A importância da saúde mental no trabalho: doenças psicológicas e o afastamento

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trabalho e saúde mental

Mais de 300 milhões de pessoas sofrem com a depressão, principal causa de incapacidade e mais de 260 milhões vivem com transtornos de ansiedade. Esses são os principais vilões dos afastamentos de trabalho.

A idade moderna é ditada pelo ritmo desenfreado das cidades, pela conexão nas redes e pela relação cada vez mais contínua e íntima das pessoas com o trabalho. O fácil acesso a comunicação faz com que as horas de trabalho se estendam para casa, sobrando menos tempo para relaxar e se desligar das obrigações.

“Durante nossa vida adulta, uma ampla proporção do nosso tempo é gasta no trabalho. Nossa experiência no local de trabalho é um dos fatores que determinam nosso bem-estar geral”, explicou a OMS (Organização Mundial da Saúde). A preocupação da OMS não é em vão, já que, segundo ela, “um ambiente de trabalho negativo pode levar a problemas de saúde física e mental de trabalhadores, além do uso abusivo de drogas ou álcool, faltas e perda de produtividade”. 

Esse cenário tem levado muitas pessoas a desenvolverem doenças psicológicas, como ansiedade, depressão e estresse, sendo essa, um dos principais motivo de afastamento. O adoecimento no trabalho vem crescendo cada vez mais. “A depressão e os distúrbios de ansiedade são transtornos mentais comuns que têm impacto em nossa habilidade de trabalhar e de trabalhar de maneira produtiva”, comentou a agência da ONU. 

O que favorece o adoecimento das pessoas?

Falta de motivação profissional

O início da carreira é repleto de expectativas, objetivos e motivação no trabalho. Assim como o empregador espera algo do funcionário que contrata, esse também tem diversos sonhos que gostaria de ver realizados a partir daquela oportunidade. A frustração se instala quando o funcionário não consegue realizar esses objetivos e qualquer chance de crescimento profissional seja reduzido ou inexistente.

Esse cenário leva muitas pessoas a desenvolverem baixa autoestima, pois se encontram sem perspectivas e realizando uma função que não condiz com suas capacidades e sonhos. A baixa autoestima, por usa vez, é uma porta de entrada parta que doenças mais graves se desenvolvam, como a depressão e a síndrome do pânico, por exemplo.

O incentivo profissional, quando não parte da empresa, deve partir do próprio indivíduo. A saída é procurar um trabalho que valorize as suas capacidades e entenda os seus objetivos na carreira. Além disso, valorizar o seu currículo investindo em cursos da área é uma forma de obter motivação para seguir em frente.

Falta de reconhecimento

Ter o trabalho reconhecido nem sempre acontece, e isso pode frustrar muita gente. Os elogios a um profissional podem trazer muitos benefícios tanto na relação chefe-funcionário, quanto na própria motivação daquele desempenhando a sua função. 

Mas não é só isso. No caso dos professores, um elogio ajuda, mas não é o suficiente para mudar o difícil panorama que essa profissão essencial para a construção da sociedade se encontra. A Organização Internacional do Trabalho (OIT) relata que a categoria docente é a segunda a apresentar mais doenças ocupacionais. 

Segundo um estudo realizado pelo Sindicato dos Professores da Rede Privada do Rio Grande do Sul, “entre os anos 2009 e 2013, somaram-se 2.100 auxílios-doença e/ou aposentadorias por invalidez concedidas na região Sul do Brasil a professores da rede privada, o que representa 62% entre os afastamentos por adoecimento mental”.

No caso dos professores, a falta de reconhecimento se dá em diversos pontos: dos alunos, pais de alunos, instituições de ensino, sociedade, prefeitura e Estado. Além disso, a falta de estrutura, precariedade nos materiais disponíveis, descaso de alunos e até violência, têm tirando muito professor da sala de aula e levando-os direto para os hospitais.

Estresse mental

Muitas vezes nos deparamos com situações que demandam mais do que conseguimos lidar naquele momento, seja por questões emocionais, psicológicas ou físicas. Esse esforço demasiado sob pressão causa o estresse. Em resposta, o organismo sofre diversas alterações e libera uma série de reações químicas e, consequentemente, fisiológicas.

Confira aqui o que fazer para diminuir o estresse no trabalho!

O que estresse causa no corpo é bem preocupante, já que quando os sintomas são visíveis, é sinal de que o caso já está bem sério. Confira aqui alguns sintomas de estresse:

  • Tonturas e dores de cabeça;
  • Problemas digestivos;
  • Insônia;
  • Dores musculares;
  • Cansaço;
  • Problemas (irritações) de pele;
  • Queda de cabelo;
  • Hipertensão;
  • Formigamento (mãos, por exemplo);
  • Perda de interesse pelas coisas;
  • Alterações de humor;
  • Problemas de atenção, concentração e memória;
  • Ansiedade;
  • Depressão;
  • Entre outros.

Confira tudo sobre o estresse aqui!

Grande quantidade de trabalho

A demanda no trabalho pode ser um dos gatilhos da exaustão, estresse e transtornos mais sérios, como a síndrome de Burnout. Muita gente acaba se atolando nas obrigações e afazeres do emprego, seja pelo medo do desemprego ou pela necessidade de se provar. O fato é que mais e mais pessoas fazem das horas extras uma rotina.

Outro ponto a ser frisado é que levar trabalho para casa não é saudável, visto que após trabalhar as 8 horas previstas, é preciso se desligar e descansar. Um dos elementos que dificulta esse processo são os aparelhos celulares, que promovem uma conexão 24h com o trabalho e com as pessoas desse meio.

Doenças psicológicas

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), os transtornos mentais são a terceira causa dos afastamentos de pessoas do trabalho, entre todas as doenças psíquicas, a depressão é a de maior frequência na população mundial, sendo também um dos maiores desafios da saúde pública atualmente.

Confira aqui o artigo completo sobre afastamento do trabalho!

Trabalho e saúde devem ser respeitados e viver cada vez mais unidos para que menos problemas sejam causados. “O bullying e o assédio psicológico são frequentes causas de estresse relacionado ao trabalho e apresentam riscos à saúde de trabalhadores, lembra a OMS. Eles estão associados tanto a problemas físicos como psicológicos. As consequências em saúde podem ter custos aos empregadores em termos de produtividade reduzida e aumento da rotatividade de pessoal. Também podem ter impacto negativo nas interações familiares e sociais”, afirma a ONU Brasil (Organização das Nações Unidas).

A organização ainda aponta outros riscos à saúde mental, que “incluem políticas inadequadas de saúde e segurança; falta de comunicação e de práticas de gestão; participação limitada na tomada de decisões por parte dos funcionários ou baixo controle sobre uma área de trabalho; baixos níveis de apoio a funcionários; jornadas de trabalho inflexíveis; e falta de clareza na determinação das tarefas ou de objetivos organizacionais”, informa.

Medidas para aliar trabalho e saúde mental

O primeiro elemento que a OMS cita para para criar ambientes de trabalho saudáveis é “desenvolver legislação, estratégias e políticas governamentais sobre o tema”, pois um “ambiente de trabalho saudável pode ser descrito como aquele em que trabalhadores e gestores contribuem ativamente para o a promoção e proteção da saúde, segurança e do bem-estar de todos os funcionários”, complementa a ONU.

A importância da saúde mental foi o tema de um guia  publicado pelo Fórum Econômico Mundial. Nele, intervenções nas organizações devem ter três abordagens: proteger a saúde mental reduzindo os fatores de risco relacionados ao trabalho; promover a saúde mental ao desenvolver aspectos positivos de trabalho e as habilidades dos empregados; enfrentar casos de problemas de saúde mental independentemente da causa.

A OMS enfatiza: “As intervenções de saúde mental precisam ser entregues como parte de uma estratégia integrada de saúde e bem-estar que cubra prevenção, identificação precoce, apoio e reabilitação”. Ou seja, não é só pagar por uma terapia, é transformar o ambiente e as relações para que as doenças não se desenvolvam. 

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