvendo esse tema.

Como a sociedade chegou nesse ponto?

Vivemos em uma sociedade muito veloz e individualista, que presa bastante pela competição. O que importa é ganhar dinheiro, sustentar-se, ascender profissionalmente e acumular bens materiais.

O consumo pode aliviar momentaneamente, mas não substitui carinho e afeto. Em geral, nos entupimos de trabalho para cumprir os tais ideais de “sucesso”. Com o advento do home office, essa carga ficou cada vez mais intensa. O ambiente profissional e pessoal se misturam gerando grande estresse.

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Os sentimentos e as emoções são vistos como perigosos, pois desestabilizam o indivíduo. Portanto, somos estimulados ao racional para que estejamos prontos para a resolução de problemas.

E essa é uma ideia que vem desde os filósofos gregos da antiguidade. Uma de suas escolas de pensamento diz que o racional deve se sobrepor aos sentimentos e emoções. Dessa forma, acredita-se que o sujeito será mais controlado.

O fator dos transtornos mentais

Sabemos que os transtornos mentais podem ocorrer devido ao modo de vida da sociedade atual. Dentre os mais comuns, citamos os transtornos de depressão, ansiedade, fobias, etc. Dependendo da gravidade e falta de tratamento, podem auxiliar no processo do suicídio.

Além das questões mentais, tal situação é um quadro muito complexo que envolve causas multifatoriais tais como: problemas familiares, sociais, econômicos, afetivos, profissionais, pessoais, etc.

Como podemos ajudar a prevenir o suicídio?

Falar sobre o assunto

Uma das formas de prevenir o suicídio é falar muito sobre o assunto. Quanto mais se fala, melhor. Várias podem ser as maneiras e uma delas é a criação de espaços de debates. Tal ação favorece o conhecimento sobre o tema, bem como sua desmistificação.

Em geral, as pessoas têm medo de falar sobre suicídio porque acham que isso irá estimular a prática. Pelo contrário, colocar o tema em questão irá abrir caminho para o entendimento, busca de soluções e alternativas de tratamento. A própria campanha do Setembro Amarelo já vem assumindo esse papel em diversos ambientes da sociedade.

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Investir na promoção de saúde mental

Investimento na promoção de saúde mental é outro ponto bem sensível a essa questão. Muitas vezes, as próprias equipes de profissionais da saúde não estão preparadas para lidar com um suicida em potencial. Nessa luta, todos os segmentos da sociedade civil precisam ser mobilizados.

As escolas e universidades desempenham um papel importante na formação dos indivíduos. São peças fundamentais na conscientização, pois geram conhecimento e reflexão sobre esse assunto, além de estimular a busca por tratamento.

Ter empatia pelo próximo

Ao lidar com uma pessoa que pensa em suicídio, o diálogo e a escuta são atitudes básicas. É fundamental prestar atenção e realmente se importar com a pessoa, seja ela um familiar, amigo, colega de trabalho ou qualquer outro que precisar. São atitudes do dia a dia que podem fazer grande diferença.

Desenvolver a empatia é elemento chave, pois ela implica procurar colocar-se no lugar do outro, tentando pensar e sentir como ele sente. A pessoa que sofre necessita ser ouvida e não julgada. Ela precisa de alguém que esteja ali acompanhando o seu processo de dor e sofrimento. Ela não quer ser menosprezada e tratada como se estivesse exagerando ou inventando.

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Dessa forma, o que ela busca é acolhimento, compreensão, apoio, força, segurança e amor. Tudo o que quer é não se sentir abandonada e sozinha. Toda vez que puder falar é como se estivesse esvaziando seu peito do sufoco.

Procurar ajuda psicológica e psiquiátrica

A ajuda de psiquiatras e psicólogos é extremamente bem-vinda nesse momento. Muitas pessoas que precisam, não buscam ajuda por puro preconceito, principalmente, por acreditarem que serão taxadas de loucas.

Por conta disso, desmistificar, esclarecer e educar sobre o trabalho desses profissionais é de grande valia. Além disso, outra via que pode ajudar muito alguns é a espiritualidade e a religião.

Conhecer iniciativas sociais

Felizmente algumas iniciativas sociais tem ajudado. Podemos, por exemplo, contar com o Centro de Valorização da Vida (CVV) que presta serviço de apoio emocional e prevenção do suicídio.

O CVV é uma entidade filantrópica sem fins lucrativos, que atua há quase 60 anos no Brasil. O atendimento é sigiloso e pode ser realizado por telefone ou internet. As chamadas telefônicas podem ser feitas gratuitamente de qualquer telefone fixo ou aparelho celular, vinte e quatro horas por dia.

O trabalho da entidade é composto por voluntários que atuam oferecendo apoio emocional por meio do número de telefone 188. O acesso também pode ser feito pelo site deles.

Além disso, o Instituto Vita Alere é outra entidade que realiza um trabalho importante nesse ambiente. O instituto atua na prevenção e posvenção do suicídio e conta com vários materiais e programas que ajudam na divulgação da causa.

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Desde que me formei em Psicologia em 2002, já iniciei meus atendimentos em consultório, onde estou até hoje. Logo em seguida fiz cursos na área clínica em Gestalt-Terapia e Psicoterapia Existencial. Dediquei-me também aos estudos de mestrado e doutorado voltados a Psicologia Social, Sexualidade e Envelhecimento. Além disso, sou plantonista voluntário do Centro de Valorização da Vida (CVV) desde 1998, prestando apoio emocional, psíquico e prevenção do suicídio. É importante mencionar que atuei cinco anos como Psicólogo Clínico no Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da USP. Quando solicitado, palestro em escolas, ONGs, etc. Em 2013 lancei o livro "Travestis Envelhecem?" e em 2017 o meu segundo, intitulado "Homofobia Internalizada: o preconceito do homossexual contra si mesmo" ambos pela editora Annablume. Atuo como Psicólogo voluntário em uma ONG que presta amparo ao LGBTQIAP + idoso dentre outras. Também leciono no Centro Universitário São Roque. Atendimento a partir dos 18 anos de idade.

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