Violência psicológica emocional e o trote nas faculdades

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trote nas faculdades

Entenda como os tradicionais trotes nas faculdades podem gerar violência psicológica emocional.

A partir do momento que a prova do vestibular está entregue, não há mais o que fazer. Esperar é a única atitude possível. O passar dos dias está repleto de esperança e ansiedade. E tem como ser diferente?  Uma simples lista dirá como você passará os próximos anos da sua vida – e talvez o resto dela.

A aprovação, consequentemente, é a mais pura felicidade. Toda a dedicação dos últimos anos está representada no ingresso à universidade. Realizar a matrícula é a materialização do esforço. Entretanto, é difícil tirar da mente como serão os momentos vividos na faculdade.

E a recepção dos calouros é igualmente extasiante. Farinha, ovos, pó de café e bebidas alcoólicas dão as boas-vindas aos novos estudantes universitários. Uma tradição perpetuada ao longo dos anos e, entretanto, bem controversa.

Trote na faculdade: um ritual de passagem?

“Não tem nada a ver com tradição, a questão do trote é relação de poder. Um grupo político disputa o controle da situação.”, comenta Antônio Ribeiro de Almeida Júnior, professor do Departamento de Economia, Administração e Sociologia da Escola Superior de Agricultura (Esalq), da USP.

O especialista realizou a sua livre docência sobre o tema, que culminou no livro “Anatomia do Trote Universitário”. Durante o trabalho, ele coletou mais de 2.000 questionários e ouviu relatos de mais de 400 alunos.

Segundo Júnior, o trote da faculdade não se trata de um ritual de integração. “Quando você conhece alguém novo, não precisa pintá-lo para receber na sua casa. A ideia de alegria do trote é falsa, é um processo de exclusão. É um teste, por isso precisa ser violento”, afirma.

Nesse mesmo sentido, Antônio Zuin, autor do livro “O trote na universidade: passagens de um rito de iniciação” e professor do Departamento de Educação da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), acredita que esses ritos de passagem podem conter excessos e humilhações, além de figurarem como exemplos de violência psicológica.

“A própria palavra ‘trote’ já alude à violência daquele que se julga no direito de domesticar o novato. Sendo assim, nenhum trote pode ser considerado uma brincadeira”, aponta o professor.

Violência física e psicológica: as consequências do trote em faculdade

A violência física e verbal são mais simples de serem notadas. Elas são caracterizadas por qualquer conduta que ofenda a saúde corporal ou integridade física da pessoa. Machucados e cicatrizes aparecem em cena, porém a situação pode sair do controle. Aliás, já foram reportadas situações de coma alcoólico até mesmo morte em trotes universitários.

A violência psicológica emocional, por outro lado, não é tão fácil de verificar. Para isso, devemos olhar a definição de violência psicológica presente na Lei Maria da Penha, artigo 7º, inciso II:

“A violência psicológica, entendida como qualquer conduta que lhe cause dano emocional e diminuição da autoestima ou que lhe prejudique e perturbe o pleno desenvolvimento ou que vise degradar ou controlar suas ações, comportamentos, crenças e decisões, mediante ameaça, constrangimento, humilhação, manipulação, isolamento, vigilância constante, perseguição contumaz, insulto, chantagem, violação de sua intimidade, ridicularização, exploração e limitação do direito de ir e vir ou qualquer outro meio que lhe cause prejuízo à saúde psicológica e à autodeterminação”.

Ameaças psicológicas, então, podem ocorrer de diferentes maneiras. As “brincadeiras” dos trotes, sob esse ponto de vista, são uma forma branda de dizer que estão realizando a violência psicológica. É um pretexto para a perpetuação de práticas insalubres.

Cortar o cabelo e roupas, pintar as pessoas, jogar diversos alimentos sob o corpo, incitar o consumo de bebidas alcoólicas e “pedir” para coletarem dinheiro no semáforo são somente algumas das formas encontradas para subjugar os calouros.

Esse trote violento pode afetar a saúde mental de diversas formas. Lidar com as emoções pode ser complicado. Vive-se o êxtase e logo depois a frustração. O indivíduo pode desistir do curso e até desenvolver depressão, como foi o caso do estudante Luis Fernando Alves.

Portanto, é sempre importante saber o que está acontecendo e cuidar da sua saúde mental. Nesse quesito, é interessante conhecer o trabalho desenvolvido pela Telavita. A plataforma proporciona atendimento psicológico online no local e horário mais convenientes para o paciente. Além disso, conta com uma rede de psicólogos capacitados para atuar nas diferentes necessidades. Já cuidou de si mesmo hoje?

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