Bissexualidade: difusão e preconceitos

bissexualidade

Quando falamos de sexualidade não existem regras definidas ou conceitos que não podem ser alterados, pois a própria sociedade transforma-se com o tempo. O importante em tudo isto é a pessoa ser feliz e satisfeita com a própria sexualidade.

Mesmo assim, já acompanhei diversos casos em que as pessoas me procuraram perdidas e questionando a própria orientação sexual. Geralmente, elas tentavam descobrir a própria bissexualidade, porém, ao mesmo tempo, se criticavam e não aceitavam serem algo “indefinido”.

Dúvidas, preconceitos e definições erradas dificultam o entendimento da bissexualidade, gerando conflitos internos para o próprio bissexual e seu companheiro. Entretanto, a aceitação própria gera um sentimento libertador.

Dessa forma, existem muitas questões para serem resolvidas. Nesse sentido, o trabalho psicológico acaba sendo fundamental para os envolvidos se sentirem seguros perante o preconceito da sociedade, família, amigos e do próprio grupo LGBT.

É importante destacar que a bissexualidade não é uma doença ou opção. A pessoa não escolhe ser bissexual. Trata-se simplesmente de uma orientação sexual. Então, vamos entender o que é bissexualidade.

O que é bissexualidade?

Ao longo de nossas vidas, mantemos relações com diversas pessoas de ambos os sexos e criamos sentimentos de empatia com elas, mas isso não caracteriza bissexualidade, já que essas relações não apresentam necessariamente um envolvimento sexual.

Sendo assim, a bissexualidade é uma orientação sexual em que a pessoa sente atração física e emocional, tem desejos e estabelece vontades sexuais com ambos os sexos. Dessa forma, devemos relacionar, inicialmente, a bissexualidade ao desejo sexual e não a uma relação conjugal.

Separar desejo do relacionamento conjugal é importante para entender esse conceito e não cair em questões culturais e imposições sociais. A bissexualidade é ainda mal entendida, então, é fundamental esclarecer alguns pontos sobre esta orientação sexual.

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É comum as pessoas pensarem que um bissexual é na verdade um homossexual, mas que ainda não teve coragem de se revelar. Além disso, muitas vezes são vistos como sexualmente confusos e promíscuos. Entretanto, não tenha dúvidas: a bissexualidade é real.

Inclusive, alguns estudos revelam que não existe essa desorientação. As pesquisas apontam que os bissexuais passam aproximadamente o mesmo tempo olhando as imagens de pessoas dos dois sexos, enquanto os homossexuais, por exemplo, passam mais tempo focados nas imagens de pessoas do mesmo sexo.

Conceitos equivocados sobre os bissexuais

Geralmente, as pessoas fazem confusão sobre o que é ser bissexual. Apesar da maior difusão na sociedade, ainda se trata de uma concepção complexa e que sofre transformações ao longo do tempo.

Sendo assim, vamos desmistificar alguns conceitos equivocados que as pessoas possuem sobre esta orientação sexual:

  • Bissexual não é gay. Gay é a pessoa que só gosta de quem é do mesmo gênero que ela. Então, um homem gay só se sente atraído por outros homens e a mulher homossexual se envolve física e emocionalmente apenas com outras mulheres. Isto não acontece com o bissexual, pois ele pode se relacionar tanto com um gênero quanto com outro;
  • Bissexual não é pansexual. O pansexual não vê o sexo, ou seja, ele gosta da pessoa em si, independente do que ela é. Já o bissexual se interessa por todos os gêneros e não apenas por alguns deles;
  • Bissexual não é indeciso. Dessa forma, o indivíduo não gosta somente de uma única possibilidade, mas gosta de várias;
  • Bissexuais não são promíscuos. Então, não é porque uma pessoa gosta de gêneros diferentes que ela irá ficar com todo mundo. Os bissexuais são iguais as outras pessoas, ou seja, há aquelas que querem relacionamentos longos e baseados na confiança mútua, enquanto que um grupo quer curtir a vida;
  • Bissexuais não podem se tornar héteros. Embora seja possível que um bissexual passe o resto da vida com uma pessoa do sexo oposto, isso não significa que ele deixou de ser bissexual. Isso só mostra que ele é capaz de se apaixonar por alguém e viver com esse companheiro por um longo tempo, exatamente como todos nós.

Preconceitos e aceitação

De forma geral, os bissexuais apresentam níveis menores de aceitação familiar em comparação a gays e lésbicas. Os bissexuais frequentemente apresentam desconforto com sua orientação sexual e sentem como se não tivessem ninguém a quem pedir ajuda, além do medo constante de se assumir para seus colegas.

Pessoas bissexuais são alvos de discriminação tanto por parte de pessoas heterossexuais, assim como por pessoas gays e lésbicas. Tanto de um lado como de outro, existe o preconceito de que uma pessoa bissexual é na verdade homossexual, mas não consegue assumir-se como tal.

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Essa falta de apoio reflete na forma como bissexuais avaliam sua felicidade e seu otimismo quanto ao futuro, como: ambições referentes a relacionamentos amorosos, ingresso na universidade e sucesso na carreira.

Os bissexuais precisam entender que não estão sozinhos neste caminho. Então, é importante procurar um psicólogo ao se sentirem inseguros e em dúvida. Um profissional capacitado consegue lidar com todas as dúvidas e medos desta orientação, além de ajudar na aceitação de quem a pessoa é.

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