Beleza e saúde mental: como o cérebro enxerga o belo

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beleza e saúde mental

Você sabia que a beleza mexe com a nossa saúde mental? Qual o critério do nosso cérebro para achar algo belo? Descubra a resposta para essas perguntas aqui!

A arte sempre foi protagonista da história do mundo, seja com a arquitetura requintada do auge do período clássico grego, ou com a perfeição das pinturas renascentistas. O fato é que sempre fomos fascinados por tudo o que é belo, e a arte consegue transmitir a beleza aos olhos e também despertar as mais variadas emoções através dos nossos outros quatro sentidos. Mas qual o conceito de beleza? Por que ela é tão importante na vida e na sobrevivência das espécies?

Ao longo das eras, muitos artistas tiveram os seus nomes eternizados na história, e, estes, ecoam ano após ano através da arte. Um desses grandes gênios foi o italiano Leonardo Da Vinci. Além de ter se consagrado pela obra “Mona Lisa”, uma das pinturas mais disputadas até hoje para selfies e fotos no Museu do Louvre, em Paris, o pintor também ficou conhecido por seus projetos de engenharia, arquitetura, anatomia, esculturas, e outras áreas pelas quais seu faro visionário e criativo teve destaque.“Tudo o que é belo morre no homem, mas não na arte”. Da Vinci sabia que, mesmo muitos anos depois de sua morte, ele ainda viveria através da arte, pois a arte é a única beleza que pode ser perfeita e imortal.

O que é beleza?

O Monte Olimpo, morada do panteão grego, teve Afrodite como a deusa da beleza e da representação de tudo o que fascina. O pintor italiano Sandro Botticelli eternizou-a na obra “O Nascimento de Vênus”, e a humanidade pode se encantar com a encarnação da deusa na obra, e da própria obra que se tornou uma entidade do que é belo.

O dicionário Michaellis coloca o significado de beleza como “caráter do ser ou da coisa que desperta admiração ou sensações agradáveis (auditivas, gustativas, olfativas, visuais etc.)” e “qualidade de um ser ou objeto que suscita sentimentos de elevação ou simpatia por seu valor moral ou intelectual”.

A beleza têm muitos aspectos subjetivos que reforçam o ditado “a beleza está nos olhos de quem vê”, mas, aqui, não trataremos do ideal de beleza suplantado pelos padrões impostos pela sociedade. Nesse artigo, a fundamentação científica será a base e tomará como inspiração o vídeo publicado pelo canal Kurzgesagt (In a Nutshell), que explora a questão: “Por que coisas bonitas nos fazem felizes?

No vídeo, o narrador começa explicando que “a beleza não é nada tangível, ela existe dentro da nossa cabeça como um sentimento agradável”. Ele expõe que a nossa percepção do belo está nas cores, formas e proporções do que é atraente para nós. A exemplo disso, pesquisas mostram que, desde o início da humanidade, o homem confeccionou suas ferramentas com proporção e simetria, além de utilizar formas e cores que eram consideradas bonitas para eles. Os cientistas não encontraram evidências para tal comportamento que não fosse o simples prazer de ver algo belo.

Com o passar dos anos e a evolução dos conceitos e ferramentas, o ser humano passou a investir mais tempo e dinheiro para deixar tudo mais harmônico: as ferramentas rústicas, porém simétricas, passaram a ter adornos, cores e arte.  A motivação está justamente no desejo inato de mergulhar os olhos em coisas belas, pois vê-las desperta sentimentos bons que guiam à felicidade.

A ciência por trás do conceito de beleza

Os padrões de beleza são mutáveis. Ao longo dos anos, o contexto histórico e diversos outros fatores influenciam na construção do conceito de beleza. Se pegarmos a ideia do que é belo atualmente, a ciência pode nos dar provas de que, o que achamos bonito, tende a permanecer e sobreviver. Segundo pesquisadores da República Checa, os animais considerados “bonitos” despertam um instinto de preservação maior nos seres humanos perante a eles, o que os torna mais suscetíveis a não entrarem em extinção.

A natureza é a fonte de inspiração por trás da nossa ideia do que é bonito. Segundo o vídeo de Kurzgesagt (In a Nutshell), “ao longo da história, a definição de beleza mudou muito. Além dos nossos gostos individuais e contemporâneos, alguns conceitos nunca saíram de moda: a proporção áurea, simetria ou padrões fractais podem ser encontradas na arte e arquitetura de culturas que datam do início até hoje.”

Segundo as pesquisas apuradas pelos criadores do vídeo, os humanos tendem a chegar a um consenso sobre a beleza de algumas coisas, principalmente as que contém padrões e elementos nutridos pela natureza. Isso porque alguns elementos ajudaram os nossos ancestrais a sobreviver, como a simetria. Na natureza, “árvores, caules e flores crescem simetricamente. Um cervo com chifres impressionantes é provavelmente uma fonte de carne nutritiva. Um caule de trigo deformado, provavelmente não é bom para comer”.

A analogia serve também para animais que procuram parceiros para o acasalamento e humanos que procuram companheiros para a vida: um rosto simétrico tem mais chances de ser visto como um parceiro mais apto para a perpetuação da espécie. Assim, a simetria ajudou a nossa espécie a sobreviver, vencer os perigos e a saber discernir o alimento bom do venenoso. Tal habilidade se tornou natural ao nosso cérebro, por isso, quando algo nos parece belo, quer dizer que o ambiente natural para a sobrevivência é propício. Louco, não?

A beleza e a saúde mental

Já conseguimos compreender que o nosso cérebro herdou de antepassados a habilidade de detectar nos elementos simétricos da natureza e, portanto, belos, o ambiente propício para a sua sobrevivência. Mas, e como sobreviver nos dias atuais quando a maioria dos ambientes é composto pela modernidade e não pela natureza real? O vídeo também coloca essa questão em cheque.

Em vez de florestas e rios, temos uma selva de pedra completamente inserida no caos de informações. Ao invés de templos gregos arquitetados com bases na simetria, estética e referências artísticas, temos aglomerados de prédios feitos de concreto, sem cores e que variam de tamanho e formas.

O nosso cérebro sente prazer em detectar informações desafiadoras e bonitas. “Humanos não gostam de monotonia. Plataformas de rastreamento ocular mostram que as pessoas continuam focando em ornamentos e detalhes de arquitetura enquanto passam os olhos por paredes vazias”, observa o Kurzgesagt. É uma grande decepção para o cérebro quando esse desejo pelo belo não é realizado.

O fato é que a população nas grandes cidades tende a crescer cada vez mais. Uma pesquisa divulgada em 2012 pela USP (Universidade de São Paulo),  prevê um crescimento de 10 milhões de pessoas em áreas urbanas para os próximos 25 anos. Esse dado é preocupante, já que viver em cidades pode ter consequências terríveis para a saúde mental. “Na nossa megacidade, os transtornos de ansiedade são os mais observados, além da depressão maior com uma das mais prevalentes doenças, com estimativas superiores a dos outros países participantes na pesquisa”.

A cidade de São Paulo, a mais populosa do Brasil, possui índices de depressão e transtornos de ansiedade semelhantes ao de áreas de guerra, segundo a USP. Esses dados corroboram para o estudo realizado pelo vídeo do canal Kurzgesagt em que as cidades, por não terem mais a natureza como fonte do belo e darem mais valor aos edifícios práticos, porém sem beleza, tornam seus moradores mais suscetíveis às doenças mentais, pois o cérebro, treinado para identificar as coisas bonitas, acaba detectando apenas a monotonia. Uma vez que o indivíduo se frustra toda vez que olha para um prédio cinza e sem nenhum atrativo, ele coloca a mente em risco para que as doenças mentais tomem conta.

Quais os sinais de depressão? Confira aqui!

Um estudo que observou os aspectos mais importantes que influenciam na felicidade, revelou que a felicidade individual é afetada por quão bonita você acha a cidade em que vive. Para se ter uma ideia, o tópico “beleza” teve pontuações mais altas do que limpeza e segurança. Ou seja, nós, seres humanos, estamos sedentos pelo belo, seja ele em forma de pinturas magníficas, maravilhas arquitetônicas ou objetos de decoração que quebram a monotonia. Queremos cores, formas e simetria. Somos sensíveis ao belo e o belo nos é natural.

Encontrar a beleza na selva de concreto é um desafio, e é por isso que o nível de estresse aumenta quando nos vemos parados no trânsito ou entrando em cavernas escuras para pegar o metrô. Afrodite, a deusa da beleza, pode não reinar nas ruas das grandes cidades, mas aprender a enxergar o belo ou tornar as cidades mais harmônicas, é uma questão de sobrevivência e pode ser uma grande aliada na luta contra a ansiedade e depressão, considerados os grandes males desse século.

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