Masculinidade frágil e novembro azul: o preconceito com os exameis retais

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A masculinidade frágil é um termo que tem ganhado destaque na discussão sobre a saúde dos homens, especialmente quando se trata do cuidado com a próstata. 

Localizada entre a bexiga urinária e o reto, a próstata desempenha um papel crucial na produção do sêmen. No entanto, se torna suscetível ao câncer de próstata, a neoplasia maligna mais comum entre os homens.

O que é o câncer de próstata?

De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA), em 2014 foram registrados 68,8 mil novos casos de câncer de próstata. Este número alarmante evidencia a necessidade urgente de conscientização e prevenção. 

Contudo, o crescimento da próstata é um fenômeno variável, ocorrendo de forma mais acelerada em alguns indivíduos, enquanto em outros, o aumento é mais gradual. 

A partir dos 50 anos, nota-se um crescimento mais pronunciado, sendo que, nas fases iniciais, os tumores costumam ser assintomáticos. Logo, a detecção desses tumores muitas vezes ocorre devido à elevação do antígeno específico da próstata (PSA).

O que pode influenciar o surgimento do câncer de próstata?

Aspectos relacionados à idade, raça, histórico familiar, consumo de carne vermelha e gordura, são alguns dos fatores considerados de risco para o desenvolvimento da doença, que, em estágios avançados, está relacionada ao ato de urinar.

Considerando o exposto, o Ministério da Saúde lançou a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem para facilitar o acesso dos homens aos serviços de saúde, respondendo à constatação de que as preocupações de saúde masculina são uma questão de saúde pública.

Nesse contexto, o rastreamento do câncer de próstata utiliza dois exames nesta política: o exame digital da próstata e a dosagem do PSA. Ambos apresentam limitações quanto à sensibilidade, especificidade e valor preditivo positivo.

Como é realizado os exames?

Utilizado para avaliar tamanho, forma e consistência da próstata e detectar nódulos, o exame digital apresenta limitações. Essas, por sua vez, vem do fato de que este exame  abrange apenas as regiões posterior e porções laterais, deixando 40% a 50% dos tumores fora de sua abrangência.

Apesar dos fatos alarmantes, o preconceito ao exame retal persiste no Brasil. Uma pesquisa da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) revelou que 76% desconhecem o Exame Retal Digital (EDR), com apenas 32% dos homens afirmando tê-lo realizado.

Contudo, corroborando com outros estudos, o câncer de próstata é um problema de saúde pública, sendo uma das causas para esta doença, o atraso no início diagnóstico, que pode ser inferido por diversos fatores, como:

  • a falta de informação da população leiga, tanto por crenças como por medo; 
  • a falta de atenção dos profissionais de saúde; 
  • o preconceito contra a patologia e contra o reto;
  • a baixa procura por um exame específico e sensível que possa detectar na fase inicial da doença.

O preconceito com o exame retal e a relação com a masculinidade frágil

O preconceito associado ao exame retal está intrinsecamente ligado a noções arraigadas de masculinidade frágil. Em muitas culturas, a resistência a esse procedimento médico é alimentada pela ideia equivocada de que o exame desafia a imagem associada à masculinidade robusta.

Todavia, a aversão a esse tipo de exame é, em parte, reflexo da relutância em confrontar a própria fragilidade física. Sendo assim, masculinidade, muitas vezes vinculada à resistência física e emocional, torna-se um fator determinante na recusa ao exame.

Dessa maneira, é crucial desvincular a realização do exame retal da noção de fragilidade masculina, promovendo uma compreensão mais ampla e informada sobre a importância da prevenção do câncer de próstata. 

A importância da conscientização

A população masculina necessita de maiores esclarecimentos quanto à importância dos exames preventivos, do exame retal e da dosagem do PSA, onde será possível detectar a doença em estágio inicial. Com isso, maiores serão as chances de cura.

No entanto, a orientação individual/coletiva do profissional de enfermagem conduz pacientes ao serviço de saúde, proporcionando conhecimento sobre o corpo e prevenção de doenças, incluindo o câncer.

Dessa forma, para garantir que a incidência e a mortalidade causada pelo câncer de próstata diminui é necessário esclarecimento para a população, e principalmente aumentar a oferta de exames diagnósticos para prevenção. 

Não deixe a masculinidade frágil te afetar

Não permita que a nociva ideia de masculinidade frágil influencie suas decisões de cuidar da sua saúde. É crucial desafiar esses estigmas e reconhecer que cuidar da sua saúde não diminui a sua masculinidade. Ao contrário, demonstra coragem e responsabilidade consigo mesmo. 

A prevenção do câncer de próstata, por meio de exames como o toque retal, é uma medida importante para a detecção precoce e o tratamento eficaz. Portanto, não deixe que preconceitos limitantes o impeçam de tomar decisões que impactam positivamente a sua saúde. 

Logo, esteja informado, quebre estereótipos prejudiciais e priorize o seu bem-estar. A verdadeira masculinidade reside na capacidade de cuidar de si mesmo e enfrentar os desafios da vida de maneira consciente e saudável.

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Desde que me formei em Psicologia em 2002, já iniciei meus atendimentos em consultório, onde estou até hoje. Logo em seguida fiz cursos na área clínica em Gestalt-Terapia e Psicoterapia Existencial. Dediquei-me também aos estudos de mestrado e doutorado voltados a Psicologia Social, Sexualidade e Envelhecimento. Além disso, sou plantonista voluntário do Centro de Valorização da Vida (CVV) desde 1998, prestando apoio emocional, psíquico e prevenção do suicídio. É importante mencionar que atuei cinco anos como Psicólogo Clínico no Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da USP. Quando solicitado, palestro em escolas, ONGs, etc. Em 2013 lancei o livro "Travestis Envelhecem?" e em 2017 o meu segundo, intitulado "Homofobia Internalizada: o preconceito do homossexual contra si mesmo" ambos pela editora Annablume. Atuo como Psicólogo voluntário em uma ONG que presta amparo ao LGBTQIAP + idoso dentre outras. Também leciono no Centro Universitário São Roque. Atendimento a partir dos 18 anos de idade.

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