Como lidar com as emoções após uma perda? Psicologia e os cuidados pós-aborto

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Aborto e depressão

O aborto causa danos muito maiores do que os físicos. A mente da mulher pós-aborto fica abalada por não haver contato com o filho tão aguardado e a recuperação é difícil.

O assunto, ainda, não é muito explorado – não só na sociedade, mas também pelas mães que passaram por essa fatalidade. As dores após aborto, sejam elas de qualquer esfera, merecem atenção, pois a paciente pode passar pelo penoso processo de aceitação em silêncio, e, muitas vezes, como consequência, não conseguirá superar essa fase.

A palavra aborto tem o significado de “descontinuação dolosa da prenhez, com ou sem expulsão do feto, da qual resulta a morte do nascituro”. Ele provoca impacto na personalidade da mulher, resultando em sentimentos fortes de culpa e tristeza, por isso, é fundamental tomar alguns cuidados após o aborto.

Preparando-se para ser mãe

A emoção é inexplicável. Saber que você pode gerar e construir uma vida é algo que nenhuma palavra consegue descrever. Desde o primeiro mês, ou desde que se descobre a gravidez, nasce um turbilhão de sentimentos: medo, ansiedade, alegria e questionamentos. A preocupação médica é um fator primordial junto ao acompanhamento do pré-natal e da saúde do bebê. A curiosidade cresce e acima de tudo o psicológico de ansiedade da nova mamãe.

São muito sentimentos, mas devemos falar também sobre a transformação do corpo da mulher. A cada dia o corpo sofre mudanças e fica extremamente sensível. Novos comportamentos e vontades são desenvolvidos e é preciso aprender a conviver com eles. A gravidez significa que ela não vive mais somente por ela. Inicia uma grande jornada de afeto e carinho com a vida que está para chegar.

O sonho interrompido

Algo não parece muito bem, e acontece o que ninguém esperava: o aborto!

O efeito causado por esse fato não depende do período gestacional, e sim da espera e ligação sentimental da mãe com o futuro filho. Acredita-se que abortos no último trimestre de gestação são mais impactantes à saúde mental.

O aborto é o começo de vários e sérios problemas psicológicos. A mãe, às vezes, assume para si um papel de assassina do seu próprio filho. O que gera um turbilhão de fortes sentimentos de extrema dor, angústia, medo, raiva, tristeza e culpa. Inicia-se então, o questionamento do porquê aquilo aconteceu e um excesso de tristeza por não crer que ocorreu o aborto.

Na maioria dos casos, as mulheres costumam apresentar sintomas de depressão e ansiedade e o período de luto pode variar dependendo das condições psicológicas de cada pessoa.

Além disso, é importante tomar certos cuidados pós-aborto e também entender o que isso significa para o corpo. “Como é a menstruação após aborto?” ou “O que acontece com a ovulação após aborto?“. Essas são algumas perguntas que podem surgir e que são essenciais para compreender como reagir nesse período.

Há um outro ponto muito importante que temos que considerar nessa situação, quando uma mulher passa pela experiência de aborto, ela pode em uma próxima gestação desenvolver depressão pós-parto.

Em um levantamento feito no Reino Unido, constatou-se que:

  • Dentre 13 mil grávidas, 21% já abortaram;
  • Todas essas mulheres que sofreram perda tinham sintomas depressivos ou de ansiedade;
  • Engravidar após o aborto podem gerar esses sintomas, que poderão ir até o pós-parto;
  • 13%  das que tiveram 1 aborto apresentaram os mesmos transtornos 33 meses após o parto;
  • E 19 % das que tiveram 2 ou mais abortos apresentaram problemas no mesmo período.

Essa primeira pesquisa dá mais força a um outro estudo publicado na Revista Médica British Medical Journal, desenvolvido na Universidade de Aberdeen, na Escócia. Ele aponta que no universo de 30.937 mulheres analisadas, a gravidez após aborto de até 6 meses anteriores possui uma gestação muito melhor do que as que esperaram um maior tempo de luto.

É comprovado também que a gravidez após aborto espontâneo não gera problemas físicos em uma nova gestação. Na verdade, engravidar após aborto espontâneo pode ter mais chances de correr como uma gravidez normal e sem nenhuma complicação.

Sintomas pós-aborto

Primeiro, devido aos impactos apontados acima, podemos reafirmar a importância da mulher receber um tratamento pós-aborto quando se depara com esse tipo de situação.

A figura do psicólogo é fundamental para tratar dos transtornos que surgem por conta do evento. Muitas mulheres acabam tendo depressão pós-aborto, por exemplo, mas como a depressão mais comum, ela deve ser tratada.

Os sintomas após aborto que serão listados abaixo são comuns em um período de luto e aceitação, mas não devem persistir. Como não há uma forma de prever quanto tempo irão durar, o essencial é buscar por auxílio no momento em que se passa pelo trauma.

Possíveis mudanças no comportamento

  • Momentos de choro;
  • Isolamento;
  • Inquietação;
  • Cansaço sem explicação.

Possíveis manifestações emocionais

  • Sentimento de desamparo;
  • Desespero;
  • Culpa;
  • Nervosismo;
  • Ansiedade;
  • Depressão pós-aborto;
  • Solidão;
  • Tristeza;
  • Apatia.

Possíveis alterações físicas

  • Insônia;
  • Falta de apetite;
  • Uma grande frequência de queixas.

Possíveis alterações cognitivas

  • Problema na memória;
  • Problema com a autoestima;
  • Não consegue se concentrar;
  • Alucinações visuais ou auditivas com crianças.

Buscando ajuda e se recuperando

Permita-se receber ajuda e viver a cada momento do luto, pois só assim irá facilitar a superação. A mulher que não passa pela angústia não consegue seguir, e futuramente ter o desejo de outro filho.

As pessoas que convivem com a mãe, devem ouví-la e conversar sobre o assunto. Evite dizer frase do tipo “foi melhor assim”, porque a mulher que passa por isso não irá entender o seu posicionamento e ficará magoada. Possuir esse cuidados após aborto garantem uma convivência mais tranquila para a mulher.

Então, é muito importante também existir um acompanhamento psicológico. Seja para ajudar na depressão após aborto ou para entender a situação real de uma gravidez após um aborto. Falar sobre o tema o torna mais real e, assim, é possível reestruturar o modo em que a pessoa vivia antes.

Para esse tipo de acontecimento, falar e ser ouvida é o melhor remédio. Reprimir sentimentos e posicionamentos não irá ajudar em nenhum ponto na recuperação.

O aborto é um assunto muito delicado que traz desconforto psicológico. É algo inesperado que, consequentemente evolui os sentimentos de culpa, depressão ou angústia. Tudo possui solução e com ajuda psicológica milhões de mulheres conseguem superar e seguir suas vidas.

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