O contato com animais de estimação ajuda com os transtornos psicológicos?

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terapia com animais de estimação

Já dizia o velho ditado “O cão é o melhor amigo do homem”. Mas não são só os cachorrinhos que desempenham o papel como os nossos melhores amigos de quatro patas. Os animais estão ganhando cada vez mais espaço no modelo de sociedade atual, onde as pessoas têm menos filhos e optam pelos bichinhos como companhia. Os laços emocionais criados com eles são fortes e isso não passou despercebido pelo Hospital Albert Einstein.

A entidade foi pioneira em ações para permitir a visita dos animais de estimação aos seus donos, internados no hospital e impossibilitados de voltarem para casa e receberem o carinho de seus bichinhos. O objetivo, segundo o hospital, é favorecer a recuperação dos pacientes em todos os níveis: físico, mental, emocional, social e espiritual. A causa ganhou tanto reconhecimento na melhora dos pacientes que uma lei foi criada no município de São Paulo em que os hospitais municipais devem permitir a entrada dos melhores amigos do homem.

A lei pode ser nova, mas a percepção dos benefícios dos animais no processo de tratamento de doenças, não. A criadora da enfermagem moderna, Florence Nightingale, já havia observado esse poder dos laços entre homem e animais no século 19. Sigmund Freud, considerado o pai da psicanálise, costumava incluir cães nas sessões psicanalíticas que realizava.

Confira também nossa websérie sobre o autismo e entenda melhor sobre esse Espectro:

Mas foi só recentemente, na década de 90, que artigos voltados ao tema começaram a ser escritos. O psicólogo Boris Levinson percebeu os efeitos positivos que o seu cão, Jingles, surtia em seus pacientes. Desse modo, passou a teorizar e a utilizar os bichinhos no tratamento psicológico. Além de autor de diversos livros e estudos, o psicólogo foi diretor do Human Companion Animal Therapy, no Blueberry Center e professor emérito de Psicologia, além de ser primordial na assistência psicológica através da TAA, ia na Yeshiva University’s Ferkauf Graduate School of Psychology.

Terapia com animais de estimação

Ter um animal de estimação em casa pode proporcionar inúmeros benefícios ao bem-estar, como prevenir contra a solidão e o sedentarismo, já que os bichinhos servem como companhia e muitos deles precisam ser levados para passear, como no caso dos cachorros. Além disso, podem ser uma ótima fonte de socialização, seja para adultos ou crianças. Os animais para a formação das crianças são muito importantes pois auxiliam no desenvolvimento do senso de responsabilidade, já que ter um pet requer diversos rituais, hábitos e cuidados.

A Terapia Assistida por Animais (TAA) foca na relação psicólogo-animal-paciente em que o animal funciona como co-autor do tratamento de transtornos e doenças. Cachorros, gatos, passarinhos, cavalos, porcos…todos eles, e muitos outros, são personagens importantes ao lidar com doenças como a depressão, ansiedade, TOC, síndrome do pânico, autismo e outros problemas.

Segundo a psicóloga Martina Sbrissa Bortolin, especialista em Terapia Cognitivo Comportamental pela Wainer-Psicologia Cognitiva, “nas Terapias os usuários são avaliados, são estabelecidos objetivos e através do animal, o sujeito é estimulando e motivando a alcançar os resultados, muitas vezes mais rápido e de forma mais prazerosa do que os tratamentos convencionais. Acredito que o principal diferencial destas intervenções é o fato de que o animal descaracteriza a terapia, tornado exercícios muitas vezes dolorosos mais fáceis de executar, como nos programas de fisioterapias por exemplo. Outro fator crucial é a facilidade com que o indivíduo vincula-se com o terapeuta a partir do animal, que funciona como uma ponte, um facilitador, carinhoso e amigável.”

O contato com animais também estimula a redução da frequência cardíaca e pressão arterial, além de estabilizar a respiração. A liberação de hormônios do bem-estar, como a serotonina, também é importante pois afasta as crises de depressão e ansiedade.  Os animais, segundo estudos publicados pelo Jornal USP, da Universidade de São Paulo, “mostram-se verdadeiros antídotos contra o estresse e a ansiedade, fatores que muito contribuem para o surgimento das doenças cardiovasculares”.

Os cachorros e os cavalos lideram nas terapias voltadas para “demência senil, mal de Alzheimer, esquizofrenia, reabilitação de idosos, tratamento para transtornos psicossociais, crianças e adultos hospitalizados”, informa a USP. Os  animais que ajudam no tratamento de doenças são treinados e participam como ligação entre psicólogos e pacientes. Eles estimulam tanto o aspecto físico quanto o emocional, visando a melhoria de suas enfermidades e atuando diretamente no bem-estar.

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