Ansiedade e psicologia: A terapia é a maior arma contra o mal do século

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psicologia e ansiedade

Deitar a cabeça no travesseiro depois de um dia cansativo é um alívio para muitas pessoas, afinal, é o momento em que a mente pode descansar e o corpo se recuperar. Mas essa não é a realidade de todo mundo. Mesmo com o cansaço no corpo e na mente, a hora de dormir pode ser um pesadelo para quem tem transtorno de ansiedade. Quem sofre de ansiedade experimenta um turbilhão de pensamentos acerca do presente e do futuro, antecipando momentos que ainda não aconteceram de tão intensa que é a preocupação. Assim, o corpo não relaxa, a mente não descansa e a insônia se torna uma companheira frequente. Continue a leitura e entenda a relação da ansiedade e psicologia:

Ansiedade, o que é?

Há quem pense que ansiedade é aquele nervoso ou agitação antes de algum evento importante, ou que é frescura, e engana-se quem realmente tenha essa convicção. O transtorno de ansiedade generalizada é uma doença crônica que afeta 264 milhões de pessoas ao redor do mundo, segundo dados publicados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 2017. Dessas pessoas, 18 milhões são brasileiros. E você ainda acha que ansiedade é brincadeira?

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Os sintomas de ansiedade podem variar de indivíduo para indivíduo. Os mais comuns envolvem irritabilidade, dificuldade de concentração, tensão muscular e cansaço. Segundo o portal do Dr. Drauzio Varella, “existem outras queixas que podem estar associadas ao transtorno da ansiedade generalizada: palpitações, falta de ar, taquicardia, aumento da pressão arterial, sudorese excessiva, dor de cabeça, alteração nos hábitos intestinais, náuseas, aperto no peito, dores musculares”.

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É preciso entender que esses sintomas variam e, dependendo do tipo de transtorno de ansiedade em questão, outros sinais podem dar as caras, como na Síndrome do Pânico, em que o paciente tem crises mais fortes e que o paralisa, impossibilitando-o de realizar tarefas comuns. O Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG) é o tipo mais comum e se caracteriza pela ansiedade prolongada, com picos e crises frequentes. O estresse pós-traumático, a síndrome do pânico, o transtorno obsessivo-compulsivo (TOC)  e as fobias completam a lista dos transtornos de ansiedade.

Ansiedade: como enfrentar o mal do século

Medicamentos

Por se tratar de uma doença crônica, a ansiedade não tem cura, mas possui tratamento. Um dos procedimentos possíveis é o tratamento medicamentoso em que remédios para ansiedade como a classe dos ansiolíticos são utilizados para auxiliar no controle dos sintomas físicos do transtorno em sua fase mais grave. Os antidepressivos agem na regulação da comunicação entre os neurônios e colocam um fim nas crises de ansiedade. São recomendados para um tratamento a longo prazo

Ansiedade e psicologia

A psicologia serve como braço direito do tratamento dos distúrbios mentais, seja depressão, síndrome de burnout ou transtornos de ansiedade. Através de profundas pesquisas acerca da mente humana foi possível compreender as motivações, gatilhos, comportamentos, emoções e processos pelos quais os pacientes com algum tipos de transtorno passa. Diversas linhas da psicologia surgiram para tratar os mais variados distúrbios, como a psicanálise, criada pelo renomado psicanalista austríaco Sigmund Freud em que busca-se no passado as origens do que o presente apresenta. E também existe a terapia cognitivo-comportamental, uma das linhas mais eficazes no tratamento da ansiedade.

Ansiedade e a terapia cognitivo-comportamental

Primeiro, vamos explicar o que é essa tal da Terapia Cognitivo-Comportamental, também chamada de TCC. Nessa linha da psicologia, o terapeuta  conduz o paciente a uma verdadeira jornada de transformação de pensamento frente aos problemas e às emoções que eles surtem. O grande nome por trás dos estudos que levaram a criação da terapia cognitivo-comportamental é  Dr. Aaron Beck. O psicanalista e professor de psiquiatria da Universidade da Pennsylvania, juntamente com seus colaboradores, conduziu estudos importantes acerca dessa linha de pesquisa e desenvolveu esse novo sistema de psicoterapia.

Saiba mais sobre a Terapia Cognitiva-Comportamental

O Instituto de Terapia Cognitiva do Brasil explica, brevemente, a terapia cognitivo-comportamental: “inicialmente, objetiva devolver ao paciente a flexibilidade cognitiva, através da intervenção sobre as suas cognições, a fim de promover mudanças nas emoções e comportamentos que as acompanham. Ao longo do processo terapêutico, no entanto, atua diretamente sobre o sistema de esquemas e crenças do paciente a fim de promover sua reestruturação. Em paralelo à reestruturação cognitiva, o terapeuta cognitivo utiliza ainda uma abordagem de resolução de problemas”.

A terapia cognitiva-comportamental passa por um processo bem claro e estruturado divulgado no Manual Vencendo a ansiedade e a preocupação com a terapia cognitivo-comportamental”, proposto por  David A. Clark e Aaron T. Beck. Na primeira fase do tratamento, o paciente passa por uma avaliação geral: histórico, sintomas e vivências cotidianas que ajudam o psicólogo a compreender a natureza do quadro. Em seguida, chega o período da intervenção, onde o profissional visa identificar o pensamento problemático que causa a ansiedade, corrigir esses pensamentos, ajudar a descobrir uma nova perspectiva sobre a ansiedade e estruturar planos de ação que alterarão seu modo de lidar com episódios de ansiedade. As últimas sessões são dedicadas a lidar com o possível retorno da ansiedade e garantir que o paciente tenha capacidade de manter o quadro estável sem auxílio do terapeuta.

O manual proposto pelos criadores da TCC ainda afirmam que de 60 a 80% das pessoas com um problema de ansiedade que completam um tratamento de terapia cognitiva (de 10 a 20 sessões) experimentarão uma redução significativa em sua ansiedade, ainda que somente uma minoria (de 25 a 40%) estará totalmente livre de sintomas. “Isto equivale ou é melhor do que a eficácia da medicação sozinha, mas em alguns estudos a terapia cognitiva produziu uma melhora mais duradoura que a medicação sozinha. Devido à sua conhecida eficácia, as terapias cognitivo-comportamentais são atualmente recomendadas como um dos tratamentos de primeira escolha para a ansiedade pela Associação Americana de Psiquiatria, pela Associação Americana de Psicologia e pelo Serviço de Saúde Nacional de Britânico”, de acordo com o manual de David A. Clark e Aaron T. Beck.

A ansiedade tira o sono, o foco e a calma. Ela faz com que a vida pareça passar rápido, mas isso só acontece na mente de quem é ansioso, e esse, de fato, se deixa levar pela angústia de eventos futuros e não foca no presente. É preciso reunir forças para combater esse mal e a maior aliada nessa luta é a psicologia. Acredite nela e em você!

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