Entenda a diferença de Burnout e estresse

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burnout e estresse diferenças

Embora muito parecidos, estresse e Burnout possuem diferenças importantes, como o esgotamento mental e as graves crises no Burnout. Confira aqui mais sobre os dois transtornos.

Ofício, trabalho e profissão: por anos, esses conceitos existiram ora misturados, ora independentes, e despertaram em filósofos o questionamento sobre o propósito do trabalho na vida do homem através dos séculos. Desde a Pré-História, a invenção de instrumentos como a pedra lascada e o machado proporcionou ao homem realizar o trabalho de modo mais ágil, assim, a caça, pesca, coleta e agricultura colaboraram de modo mais eficiente para a sobrevivência da espécie.

Atualmente, nós também necessitamos trabalhar para sobreviver, entretanto, o tipo de profissão e as condições físicas e psicológicas de cada emprego, define a maneira que o indivíduo realiza tal ofício. Para alguns, passar 8 horas dentro de um escritório é um suplício, enquanto para outros, doar mais de 8 horas de seus dias para as atividades laborais é indiferente. A questão aqui é: cada indivíduo se adapta às situações de uma maneira. O gatilho que pode levar alguém a uma crise de estresse, pode ser uma situação perfeitamente normal para o outro. Mas qual o limite?

O cenário atual em que o mundo globalizado exige cada vez mais dos profissionais, criou uma espécie de obrigação de amar o trabalho. Mas não é bem assim, afinal, os tempos de lazer e a qualidade de vida promovem bem-estar e saúde às pessoas. Hoje, principalmente em meio ao caos das cidades grandes, a quantidade de gatilhos para o estresse é enorme: trânsito, transporte público abarrotado, cobranças do chefe, metas inatingíveis. O estresse, em excesso, pode ser o causador de inúmeras doenças e transtornos mentais, como no caso do estresse profundo no ambiente de trabalho, o Burnout. Mas qual a diferença entre estresse e síndrome de Burnout?

A Síndrome de Burnout agora é listada como doença crônica pela OMS. Confira a explicação da Milene Rosenthal, psicóloga e co-fundadora Telavita:

Estresse

O esforço demasiado que realizamos sob pressão e que demanda mais do que conseguimos lidar, seja por questões emocionais, psicológicas ou físicas, é chamado de estresse.  A resposta do organismo quando se depara com situações do tipo é sofrer diversas alterações e liberar uma série de reações químicas e, consequentemente, fisiológicas.

De acordo com entrevista cedida ao Hospital Israelita Albert Einstein, a Dra. Selma Bordin explica: “Quando nossos ancestrais se deparavam com situações de perigo, como o encontro inesperado com um animal, precisavam defender-se – atacando ou fugindo. As duas reações demandam uma série de ajustes do corpo. ‘O batimento cardíaco acelera porque o coração tem que bombear mais sangue para os músculos que precisam receber mais energia. Há um aumento da respiração e da pressão arterial, entre outras coisas”.

Hoje, não precisamos lutar ou correr, então toda a adrenalina produzida pelo corpo frente à situações adversas é sufocada, gerando o estresse. A Associação Americana de Psicologia definiu a existência de 3 tipos de estresse: estresse agudo, estresse agudo episódico ou estresse crônico. Além disso, existem ainda o Transtorno do Estresse Pós-traumático e o Estresse Pós-Parto.

Sintomas do Estresse

O estresse causa diversas reações no nosso organismo, e eles podem ser notados tanto fisicamente como psicologicamente. Confira aqui como o estresse dá as caras:

  • Tonturas e dores de cabeça;
  • Problemas digestivos;
  • Insônia;
  • Dores musculares;
  • Cansaço;
  • Problemas (irritações) de pele;
  • Queda de cabelo;
  • Hipertensão;
  • Formigamento (mãos, por exemplo);
  • Perda de interesse pelas coisas;
  • Alterações de humor;
  • Problemas de atenção, concentração e memória;
  • Ansiedade;
  • Depressão;
  • Entre outros.

Quando esses sintomas aparecem no ambiente de trabalho e o estresse toma conta, é preciso ter cuidado para que, em excesso, ele não se desenvolva para Síndrome de Burnout.

Síndrome de Burnout: O que é?

A síndrome de Burnout, ou síndrome do esgotamento profissional, é um distúrbio psicológico que consiste em tensão emocional e estresse crônico decorrente do trabalho desgastante. O esgotamento físico e mental é constante e se manifesta, principalmente, em profissões cuja exigência interpessoal se faz presente.

Segundo a Revista Brasileira de Medicina do Trabalho, “atualmente, Burnout é definida por uma combinação de três fatores: exaustão emocional (depleção da energia emocional pela demanda excessiva de trabalho), despersonalização (senso de distância emocional dos pacientes ou do trabalho) e baixa realização pessoal (sensação de baixa autoestima e baixa eficácia no trabalho), em outras palavras, Burnout é a resposta prolongada ao estresse crônico no trabalho”.

O transtorno de Burnout já atinge 30% dos brasileiros. Em 2016, foram 75,3 mil afastamento por estresse de trabalho ocasionados pelo Burnout registrados pela Previdência Social no Brasil.

Burnout: Sintomas

O  sintoma típico da síndrome de Burnout é a sensação de esgotamento mental, físico e também de esgotamento emocional que refletem diretamente no trabalho e também na vida pessoal, como:

  • Insônia;
  • Isolamento;
  • Irritabilidade;
  • Ansiedade;
  • Depressão;
  • Pessimismo;
  • Dor de cabeça;
  • Agressividade;
  • Enxaqueca;
  • Cansaço;
  • Sudorese;
  • Palpitação;
  • Pressão alta;
  • baixa autoestima;
  • Ausências no trabalho;
  • Baixa produtividade;
  • lapsos de memória;
  • alterações  de humor;
  • dores musculares;
  • dificuldade de concentração;
  • crises de asma;
  • distúrbios gastrintestinais;
  • Entre outros.

Estresse no Trabalho e Síndrome de Burnout

Embora possuam muitas semelhanças, principalmente no que diz respeito aos sintomas, é preciso entender diferenças importantíssimas entre estresse e Burnout. Na doença de Burnout, estar no ambiente, por si só, já causa ansiedade e profundo esgotamento que leva a maioria dos pacientes a ter uma crise.  A crise de Burnout chega em etapas: primeiro, o paciente tem uma drástica queda no rendimento e duvida das próprias capacidades, o que o leva a sentir-se extremamente desmotivado. A seguir, a agressividade toma conta, o que colabora para a liberação de hormônios em ataques de ira, como o cortisol, produzido na suprarrenal. Esse processo bioquímico colabora com o aumento do risco de diabetes, cardiopatias, doenças autoimunes, crises de pânico e depressão. E, por fim, chega o esgotamento total.

Tratamento para síndrome de Burnout e estresse

De acordo com o Hospital Israelita Albert Einstein, “O tratamento do estresse foca três pontos: administrar os estressores, aumentar a resistência a eles e mudar a forma de enfrentá-los.” Já a síndrome de Burnout necessita de um diagnóstico do transtorno e ele só pode ser realizado por um profissional de saúde mental, seja ele psicólogo ou psiquiatra.

Felizmente, a síndrome de Burnout tem cura e, as formas de tratamento envolvem medicação e psicoterapia. Com o acompanhamento psicológico mais indicado para cada caso, o profissional é capaz de identificar os sintomas e auxiliar o paciente a transformar o pensamento e o comportamento perante as situações que possam engatilhar uma crise de Burnout.

Para reduzir o estresse no trabalho, o profissional pode:

  • Realmente aproveitar a hora do almoço, sem trabalhar enquanto realiza as refeições;
  • Colocar música para relaxar;
  • Trabalhar a respiração;
  • Colocar metas reais e possíveis de serem cumpridas;
  • Estabelecer um horário fixo de entrada e saída;
  • Não levar trabalho para a casa
  • Entre outros.

Seja estresse ou Síndrome de Burnout, é preciso do tratamento apropriado para não deixar que esses transtornos mentais afetem o bem-estar e a qualidade de vida dos pacientes. Balancear a vida pessoal com a profissional, regadas à altas doses de qualidade de vida, é o maior aliado na luta contra o estresse e o Burnout.

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