Conheça os aspectos básicos da depressão

Depressão

A depressão é conhecida como o mal do século. Não à toa possui essa alcunha, afinal, incapacita milhões de pessoas ao redor do mundo. Por conta disso, possuir conhecimento sobre essa doença é fundamental.

Ela pode afetar qualquer pessoa. Pode ser os seus parentes, seus amigos ou até mesmo você. Por isso, nunca é demais conhecer sobre algo tão importante assim. Saber sobre os aspectos básicos da depressão capacita qualquer um numa melhor compreensão do problema, além de ser capaz de identificar os sintomas mais rápido.

Então, que tal entender um pouco mais sobre a depressão? Irei tratar sobre os tópicos basilares da questão e também trarei um pouco de minha experiência profissional para complementar as informações.

O que é depressão?

A depressão é caracterizada pela perda ou diminuição de interesse e prazer pela vida. Vale ressaltar que isso ocorre muitas vezes, inclusive, sem causa aparente, então, é necessário prestar atenção nos sintomas presentes. Além disso, ela tende a ser crônica e recorrente, porém é importante frisar que isto acontece, principalmente, quando não tratada.

Trata-se de uma doença mental de elevada prevalência que atinge pessoas de qualquer idade, sexo e etnia, embora seja mais frequente em mulheres. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), 320 milhões de pessoas já foram diagnosticadas com a doença e os casos aumentaram mais de 18% nos últimos 10 anos.

LEIA MAIS: Benefícios da consulta psicológica no tratamento da depressão

Nesse sentido, depois de 21 anos de experiência clínica, posso afirmar que muitas pessoas chegam a procurar a ajuda psicológica sem mesmo entender o que deu início a toda aquela sensação de que a vida perdeu a graça.

Além disso, é comum presenciar que os pacientes sentem uma falta de ânimo e desesperança muito grande. Aliás, muitas vezes nem mesmo acreditam no tratamento da doença, tamanha é a dor e tristeza deles.

Sintomas presentes

O diagnóstico da depressão é clinico. Sendo assim, é realizada uma anamnese completa do paciente para descobrir se está com a doença. Vale ressaltar que não existem exames laboratoriais para diagnosticar a depressão, portanto, a figura do profissional de saúde é fundamental.

Por isso, é importante prestar atenção aos sintomas para identificar a depressão o quanto antes. Aliás, existe um grande número de sintomas que podem estar isolados ou associados uns aos outros. Dessa forma, vou tentar expor os mais comuns. São eles:

– Sensação de tristeza;

– Sentimento de culpa e autodesvalorização;

– Falta de energia, preguiça ou cansaço;

– Pensamentos mais lentos, falta de concentração, falta de memória, de vontade e de iniciativa;

– Insônia ou sonolência;

– Angústia e ansiedade;

– Baixa autoestima;

– Mudança no apetite;

– Redução do interesse sexual;

– Dores e sintomas físicos (mal estar, dor no peito, taquicardia e sudorese).

Causas da depressão e fatores de risco

A depressão não acontece simplesmente do nada. Sendo assim, é necessário compreender o que pode levar uma pessoa a desenvolver a doença. Dessa forma, é possível observar que a depressão pode ter três grandes causas: genética, bioquímica ou psicológica.

Pelo ponto de vista da genética, ela ocorre quando dentro de uma família se observa mais pessoas com os sintomas. Estudos revelam que a chance de desenvolver a doença dentro um mesmo núcleo familiar fica em torno de 40%.

Já ao falar de bioquímica, estamos falando de uma deficiência de neurotransmissores, ou seja, de substâncias químicas do cérebro que estão relacionados na regulação motora, apetite, sono e humor. Estes neurotransmissores são a noradrenalina, a serotonina e a dopamina.

LEIA MAIS: Como a consulta psicológica na Telavita pode ajudar a evitar depressão

E então chegamos nas causas psicológicas. Elas podem ser acontecimentos traumáticos com grande estresse físico e psicológico ou eventos com conteúdo emocional muito forte, como divórcios, falência, perda de emprego, mudança brusca financeira ou morte de uma pessoa muito próxima.

Sobre isso, observo as pessoas como um ser único e especial. Por isso, é tão importante o trabalho terapêutico neste momento, pois assim é possível ter um melhor entendimento da causa de cada caso. Cada pessoa difere da outra, portanto, a avaliação conseguirá delimitar o que determinado indivíduo está passando.

Além disso, vale comentar sobre os fatores de risco da depressão. Ao falar sobre isso, estou querendo salientar o que pode contribuir para o desenvolvimento da depressão. Afinal, se estamos mais propensos para isto, podemos ter um olhar mais criterioso para nós mesmos.

Nesse sentido, histórico familiar, transtornos psiquiátricos correlacionados, estresse crônico, ansiedade crônica, disfunções hormonais, uso de álcool e drogas podem aumentar as chances de alguém ter a doença.

Tipos de depressão

Nem toda a depressão é igual. Sendo assim, é importante notar algumas diferenças entre elas para realizar o diagnóstico correto. Portanto, vou citá-los aqui para que percebam a variedade de possibilidades ao falarmos de depressão.

– Distimia: é um quadro mais leve e crônico. Prevalecem às queixas de cansaço e desânimo durante a maior parte do tempo. São comuns sintomas como letargia e falta de prazer pelas coisas que antes eram prazerosas. Geralmente, se inicia na adolescência ou no princípio da idade adulta;

– Depressão endógena: caracteriza-se pela predominância de sintomas como perda de interesse ou prazer em atividades normalmente agradáveis. Piora pela manhã;

– Depressão atípica: apresenta uma inversão dos sintomas, ou seja, ocorre aumento de apetite e/ou ganho de peso, além das pessoas apresentarem dificuldade para conciliar o sono ou sonolência. Também é comum sensação de corpo pesado;

– Depressão sazonal: caracteriza-se pelo início no outono/inverno e pela remissão na primavera, sendo incomum no verão;

– Depressão psicótica: é grave e caracterizada pela presença de delírios e alucinações;

– Depressão secundária: associada ou causada por doenças sistêmicas e/ou por medicamentos;

– Depressão bipolar: a maioria dos pacientes bipolares inicia a doença com um episódio depressivo. Quanto mais precoce o início, maior a chance de que o indivíduo seja bipolar.

Noções do tratamento

Bem, é importante frisar que o tratamento é medicamentoso e psicoterapêutico. Além disso, é necessário prestar atenção ao grau da depressão: se for leve, os médicos encaminham apenas para a terapia; se for de médio a severo, a medicação se faz necessária. Quando o tratamento é bem feito, ou seja, obedecendo a medicação e frequentando a terapia, a taxa de remissão da doença é bem grande.

É necessário comentar uma coisa: se você for diagnosticado com depressão, não se desespere. Frequente a terapia com um profissional de sua confiança e no qual se sinta acolhido e não se esqueça da medicação.

LEIA MAIS: Confira 5 dicas para ajudar alguém com depressão!

Tenho que salientar: nunca pare o tratamento antes da alta médica e psicológica; pois um tratamento interrompido é bem pior. Nesses casos, a pessoa pode ter uma recidiva da doença e, muitas vezes, ela reaparece de forma mais severa que a anterior, além do risco de se tornar crônica.

O acompanhamento psicológico buscará levantar as causas do problema e como ele poderá ser desmontado. Ele é importante principalmente porque os remédios podem demorar um tempo para fazer efeito.

Atuando na prevenção

É importante controlar o estresse e compartilhar as dificuldades do dia a dia. Ler, aprender coisas novas, ter hobbies e se divertir ajudam a manter a cabeça ativa e livre de pensamentos negativos ou preocupações excessivas.

Cuidar do organismo reflete na saúde mental. O conselho é praticar atividade física, inclusive, porque estudos atestam que elas incentivam a liberação de hormônios e outras substâncias importantes para a manutenção do humor.

A recomendação é ter um estilo de vida saudável, com dieta equilibrada e prática regular de atividade física. Para combater o estresse, é importante conceder tempo na agenda para atividades prazerosas.

Quando perceber alguns comportamentos diferentes, procure ajuda profissional. Quanto mais cedo for tratado melhor pois menos sofrimento terá.  Não tenha receio de ir ao psicólogo, somos preparados para ajudar as pessoas neste momento de crise.

O autoconhecimento que é realizado dentro das terapias ajuda em muitas questões da vida. Os benefícios são inúmeros. As causas serão tratadas e a transformação na pessoa é muito grande.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.