Depressão na adolescência: Um alerta sobre a depressão entre jovens

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depressão entre jovens

Não são só os adultos que sofrem do problema. A depressão na adolescência é mais comum do que se imagina!

A puberdade é um período bastante complicado na vida de um jovem. Diversos questionamentos, experiências e inseguranças. E é nessa fase que as doenças psicológicas podem dar as caras. A adolescência e depressão estão mais ligadas do que se imagina. De 10 a 20% dos adolescentes vivenciam condições de saúde mental – e que continuam subdiagnosticadas e subtratadas, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS).

De acordo com o órgão internacional, a depressão juvenil é a nona principal causa de doença e incapacidade entre todos os adolescentes no mundo. E a tendência é de que a posição aumente ao longo dos anos.

Nesse sentido, um estudo conduzido pela Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, procurou compreender a gravidade da situação. Para tal, foram submetidos a uma pesquisa anual um total de 176.245 pessoas de 12 a 17 anos entre 2004 e 2015. Os resultados foram baseados nos auto-relatos.

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No último ano da pesquisa, a taxa de depressão entre jovens era de 11,3%, enquanto que em 2005 apenas 8,7% apresentou sinais de depressão na adolescência. A mudança representa um acréscimo de 37% durante o período.

Porém, quais são causas da depressão na adolescência? Explicar o fenômeno não é tão simples, pois são diversos fatores que inferem na questão. Mesmo assim, é possível traçar algumas possibilidades da depressão em jovens.

Depressão: adolescência e “aborrecentes”

“Aborrecentes”. Lidar com eles pode ser complicado e por isso a palavra. Entretanto, o termo depreciativo pode ocultar os sintomas de depressão na adolescência. Nem sempre o comportamento deles é “drama”. Por trás de cada insegurança e rebeldia pode morar a origem de problemas psicológicos.

“A gente tem a ideia de que o adolescente é ‘aborrecente’ porque está passando por mudanças hormonais, fica irritadiço, dorme demais… Ficamos com uma visão estereotipada de que esse comportamento é normal da fase. Mas ele pode estar com depressão sem que ninguém perceba”, comenta a psicóloga, Josie Conti, em entrevista ao jornal O Estado de São Paulo.

A depressão nos jovens é o resultado de diferentes confluências. Aspectos familiares, escolares e até biológicos podem influenciar na condição. Por conta disso, é fundamental atento aos diversos aspectos da vida deles.

Causas da depressão: Existem motivos da depressão?

“Questões sobre sexualidade, dificuldade em lidar com frustrações, bullying, além de pressão pela escolha da carreira e por um bom desempenho escolar estão na base de conflitos que podem funcionar como agravantes”, explica a psicóloga e presidente do Departamento Científico de Saúde Mental da Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP), Vera Ferrari Rego Barros, em entrevista à revista Saúde.

Sendo assim, compreender as diversas mudanças na vida desse indivíduo é importante para não cair em falácias e reproduzir certos estereótipos. A depressão entre os jovens está aumentando, então, tomar cuidado com determinadas situações pode ser o diferencial na criação de um problema.

Depressão na adolescência e o luto

Tratar sobre jovens com depressão não é algo fácil, principalmente, porque existem inúmeros estigmas perpetuados ao longo do tempo. Por conta disso, a transformação que eles passam é mais difícil e comunicar sobre adversidades é tabu.

Em entrevista ao jornal O Estado de São Paulo a psiquiatra, professora e pesquisadora da USP e da PUC-SP, Miriam Debieux, comentou que a sociedade realiza uma leitura errada sobre esse período e a depressão na adolescência.

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“Socialmente é visto como um momento de alegria, a melhor fase da vida, em que se descobre o mundo. Mas não é assim que o adolescente se percebe. Ele está perdendo todas as regalias da infância e não tem as do adulto”, afirma Debieux.

Dessa forma, alguns autores utilizam o termo “luto” para designar a perda dos privilégios da infância. O estudo “A depressão na adolescência” realizado pelas pesquisadoras Kátia Cristine Cavalcante Monteiro e Ana Maria Vieira Lage procurou compreender melhor a designação.

“A depressão, portanto, corresponde ao conceito de luto e, neste sentido, a elaboração dos lutos concernentes às perdas da estrutura infantil é exigida, acrescentando aos sentimentos vivenciados pelos adolescentes uma expressão de tristeza que não deve ser necessariamente considerada uma experiência negativa, mas uma elaboração necessária e positiva. Porém, nem sempre o confronto e a elaboração do luto são possíveis, e define-se como melancolia, o luto impossível de ser superado”, afirma o trabalho.

O artigo acadêmico ainda apresenta quatro sinais de depressão em jovens na caracterização do conceito da doença:

– é um estado presente em qualquer estrutura, nem toda manifestação de tristeza ou alteração no comportamento é uma manifestação patológica;

– é constitutiva do psiquismo e da estruturação do sujeito;

– funciona como uma defesa do psiquismo, visando proteger o humano;

– deve ser concebida como um luto, no sentido psicanalítico do termo, que após certo lapso de tempo, necessita ser superado e a libido reinvestida em outros objetos.

 

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