Agorafobia é transtorno de ansiedade!

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Agorafobia é medo de quê? Saiba do que se trata esse transtorno de ansiedade.

Estamos constantemente cercados por situações potencialmente perigosas: a violência, o trânsito das cidades grandes e os edifícios gigantescos, por exemplo,  podem ser alvo de muito medo para algumas pessoas. Para quem sofre de claustrofobia, por exemplo, pegar o elevador é uma tarefa impossível, pois o medo de se ver encarcerado é tão grande que o indivíduo foge de situações do tipo.

Os medos e fobias são mais comuns do que pensamos. A fobia, na psicologia, se trata de um transtorno de ansiedade e está classificado como transtorno fóbico-ansioso no CID 10 (Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde). A condição já atinge cerca de 20% da população mundial, segundo o Instituto Nacional de Saúde Americano.

Quem vive uma rotina nas grandes cidades certamente irá se familiarizar com a seguinte cena: acordar cedo, sair de casa, pegar o carro e enfrentar o congestionamento rumo ao trabalho. Parece simples, não? Afinal, mais de 7 milhões de carros circulam, diariamente, pela cidade de São Paulo. Mas, para algumas pessoas, esse ritual não é tão fácil assim. É que, para quem sofre de agorafobia, apenas colocar o pé para fora de casa pode ser algo bem complicado, que dirá um trânsito daqueles!

O que é agorafobia?

O agorafóbico sente profunda angústia, medo e ansiedade quando se encontra em lugares ou situações das quais não consegue enxergar saída e maneiras fáceis de escapar. A agorafobia se trata de um transtorno de ansiedade que está, muitas vezes, atrelado à crises de pânico.

O termo “agorafobia” provém das palavras gregas “ágora”, um tipo de praça na Grécia Antiga onde reuniões eram realizadas, e “fobos”, que quer dizer “medo”. Esse nome foi dado ao problema pois, inicialmente, ele era atrelado apenas ao medo que as pessoas sentiam de estarem em lugares abertos. Porém, com o aprofundamento das pesquisas acerca do tema, temos um significado mais amplo e que não se limita somente a lugares abertos, e, sim, a comportamentos de esquiva e ansiedade frente a situações que seria difícil receber ajuda caso necessário.

Segundo o Manual MSD, “cerca de 30 a 50% das pessoas com agorafobia também têm transtorno de pânico. A agorafobia sem transtorno de pânico afeta cerca de 2% das mulheres e 1% dos homens durante qualquer período de 12 meses. O pico da idade de início é no começo da terceira década de vida; o surgimento após os 40 anos é raro”.

O que causa agorafobia?

É comum a presença de transtornos de ansiedade entre membros da mesma família, mas a hereditariedade não é a causa principal, até porque isso não é de todo cientificamente comprovado. A estrutura cerebral pode influenciar no aparecimento da fobia social, por exemplo, outro tipo de transtorno de ansiedade muito comum e que pode ser confundida com agorafobia. O transtorno de ansiedade social, também chamado de fobia social ou sociofobia, é o medo irracional de ser julgado, analisado e rejeitado em situações de interação social. A pessoa com fobia social sente irritabilidade e angústia a ponto de não conseguir lidar com elas e isso afetar a sua vida.

A amídala cerebelosa é vital no controle das emoções humanas, como o medo. Indivíduos com essa estrutura hiperativa podem apresentar maiores níveis de medo, inquietação e insegurança em situações adversas.

A principal causa dos transtornos de ansiedade é o ambiente externo. A maneira com que somos tratados nele e como respondemos aos seus estímulos é a chave para entender a origem dos transtornos.

Crianças maltratadas na infância, episódios traumáticos, situações adversas estressantes, bullying e a própria personalidade tímida que não foi desenvolvida, podem ser grandes vilões no aparecimento de transtornos como agorafobia.

Uma das teorias é que condicionamento aversivo ou experiência desagradável possam detonar o processo. Um exemplo é o da pessoa que estava num elevador lotado quando ele enguiçou. Até aí nada demais, se ela não tivesse se sentido mal e vomitado. A partir dessa experiência desagradável, ela deixou de entrar em elevadores temendo que algo parecido lhe acontecesse de novo”, aponta o Dr.  Tito Paes de Barros Neto, médico psiquiatra supervisor do AMBAN (Ambulatório de ansiedade da USP), em entrevista concedida ao Dr. Drauzio Varella.

O médico também explica que pais superprotetores também podem colaborar com o aparecimento da agorafobia, já que eles “ criam filhos chamando muito sua atenção para os perigos da vida. Por isso, a pessoa pode desenvolver fobia de avião, mesmo sem ter tido qualquer experiência aversiva, nem sequer entrado num avião, se crescer num ambiente em que o tempo todo a família conversa sobre desastres aéreos e o número de mortes”.

Quais são os sintomas de agorafobia?

“A principal característica da agorafobia é estar associada ao transtorno de pânico. Geralmente, a pessoa relaciona esse transtorno a determinadas situações ou ambientes e passa a evitá-los com medo que deflagrem ataques de pânico. Por exemplo, sair de casa sozinha. Se algum dia ela saiu de casa a pé ou de carro e passou mal no trânsito, evita sair desacompanhada. Precisa sempre de alguém de confiança por perto. Mesmo dentro de casa, se teve um ataque de pânico, dormindo ou enquanto tomava banho, não consegue mais ficar sozinha,”, informa Barros Neto.

Quem tem agorafobia pode sofrer dos sintomas abaixo:

  • Medo;
  • Esquiva de lugares e situações que possam causar sentimentos como pânico, aprisionamento, humilhação, vergonha e impotência;
  • Depressão;
  • Ansiedade;
  • Angústia;
  • Apreensão;
  • Tremores;
  • Aumento da frequência cardíaca;
  • Ataques de pânico.

Saiba mais sobre sintomas das crises de pânico aqui!

Qual o tratamento para agorafobia?

Assim como todos os transtornos de ansiedade, a agorafobia  não tem cura, pois é uma doença crônica. Mas existem meios de tratá-la e diminuir os efeitos negativos na vida do paciente.

Como enfrentar a agorafobia? O principal método é através da psicoterapia. Ela consiste em um tratamento colaborativo entre paciente e psicólogo em que o profissional aplicará suas técnicas e abordagens baseadas no caso que está lidando. Existem várias abordagens de psicoterapia, como a Junguiana/Analítica, Cognitivo-Construtivista, Psicanálise, por exemplo.

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Um outro tipo de orientação psicológica é a chamada terapia de exposição, cujo objeto ou situação causadora da fobia é exposto gradualmente ao paciente até que ele se acostume e aprenda a lidar com eles.  

A terapia ensina como controlar a fobia e identifica as causas do transtorno. “A primeira fase passa pelo controle da respiração e pelo relaxamento. Logo depois, o paciente deve aprender a pensar no objeto que causa a fobia, vendo fotos e filmes ou lendo livros, para se acostumar com a presença deste”, relata Antonio Egídio Nardi, professor-adjunto do Instituto de Psiquiatria e da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

O tratamento medicamentoso é possível, mas somente com prescrição médica. Ele envolve o uso de “inibidores de recaptação de serotonina e noradrenalina, drogas antidepressivas e ansiolíticas que regulam as concentrações de neurotransmissores relacionados ao bem-estar e ao estresse no cérebro.

Como qualquer doença, a fobia precisa ser tratada e ser levada a sério. Consulte um psicólogo e não permita que o medo seja protagonista na sua vida. Saiba como a Telavita pode te ajudar!

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